As eleições presidenciais estão chegando e a história de vida dos candidatos à presidência pode ser um fator decisivo para os eleitores. 

Pensando nisso, fizemos um resumo das biografias dos 13 candidatos ao próximo presidente do Brasil. 

1. Álvaro Dias (1944) 

Alvaro dias

O candidato do partido Podemos à Presidência da República nas eleições de 2018 é um paulista nascido em Quatá, filho de agricultores em uma família com mais dez irmãos. 

A família de Álvaro mudou-se ainda quando ele era uma criança para o Paraná, e lá o candidato iniciou a sua vida pública, depois de formar-se em história pela Universidade Estadual de Londrina. Trabalhando no rádio, Álvaro Dias fez seu nome como locutor e apresentador e conseguiu se eleger aos vinte e três anos como vereador. 

Depois, o candidato ainda exerceu cargos políticos como deputado federal e estadual (1971 - 1983), senador (1983 - 1987), governador do Paraná (1987 - 1991) e novamente senador em 1999, cargo o qual permanece até hoje. 

Há mais de cinquenta anos que Álvaro Dias está na política e algumas de suas principais ideologias de atuação é o estado mínimo, a privatização de estatais e o conservadorismo em questões como o aborto e descriminalização de drogas (o candidato é contra ambos). Em 2018 disputa pela primeira vez a corrida à presidência do Brasil. 

2. Ciro Gomes (1957) 

ciro gomes

O candidato do PDT à Presidência da República nas eleições de 2018 nasceu no interior de São Paulo, em Pindamonhangaba em uma família com mais quatro irmãos. 

Ciro cresceu no Ceará e, aos dezenove anos, saiu de Sobral onde morava com a família e foi para a capital, Fortaleza, cursar direito na Universidade Federal do Ceará. Mais tarde, ainda no campo de estudos, também foi pesquisador da Universidade de Harvard. 

Sua carreira política começou por influência da família, os Ferreira Gomes, que já tinham algum nome na área. Enquanto universitário, integrou movimentos estudantis e ajudou na campanha do pai à prefeitura de Sobral.  Assumiu o seu primeiro cargo, como procurador, na gestão do pai na prefeitura de Sobral, quando tinha vinte e três anos de idade. 

Desde então Ciro Gomes já foi deputado estadual (1980 - 1988), prefeito de Fortaleza (1988 - 1990), governador do Ceará (1990 - 1994), ministro da fazenda (1994 - 1995), ministro da integração nacional (2003 - 2006), deputado federal (2006 - 2010), secretário da saúde do Ceará (2013 - 2015) e presidente da Transnordestina e diretor da Companhia Siderúrgica Nacional (2015 - 2016). 

A carreira política de Ciro já dura quase quarenta anos e sua atuação esteve mais ligada à esquerda brasileira, defendendo ideias como a taxação de heranças, e defesa do mais pobres através de intervenções estatais. Esta será a terceira vez que Ciro Gomes concorrerá à Presidência da República, tendo ficado em terceiro lugar no ano de 1998 e em quarto em 2002. 

3. Cabo Daciolo (1976) 

cabo daciolo

Nascido em Florianópolis, filho de um coronel do Exército e uma dona de casa, Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, conhecido como Cabo Daciolo, cresceu em uma família com mais sete irmãos. 

Criou-se no Rio de Janeiro e chegou se formar em Turismo, mas não seguiu carreira na área. No Corpo de Bombeiros, ganhou notoriedade liderando a greve que ficou famosa em 2011. Antes disso, porém, já havia tentado candidaturas na política, em 2006 para deputado estadual e 2008 para vereador, sem ter sido eleito em nenhuma das duas ocasiões. 

Já em 2014, depois de ter ganhado notoriedade como líder da greve dos bombeiros ocorrida no Rio de Janeiro, conseguiu se eleger como deputado federal pelo PSOL. Cargo que exerce até hoje.

Tornou-se evangélico em 2004, o que tem grande influência em sua vida política, pois suas declarações como político estão constantemente relacionadas à intervenção divina na política nacional. Uma de suas propostas é tornar o ensino da Bíblia obrigatório no ensino básico brasileiro. 

Efetivamente na política há sete anos, esta é a primeira vez que Daciolo concorre à Presidência do Brasil. 

4.  Fernando Haddad (1963) 

fernando haddad

Fernando Haddad nasceu em São Paulo, filho de imigrantes libaneses: o pai comercializava tecidos e a mãe era professora e dona de casa. Haddad cresceu com mais duas irmãs.

Estudou o ensino médio em um dos melhores colégios de São Paulo, o Bandeirantes, com 18 anos ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Foi também pela USP que conseguiu seus outros dois graus: de mestre em economia e doutor em filosofia.

A vida política de Haddad começou na universidade, em meio a militância estudantil da USP. Por um tempo trabalhou como consultor de investimento do Unibanco e depois começou a dar aulas de teoria política na USP, quando tinha 34 anos de idade. 

Seu primeiro cargo público foi na gestão de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, onde Haddad assumiu a função de chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico, em 2001. Depois, Haddad já foi assessor do Ministério do Planejamento (2003), ministro da educação (2004 - 2012), prefeito de São Paulo (2012 - 2016). 

Haddad se diz alinhado a ideais socialistas e pela defesa causas como a igualdade social. É o substituto oficial de Lula em sua primeira tentativa à presidência do Brasil pelo Partido dos Trabalhadores. 
 

5. Geraldo Alckmin (1952)

geraldo alckmin

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho nasceu no interior de São Paulo, filho de uma professora e um veterinário que fez carreira política. Foi criado com mais duas irmãs.

Logo após ingressar na Faculdade de Medicina de Taubaté, onde graduou-se aos vinte e cinco anos, já se envolveu na vida política, disputando a sua primeira eleição em 1972, aos dezenove anos de idade, quando foi eleito vereador de Pindamonhangaba. Aos vinte e quatro, já era prefeito da cidade

Depois, o candidato já foi deputado estadual (1982 - 1986), deputado federal (1986 - 1990), vice-governador de São Paulo (1994 - 2000) e governador de São Paulo (2001 - 2006 e 2011 - 2018), e ainda secretário estadual do desenvolvimento (2009 - 2010). 

Agora tenta a Presidência da República pela terceira vez, defendendo aspectos como a diminuição do poder estatal, a redução da carga tributária e a reforma trabalhista. 

6. Goulart Filho (1956) 

goulart filho

O nome Goulart é famoso na política brasileira. Seu pai, João Belchior Marques Goulart, o Jango, foi 24.º Presidente do Brasil, deposto pelo Golpe Militar de 1964. João Vicente Fontella Goulart nasceu no Rio de Janeiro, mas cresceu no exterior, vivendo no exílio com a família enquanto o Brasil funcionava sob um regime de ditadura. 

Aos vinte e três anos retornou ao Brasil, ajudando a fundar o partido de seu tio, Leonel Brizola, o Partido Democrático Trabalhista. Com vinte e quatro anos, em 1980, formou-se em filosofia pela Pontífica Universidade Católica, no Rio Grande do Sul. 

Seu primeiro cargo político foi aos vinte e seis anos de idade, como deputado estadual, e depois foi também presidente do Instituto de Terras do Rio de Janeiro e subsecretário da agricultura, também no Rio de Janeiro (1998 - 2002). 

Atualmente Goulart Filho atua como presidente do Instituto João Goulart, em homenagem à carreira de seu pai, e é filiado ao Partido Pátria Livre (PPL), defendendo pela primeira vez uma candidatura à presidência, com propostas que prometem um viés nacionalista, defesa do trabalhador, a reforma agrária, e controle do Estado sobre multinacionais. 

7. Guilherme Boulos (1982)

Guilherme Boulos

O candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) à Presidência da República nasceu em São Paulo em uma família de classe média com mais duas irmãs. Seus pais são médicos e eram professores na Universidade de São Paulo (USP). 

Aos dezoito anos ingressou na USP para estudar filosofia. Depois de graduado, realizou um mestrado na área de psiquiatria e chegou a dar aulas na rede pública. 

Guilherme Castro Boulos iniciou no campo político ainda adolescente, quando decidiu ingressar em um dos braços políticos do Partido Comunista Brasileiro. Depois, iniciou a militância no MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), do qual até hoje é um dos principais nomes a nível nacional. 

Apesar de estar a frente de um dos principais movimentos sociais do país, o candidato nunca exerceu nenhum cargo público, tendo feito seu nome especialmente devido à sua liderança no MTST e outras articulações políticas que realiza em prol de ideais majoritariamente esquerdistas, como o direito à habitação, a legalização do aborto, o direito das minorias e a proibição do porte de armas. 

Há dezoito anos na carreira pública, esta é a primeira vez que Boulos concorre à presidência do país.

8. Henrique Meirelles (1945) 

henrique meirelles

Filho de um advogado e de uma estilista, Henrique de Campos Meirelles nasceu em uma família com veia política, em Goiás. 

Mudou-se para São Paulo ainda adolescente para cursar engenharia civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Depois, ainda fez um MBA em administração na Universidade Federal do Rio. Sempre esteve ligado a movimentos estudantis. 

Iniciou a sua carreira no ramo financeiro em 1974, no Bank Boston, chegando à presidência mundial do banco americano. Em 2002, decidiu seguir os mesmos passos do avô e entrou para a carreira política, elegendo-se deputado federal por Goiás. Após, foi presidente do Banco Central na gestão Lula (2002-2010). Também foi ministro da fazenda de 2016 até este ano, 2018, quando afastou-se do Governo para tentar, pela primeira vez, a Presidência da República. 

Com uma carreira profissional voltada ao setor financeiro, seus ideais estão ligados a liberalidade econômica, controle rígido de contas públicas, e a menor intervenção do Estado na economia.     

9. Jair Bolsonaro (1955) 

jair bolsonaro

Nascido no interior de São Paulo, Jair Messias Bolsonaro cresceu em uma família com mais cinco irmãos. Sua mãe era dona de casa e o pai dentista prático, exercendo a profissão na cidade de Eldorado, em São Paulo, até que foi impedido pela justiça de atuar por não ter diploma. 

Aos vinte e oito anos formou-se em educação física pela Escola de Educação Física do Exército, e na época já servia como militar. Seu primeiro cargo público foi aos trinta e três anos de idade, em 1988, quando elegeu-se vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Após, já em 1990, foi eleito deputado federal pelo mesmo estado, cargo que exerce até hoje. 

Em termos políticos, é reconhecidamente um símbolo do espectro ideológico de direita, afirmando sua posição a favor do porte de armas, da religião como base política e contra tópicos como o aborto e os direitos da comunidade LGBT. Em seus trinta anos de carreira política, é a primeira vez que tenta eleger-se Presidente da República. 

Saiba mais sobre a biografia de Jair Bolsonaro através deste link.

10. João Amoêdo (1962) 

joao amoedo

João Dionísio Filgueira Barreto Amoêdo nasceu no Rio de Janeiro em uma família com mais duas irmãs, filhos de um médico radiologista e uma administradora de empresas. 

Aos dezoito anos, Amoêdo entrou para faculdade, cursando duas graduações ao mesmo tempo, engenharia civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e administração de empresas pela PUC-Rio, formando-se aos vinte e dois.  

Sua vida profissional começou mesmo aos vinte e três anos de idade quando, ao ser selecionado como trainee do banco Citibank, entrou para o setor financeiro, no qual permanece até hoje. A carreira de João Amoêdo conta com cargos de diretoria e conselhos de administração dos maiores bancos nacionais, como o Itaú. 

A ligação com a política foi uma iniciativa que o empresário teve com mais algumas dezenas de pessoas (a maioria do setor empresarial), para a fundação do Partido Novo, que surge com ideais mais voltados à direita, como o liberalismo econômico e a privatização de estatais. 

Amoêdo nunca tentou qualquer vaga no Executivo brasileiro e, portanto, esta é a primeira vez se candidata à Presidência da República.

11. José Eymael (1939) 

jose eymael

Nascido em Porto Alegre em uma família com mais sete irmãos, José Maria Eymael, o candidato da Democracia Cristã (DC) à Presidência da República é filho de um servidor público e uma professora de ensino primário. 

Começou a trabalhar ainda criança, aos doze anos de idade, com tipografia. Quando jovem, fez parte de movimentos estudantis e com vinte e três anos filiou-se ao Partido Democrata Cristão, que sempre fez questão de associar-se em suas campanhas eleitorais. 

O candidato é formado em direito e filosofia pela PUC-RS e trabalhou profissionalmente por muitos anos como advogado em São Paulo, para onde migrou em 1964, quando tinha vinte e cinco anos de idade. 

Em 1985, aos quarenta e seis anos, Eymael tentou pela primeira vez um cargo público, na prefeitura de São Paulo. Não foi eleito, mas com a popularidade do jingle de sua campanha ("Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão...") conseguiu eleger-se no ano seguinte como deputado federal. Ficou assim por dois mandatos. 

Após, Eymael tentou a candidatura à Presidência da República mais quatro vezes (1998, 2006, 2010 e 2014), sem sucesso. Com ideias conservadores como a restrição do casamento homoafetivo e descriminalização de drogas, em 2018 Eymael tenta pela quinta vez o posto de presidente do Brasil. 

12. Marina Silva (1958)

marina silva

Nascida na capital do Acre, Rio Branco, Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima foi criada com mais oito irmãos pelo pai, seringueiro, e a mãe, dona de casa. Trabalhava quando jovem também como seu pai, extraindo latéx. 

Devido a problemas de saúde, mudou-se do interior para a área urbana de Rio Branco, onde tratava-se de hepatite, malária e leishmaniose, estudava e trabalhava como empregada doméstica. Aprendeu a ler e escrever com dezesseis anos de idade e depois graduou-se em História aos vinte e seis anos, pela Universidade Federal do Acre. Chegou a se especializar também em teoria psicanalítica pela Universidade de Brasília (UnB), e outra em psicopedagogia na Universidade Católica de Brasília (UCB).

Entrou na política por influência de Chico Mendes, fundando com ele Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre, quando tinha vinte e sete anos, em 1985. A primeira eleição que participou foi em 1986, tentando o pleito de deputada federal, sem sucesso. Posteriormente elegeu-se vereadora em 1989 e deputada estadual em 1991. Foi também a senadora mais jovem da República, aos trinta e seis anos, eleita em 1994 pelo Acre. 

Com ideias ligadas à preservação ambiental, foi Ministra do Meio Ambiente no Governo Lula entre 2002 e 2008. Após, disputou por duas vezes a corrida pela presidência do Brasil, em 2010 e 2014, tendo ficado em terceiro lugar. Agora Marina tenta pela terceira vez a candidatura.

Saiba mais sobre a trajetória de Marina Silva lendo a sua biografia completa.

13. Vera Lúcia (1967)

vera lucia

Nascida no Pernambuco em uma família com mais sete irmãos, Vera Lúcia Pereira da Silva Salgado é filha de um agricultor e uma bordadeira. 

Migrou com a família para a capital do Sergipe ainda criança, e passou a trabalhar aos catorze anos de idade, como garçonete. Quando conseguiu o emprego em uma indústria de calçados, tornou-se militante sindical e este foi o seu primeiro contato com a política. 

Recentemente, em 2016, aos quarenta e nove anos, Vera formou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Sergipe. 

Como parte do movimento sindicalista, tentou ser eleita como deputada federal e prefeita em Aracaju nos anos de 2004, 2008 e 2012, sem sucesso. Agora, filiada ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), com ideias de extrema esquerda como o poder total pelas mãos dos trabalhadores, a reforma agrária e o fim da propriedade privada, tenta pela primeira vez o posto de presidente do Brasil.