Francisco Cardoso Ayres

Religioso brasileiro
Por Dilva Frazão

Biografia de Francisco Cardoso Ayres

Francisco Cardoso Ayres (1821-1870) foi um religioso brasileiro. Foi nomeado Bispo da cidade de Olinda, pelo Papa Pio IX em abril de 1867.

Francisco Cardoso Ayres nasceu na freguesia de São Pedro Gonçalves, no Recife, Pernambuco, no dia 18 de dezembro de 1821. Era filho do capitão português, João Cardoso Ayres e da brasileira Maria Cardoso Vivas.

Desde cedo passou a trabalhar na livraria da família, localizada na atual Avenida Marquês de Olinda, no centro da cidade do Recife

Em 1831, mudou-se com os pais para Lisboa, onde iniciou seus estudos de humanidades, que seriam continuados após sua volta ao Recife, em 1837.

Com vinte anos de idade, Francisco entendeu que sua vocação não era o comércio, mas para os estudos, sobretudo os religiosos.

Estudos em Roma

Em 1841 Francisco Cardoso partiu para a Europa. Em Roma recebeu orientação de D. Antônio Rosmine Sebatti, que o convenceu a entrar para a vida religiosa.

Depois de passar dois anos estudando na Universidade da Sapiência, em Roma, ingressou no Instituto de Caridade, continuando seus estudos teológicos em Stressa, no Piemonte.

Ordenação na Inglaterra

Como religioso foi levado por seu superior, o Padre Pagani, a estudar e trabalhar na Inglaterra, recebendo as dignidades eclesiásticas de diácono e presbítero.

No dia 5 de junho de 1852 foi ordenado sacerdote, quando rezou sua primeira missa em Birmingham.

Bispo de Olinda

Realizando trabalhos na Inglaterra e em Piemonte, na Itália, D. Francisco Cardoso Ayres ganhou fama e prestígio, sendo designado pelo Papa Pio IX para Bispo de Olinda, Pernambuco, no dia 6 de abril de 1867, com 46 anos.

Mesmo temendo a responsabilidade da nova missão começou o caminho de volta para sua terra natal.

D. Francisco saiu de Roma no dia 14 de abril de 1868 e visitou vários lugares santos da Itália, França e Portugal. Saiu de Lisboa em 13 de junho e chegou em Olinda no dia 2 de agosto de 1868.

A condução da diocese não foi fácil, procurou não se envolver com os partidos que disputavam o poder em Pernambuco, província onde as diversidades ideológicas e políticas, provocavam inúmeras revoltas.

Pernambuco era uma província onde a riqueza e o poder se concentrava nas mãos de famílias que haviam conquistado a terra e implantado engenhos e fazendas desde o período colonial.

As ideias liberais e maçônicas tinham grande influência tanto na elite leiga quanto na religiosa, sendo numerosos os padres maçons e irmandades religiosas onde participavam "pedreiros livres".

O Papa Pio IX era autoritário e procurava interferir nos poderes do Estado, nas questões religiosas, o que ocasionava desentendimentos entre o Trono e o Altar.

D. Francisco tomou medidas para fortalecer o poder da Igreja e iniciou uma reforma no famoso Seminário de Olinda, fundado pelo bispo Azeredo Coutinho.

D. Francisco determinou que o clero fizesse retiro espiritual todos os dias no Convento de São Francisco, com a leitura, por padres estrangeiros de textos sagrados.

A ala do clero nacional sentiu-se diminuída pelo destaque dado aos estrangeiros e pelo rigor com que o retiro foi conduzido, fato que deu margens a grandes debates na imprensa.

A atitude que mais chocou a população foi quando o bispo negou sepultura, em lugar sagrado do cemitério, ao corpo do famoso general Abreu e Lima, figura polêmica na região.

Na ocasião, os ingleses possuíam um cemitério próprio, no Recife, e abriram os portões para o sepultamento do general.

Retorno à Europa

Em 1869, o Bispo voltou a Roma, a fim de participar do Concílio promovido pela Santa Sé, que reforçaria posições conservadoras, estabelecendo dogmas como a da Imaculada Conceição

Estabelecido em Roma, no Colégio Filipino, era frequentador assíduo das reuniões conciliares.

Francisco Cardoso Ayres, acometido de uma doença súbita, faleceu em Roma, no dia 14 de maio de 1870. Foi sepultado na Capela dos padres da Caridade, ordem a qual pertencia.

No Recife, em sua homenagem, uma rua foi nomeada Bispo Cardoso Ayres. Em 1970, o padre Teodoro Huckelmann escreveu uma biografia do bispo Francisco Cardoso Aires.

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.
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