Marco Aurélio Rodrigues Dias

Pintor e escritor brasileiro

Biografia de Marco Aurélio Rodrigues Dias

Marco Aurélio Rodrigues Dias (1952) pintor e escritor brasileiro.

Marco Aurélio Rodrigues Dias (1952) nasceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de junho de 1952. Filho de João Batista Rodrigues Dias, músico e pintor, e de Jandyra Carvalho Dias. Herdou do pai o gosto pelas artes. Desde criança gostava de ir para as igrejas admirar as pinturas. Fazia retiro, jejuns e orações. Fazia doação de alimentos e roupas para os pobres. Procurou o seminário de Guaratinguetá, com 17 anos, mas desistiu pois só se interessava em estudar filosofia e teologia.

Iniciou-se na pintura em 1972. Logo descobriu que podia trocar as telas que pintava, por material para realizar novos trabalhos. Era grande admirador de Van Gogh. Em 1978, participou de um concurso de desenho promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro, obtendo o terceiro lugar, recebendo a medalha de bronze, concedida pela Divisão de Parques e Jardins.

Em 1980, mudou-se para São Lourenço, estância hidromineral no Sul do Estado de Minas Gerais e passou a viver exclusivamente de seu trabalho artístico, devotando boa parte de sua obra a temas religiosos, como a exaltação de Nhá Chica e do Padre Vítor - primeiro sacerdote negro ordenado pela igreja católica brasileira, em meados de 1850. Ambos, admirados pela devoção popular da região.

A obra de Marco Aurélio e a vida de Nhá Chica estão muito ligadas. Esta aparece em diversas telas e várias situações. Alta, morena e bonita, Francisca de Paula de Jesus Isabel nasceu em São João Del Rei, Minas Gerais, em 1810, ficou órfã aos dez anos e dedicou a vida a orar pelos doentes e a ajudar os necessitados, ficando célebre por atender pedidos para achar bois, novilhas ou cavalos perdidos. Conta-se ainda que ela evitava tremores de terra, levitava sobre laranjeiras quando colhia frutos para os pobres, conversava com a Imaculada Conceição, a quem chamava de Sinhá e realizava curas. Esses milagres levaram a Diocese de Campanha em Minas Gerais, a solicitar ao Vaticano a sua beatificação.

Em 1996, iniciou a construção de uma capela para Nhá Chica, hoje incluída nos roteiros turísticos que incluem o Sul do Estado de Minas Gerais. Na capela, Marco Aurélio vende os seus trabalhos, que podem ser inseridos na chamada Arte Naif ou Arte Primitiva Moderna, que retratam pinturas ingênuas, pela espontaneidade com que são pintadas.

O artista revela não acreditar em retoques ou numa concepção racional da arte. Sua característica mais marcante é justamente colocar nas telas a forma primeira como as ideias vêm à sua mente. Se inicialmente, ele pintava casarios bonitos e comportados dentro de uma tradição que valoriza o belo em si mesmo, pouco a pouco passa a fazer traços mais arrojados, que buscam preservar a inspiração no estado mais primitivo possível, ou seja, com o máximo de autenticidade.

As imagens de Nhá Chica e do Padre Vítor, como também as de Lázaro de Freitas (portador de hanseníase da região que, após falecer nos anos 1950, adquiriu fama de realizar milagres, como curas de doenças de pele), e de telas em que eles aparecem juntos ou com divindades como a Imaculada Conceição, revelam o estilo inconfundível de Marco Auréllio. Suas pinceladas espessas, cores geralmente escuras e imagens de cunho religioso compõem um conjunto muito significativo não só do imaginário religioso do Sul de Minas, mas também dos elos entre a pintura e a escultura autodidata.

A capela que o artista construiu em São Lourenço, lembra o expressionismo alemão, especificamente em relação à pintura. As telas de Marco Aurélio merecem plena atenção pelo talento na criação de atmosferas plenas de misticismo. Quando ele elogia as crianças famintas nordestinas e os carregadores de café de Portinari ou a liberdade criadora de Picasso, oferece as pistas do que há de melhor em seus trabalhos: a miséria do povo, o sofrimento de santos de cunho popular e a inexistência de limites para a sua criação.

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Última atualização: 03/01/2013