Quem são as pessoas mais ricas do Brasil em 2020

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Os números são impressionantes: existem 45 bilionários no Brasil de acordo com uma pesquisa realizada em 2020 pela revista Forbes. Juntos, eles reúnem uma fortuna estimada em 127,1 bilhões de dólares. 

Banqueiros, investidores e empresários, muitos nomes dessa lista são pouco conhecidos da maior parte das pessoas embora grande parte das instituições que ajudaram a criar façam parte do nosso dia-a-dia.

1. Joseph Safra é o homem mais rico do Brasil

Fortuna estimada em 2020: 19,9 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 39
Área onde fez fortuna: setor bancário (banco Safra)
Formação: não divulgada

Joseph Safra (1938) é o maior banqueiro do mundo, dono de uma instituição bancária que leva o sobrenome da sua família. O banco foi herdado do pai, o libanês Jacob Safra (1891-1963), que imigrou para o Brasil tendo fundado a instituição em 1955. Apesar de ter sido criado pelo pai, o negócio prosperou também na mão do filho.

Além do banco, a família conta com uma série de investimentos imobiliários em grandes cidades do mundo. Safra também é proprietário da empresa americana Chiquita, uma das maiores produtoras de banana do planeta.

Em termos sociais, Joseph Safra foi um dos principais doadores de dois enormes hospitais de São Paulo (o Albert Einstein e o Sírio-Libanês). Ele também adquiriu esculturas de Rodan que doou para a Pinacoteca de São Paulo além de ter comprado o manuscrito original da Teoria da Relatividade (de Albert Einstein) que doou para o Museu de Israel (em Jerusalém).

Joseph Safra vive numa mansão no bairro do Morumbi, em São Paulo.

2. Jorge Paulo Lemann

Fortuna estimada em 2020: 10,4 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 129
Área onde fez fortuna: mercado financeiro
Formação: economia (Universidade de Harvard)

Jorge Paulo Lemann (1939) tem uma grande participação no fundo de investimento 3G Capital, que possui a AB-InBev (que controla a cervejaria Ambev, a maior cervejaria do mundo), a Kraft Heinz (marca de molhos) e a Restaurant Brands International (proprietária da rede Burguer King). Lemann também é acionista de fundos de investimentos que estão a frente das Lojas Americanas e Submarino.

O carioca de origem suíça vem de uma família de empreendedores de sucesso. O seu pai criou a fábrica de laticínios Leco, que foi a segunda maior empresa de laticínios do Estado de São Paulo e chegando a ser posteriormente comprada pela Vigor.

Jorge Paulo Lemann é formado em Economia pela Universidade de Harvard (1961) e entrou para o ranking dos bilionários brasileiros pela primeira vez em 2004.

3. Eduardo Saverin 

Fortuna estimada em 2020: 8,4 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 161
Área onde fez fortuna: setor tecnológico (Facebook)
Formação: economia (Universidade de Harvard)

O paulista Eduardo Luiz Saverin (1982) é o nome mais jovem dessa lista e entrou nela por ter sido cofundador do Facebook, a maior rede social do mundo. 

Os pais de Saverin, brasileiros, se mudaram para Miami e o filho foi criado no sul da Flórida.

Foi durante a graduação em Economia, cursada em Harvard, que Eduardo conheceu Mark Zuckerberg e levaram a frente o projeto do Facebook. Até hoje Saverin é um dos maiores acionistas individuais detendo 2% da empresa. 

Saverin também é cofundador da B Capital, uma empresa de investimentos, baseada em Singapura, criada em 2015, que investe em startups.

Conheça a biografia completa de Eduardo Saverin.

4. Marcel Herrmann Telles 

Fortuna estimada em 2020: 6,5 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 230
Área onde fez fortuna: mercado financeiro
Formação: economia (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Sócio da AB InBev, maior cervejaria do mundo, o carioca Marcel Hermann Telles (1950) começou a carreira aos 22 anos no mercado financeiro trabalhando no banco Garantia (fundado por Jorge Paulo Lemann).

O banco onde inicialmente trabalhava comprou em 1982 a rede Lojas Americanas e Marcel virou o chefe de transações.

Com o passar do tempo, Herrmann Telles se tornou amigo e sócio do chefe - Jorge Paulo. Os dois formaram uma parceria com um terceiro amigo, Carlos Alberto Sicupira, que também figura na lista de bilionários do Brasil. Em 1989 o grupo fez outra grande aquisição: a cervejaria Brahma.

Marcel Herrmann Telles faz parte do grupo 3G Capital que, além da cervejaria, também tem a B2W (Americanas e Submarino) e a Kraft Heinz.

Os três sócios - Jorge Paulo, Marcel e Carlos Alberto - são também criadores da Fundação Estudar, um projeto filantrópico que incentiva jovens a estudarem em instituições de topo.

5. Carlos Alberto Sicupira 

Fortuna estimada em 2020: 4,8 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 349
Área onde fez fortuna: mercado financeiro
Formação: administração (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Filho de um funcionário do Banco do Brasil com uma dona de casa, Carlos Alberto Sicupira (1948) é formado em administração pela UFRJ e é sócio de longa data de Marcel Herrmann Telles e Jorge Paulo Lemann. 

Carlos começou a fazer dinheiro quando ainda era adolescente e vendia carros usados ao lado de um amigo. De lá para o posto de quinto homem mais rico do Brasil houve uma longa caminhada, grande parte dela feita ao lado de Marcel e Jorge Paulo. 

Beto Sicupira, como é conhecido, foi apresentado ao sócio Lemann quando praticava pesca submarina e logo começaram a trabalhar juntos no setor bancário.

O trio está à frente da 3G Capital e de empresas importantes como a B2W (Americanas e Submarino) e a Kraft Heinz.

6. Alexandre Behring 

Fortuna estimada em 2020: 4,3 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 414
Área onde fez fortuna: mercado financeiro
Formação: engenharia eletrônica (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

Também envolvido com o grupo 3G Capital sendo um sócio importante, Alexandre Behring (1967) trabalha ao lado de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.

Alexandre e Beto trabalham juntos desde a década de 1990. Atualmente Behring, que é formado em engenharia eletrônica pela PUC-Rio, é presidente do conselho de administração da Kraft Heinz.

O primeiro passo importante que deu na carreira foi no ano de 1988, quando virou sócio da Modus OSI Tecnologias, que prestava serviço para uma série de bancos. 

Apesar de ter alcançado o sucesso cedo, Alexandre vendeu a sua parcela no negócio para ir cursar um MBA na Harvard Business School tendo ido depois estagiar no banco Goldman Sachs. 

Alexandre assistiu a uma palestra de Sicupira em Harvard e o empresário ouviu de um professor elogios ao estudante brasileiro. Sicupira então convenceu Alexandre a se tornar analista no seu GP Investiments e, no ano a seguir, se tornou sócio.

7. Luciano Hang 

Fortuna estimada em 2020: 3,6 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 514
Área onde fez fortuna: empresário (loja de departamento Havan)
Formação: processamento de dados (Universidade Regional de Blumenau)

Luciano Hang (1962) deu os primeiros passos no mundo dos negócios com uma loja em Brusque, uma pequena cidade no interior de Santa Catarina. 

O empresário foi crescendo no mundo dos negócios e já possui uma agência de viagem, uma administradora de imóveis, um hotel, pequenas hidrelétricas além da rede de lojas de departamentos Havan (que atualmente conta com 149 filiais).

A Havan foi fundada em 1986 e hoje emprega mais de 15.000 pessoas. As filiais da loja estão situadas principalmente em pequenas e médias cidades do Brasil.

8. Dulce Pugliese é a mulher mais rica do Brasil

Fortuna estimada em 2020: 3,5 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 538
Área onde fez fortuna: setor da saúde (Amil)
Formação: medicina (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Dulce Pugliese de Godoy Bueno (1948) foi casada com Edson de Godoy Bueno, que faleceu em fevereiro de 2017, vítima de um infarto fulminante aos 73 anos. 

Juntos, os dois médicos fundaram uma empresa de assistência médica, a Casa de Saúde São José, em 1972, no município de Duque de Caxias (Rio de Janeiro). Nos anos seguintes incorporaram outras instituições médicas até fundarem, em 1978, a Amil Assistência Médica Internacional.

A Amil chegou a ser a maior seguradora de saúde da América Latina.  Em 2012, 90% da empresa foi adquirida pelo grupo norte americano United Health Group por 4.9 bilhões de dólares.

Além da Amil, Dulce também obtém rendimentos da Dasa, uma cadeia de diagnósticos laboratoriais. A médica é dona de 48% da instituição.

9. Miguel Krigsner

Fortuna estimada em 2020: 3,4 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 565
Área onde fez fortuna: empresário da área dos cosméticos (Boticário)
Formação: farmácia bioquímica (Universidade Federal do Paraná)

Em 1977, já formado em farmácia, Miguel Krigsner (1950) fundou o Boticário, que viria a se tornar uma enorme rede multinacional. 

O primeiro negócio de Miguel foi uma pequena farmácia de bairro em Curitiba, cidade para onde a família se mudou quando o menino tinha apenas 11 anos. Os pais, judeus, fugiam de uma Europa nazista e encontraram abrigo na Bolívia, onde Miguel nasceu.

Mais tarde, já em Curitiba, o pai de Miguel abriu uma loja de roupas, de confecção. Foi na cidade do sul do Brasil que Miguel estudou, se formou na universidade e abriu o seu primeiro negócio.

Na farmácia local, mais afastada do centro da cidade, Miguel fazia fórmulas receitadas por dermatologistas, mas também inventava produtos cosméticos, que vendia para as clientes no balcão quando elas iam buscar as suas encomendas.

O negócio, que começou na farmácia, foi escalando e ganhando cada vez mais fãs até Miguel abrir a sua primeira filial, no aeroporto.

Até hoje a sede do Boticário e a maior fábrica da rede estão instaladas na capital do Paraná. O Boticário chegou a ser a segunda maior empresa de cosméticos do hemisfério sul.

10. André Esteves

Fortuna estimada em 2020: 2,9 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 712
Área onde fez fortuna: setor bancário
Formação: ciência da computação e matemática (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

André Esteves (1968) é um dos nomes a frente do banco de investimentos BTG Pactual, um banco de investimentos. O BTG chegou a ter participações importantes em empresas como a Rede D'Or, a Editora Abril e a PetroÁfrica.

Criado numa família de classe média na Tijuca, bairro situado na Zona Norte do Rio de Janeiro, André Esteves se formou em matemática e fez uma especialização em informática.

Ainda muito cedo, André entrou no mercado financeiro e foi contratado pelo banco Pactual em 1989, no princípio da carreira. 

O matemático foi crescendo dentro da instituição e fez fortuna no setor bancário chegando a comprar o banco onde trabalhou em parceria com outros dois sócios. 

Recentemente o banqueiro teve o seu nome envolvido em uma série de investigações da Lava-Jato e chegou mesmo a ser preso, durante 23 dias, no presídio de Bangu, no Rio de Janeiro, acusado de obstrução da justiça. 

Afastado do banco durante algum tempo, André retornou ao cargo de controlador do BTG Pactual depois de ter sido absolvido, em dezembro de 2018.

11. Abilio dos Santos Diniz

Fortuna estimada em 2020: 2,3 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 908
Área onde fez fortuna: empresário (Grupo Pão de Açúcar e Carrefour)
Formação: administração de empresas (Fundação Getúlio Vargas)

O pai de Abilio Diniz, Valentim Diniz, um imigrante português, fundou em 1959 o primeiro empreendimento do Grupo Pão de Açúcar, com a ajuda do filho Abilio Diniz (1936). A loja, que era inicialmente uma doceria, deu origem a um supermercado e foi crescendo com novas filiais. Em menos de dez anos, a rede já tinha mais de 40 lojas. 

Seguindo o movimento de expansão, o grupo se juntou com as Casas Bahia e o Ponto Frio. Em 1990 o empresário fez uma parceria com o grupo francês Casino.

Em 2006 o empresário fundou a Península Participações, uma empresa de investimento privado onde atua como presidente do Conselho de Administração. Foi através da Península que foi adquirindo ações do grupo Carrefour tanto a nível nacional quanto global. 

Por ser um dos maiores acionistas da rede Carrefour global, Abilio Diniz possui um lugar no conselho de administração da companhia. 

12. Joesley Batista

Fortuna estimada em 2020: 2,1 bilhões de dólares
Posição no ranking mundial: 1001
Área onde fez fortuna: empresário (indústria da carne)
Formação: nunca completou o ensino médio

A história de Joesley Batista (1972) começou com o pai, José Batista Sobrinho que, em 1953, abriu uma pequena loja voltada para a venda de carnes na região de Anápolis (Goiás). O negócio local vendia carne para empreiteiras que faziam as obras de Brasília, no final dos anos 50.

Aos 16 anos, Joesley se tornou gerente de um frigorífico que reunia 130 funcionários. No ano a seguir, virou diretor geral e foi crescendo dentro da empresa.

A Friboi até metade dos anos 2000 era dona dos maiores frigoríficos do Brasil (o Anglo, o Bordon e a Swift Armour). Em 2007 mudou de nome - virou grupo JBS - abriu o capital da empresa e fez a primeira grande compra em 2007 adquirindo a internacional Swift por 1.5 bilhão de dólares. Mais tarde, a empresa também comprou outros negócios importantes como a Smithfield Beef Group.

Foi em grande parte com dinheiro estatal que a JBS se expandiu internacionalmente. A JBS também mantem participações importantes nas empresas Vigor, Alpargatas, Banco Original e Flora.

Investigados pela justiça, tanto Joesley quanto o irmão optaram por um acordo de delação premiada.

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).