Ruy Coelho

Compositor português
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Ruy Coelho

Ruy Coelho (1889-1986) foi um dos mais importantes compositores portugueses de música erudita. Escreveu, em 1912, o primeiro bailado português, "Princesa dos Sapatos de Ferro", e o primeiro "lied" português "Oh Virgem que Passais ao Sol Poente!". Foi também pianista, maestro e professor

Ruy Coelho nasceu em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, Portugal, no dia 03 de março de 1889. Desde muito novo revelou notáveis dotes musicais e tocava em uma banda filarmônica de sua cidade.

Formação

Entre 1904 e 1909, Ruy Coelho estudou no Conservatório Nacional de Lisboa com Rey Colaço, Frederico Guimarães, Tomás Borba e Antônio Eduardo da Costa Ferreira, entre outros.

De 1910 a 1913 estudou em Berlim com Humperdinck, Schönberg e Max Bruch (regência de orquestra). Foi também em Berlim que compôs as suas primeiras obras. Posteriormente estudou em Paris com Paul Vidal.

Primeiras obras

  • Princesa dos Sapatos de Ferro (1912) – o primeiro bailado português,
  • Oh Virgem Que Passais ao Sol Poente – o primeiro lied português, com soneto de António Nobre,
  • Sonata n.º 1 Para Piano e Violino – a primeira obra de câmara portuguesa com escrita harmônica e moderna,
  • Sinfonia Camoneana n.º1 – a primeira obra portuguesa que empregou o dodecafonismo, a politonalidade e a atonalidade.

Apresentações e prêmio

Em 1913, já em Lisboa, apresenta-se no Teatro São Carlos, numa récita de gala, tocando órgão, integrando o maior conjunto coral sinfônico, formado até então em Portugal.

No mesmo ano, apresenta-se no Teatro São Carlos com a ópera O Serão da Infanta, a primeira ópera portuguesa cantada em português.

Depois de várias apresentações em Portugal, Ruy Coelho viajou para o Brasil, onde permaneceu entre 1919 e 1922 e realizou diversas apresentações de suas obras.

Em 1924 conquistou o 1.º prêmio do Concurso Nacional de Música da Espanha com a ópera Belkiss.

Características

Ruy Coelho foi um impressionista, nacionalista, neoclássico, expressionista, lírico, dodecafonista, dramático, populista, tudo isso, ao longo da sua atividade de compositor, foi dado pela sua própria música, e nunca por qualquer especulação de teorias extramusicais.

Utilizou, em muitas de suas obras, os temas identificados com o imaginário nacionalista, como as Cinco Sinfonias Camoneanas, as Óperas sobre textos de Gil Vicente e a Ópera D. João IV, composta em 1940 para as comemorações centenárias da Independência de Portugal, com libreto do poeta João da Silva Tavares.

Ruy Coelho nunca se submeteu à imitação de estilos e de formas de outros compositores. Acima de tudo defendeu e praticou sempre a livre concepção e realização das suas obras.

Compositor pianista e maestro

Autor de uma vasta obra: óperas, sinfonias, concertos, música coral sinfônica, música de câmara, lieder, música religiosa, bailado, obras para piano e música de filmes, é também o autor do Hino da Cidade de Lisboa e do famoso Fado de Coimbra O Beijo, com poema de Afonso Lopes Vieira. Foi também pianista e maestro ilustre.

Além de orquestras nacionais, dirigiu entre outras a orquestra Filarmônica de Berlim, orquestra Sinfônica de Paris, orquestra da Rádio da Espanha, em Madrid, orquestra da Suisse Romande e as orquestras Sinfônicas do Rio de Janeiro e de S. Paulo.

As suas obras foram interpretadas por grandes nomes da música, como, os pianistas Lourenço Varella Cid, Nina Marques Pereira, Grazi Barbosa, Nela Maissa, Campos Coelho e Aline van Barentzen, o violinista Vasco Barbosa, e os Maestros Silva Pereira, Frederico de Freitas, Pedro de Freitas Branco, Lassalle, Clemens Kraus, Benda, George Hurst e Stanford Robinson entre outros.

Ruy Coelho faleceu em Lisboa, Portugal, no dia 05 de maio de 1986.

Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
Veja também as biografias de: