A biografia dos 12 maiores ícones femininos da História

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Essas mulheres definitivamente mudaram os rumos da história: cientistas, escritoras, filósofas, ativistas, políticas, cada uma contribuiu ao seu modo e em uma parte distinta do globo.

Vivemos nos dias de hoje a nossa tão sonhada independência graças à elas e as suas conquistas, que na época pareciam impensáveis. Relembre agora as biografias de 12 grandes ícones femininos.

1. Marie Curie (1867-1934), cientista polonesa

Marie Curie

A cientista polonesa Marie Curie (1867-1934) é um orgulho para nós mulheres. Pioneira, ela quebrou diversas barreiras: foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Física, a primeira personalidade que recebeu duas vezes o Prêmio Nobel (o segundo na área da química) e foi a primeira mulher a lecionar na Sorbonne.

Com uma infância modesta, Marie (que na verdade chamava-se Manya Sklodowska) começou a trabalhar cedo para a ajudar a família. Brilhante aluna, ela ganhou uma série de prêmios na escola.

Com muito sacrifício pessoal, Marie conseguiu ir estudar na Sorbonne. Foi lá que conheceu Pierre Curie, um cientista que viria a se tornar seu futuro marido. Juntos, eles levaram a frente uma série de estudos sobre radioatividade de importância ímpar para a academia.

Conheça a trajetória de Marie Curie, uma brilhante cientista.

2. Cleópatra (69-30 a.C.), rainha egípcia

Cleopatra

Quem nunca ouviu falar de Cleópatra (69-30 a.C.)? A rainha do Egito foi a última soberana da dinastia dos Ptolomeus e ganhou poder após a morte do seu pai.

Muita gente sabe que a sedutora moça foi amante de Júlio César e Marco Antônio, mas o que pouca gente sabe é que ela conhecia profundamente poesia grega, matemática, filosofia e sabia falar nove línguas.

Cleópatra não se deixava intimidar pelos homens poderosos que a rodeavam e tomava a frente quando o assunto era negociar com outros povos.

Se é fã de história não perca a oportunidade de conhecer a biografia completa de Cleópatra.

3. Rosa Parks (1913-2005), ativista norte-americana

Rosa Parks

O nome de Rosa Parks infelizmente não é muito conhecido entre os brasileiros, o que é uma pena (mas aqui estamos nós para tentar corrigir essa lacuna).

A ativista do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos ficou conhecida depois de se recusar a ceder o seu assento no ônibus a um branco. Corajosa, ela defendeu o seu ideal pela igualdade até o final e chegou a ser inclusive levada à prisão por lutar pelo que acreditava. 

O pequeno bravo gesto de Rosa deu início a uma verdadeira revolução. Foi (também) graças à ela que os protestos contra o preconceito racial ganharam força e, no dia 13 de novembro de 1956, a Suprema corte decretou como inconstitucionais as leis de segregação.

Rosa ficou tão reconhecida que chegou a ser chamada de "mãe do movimento dos direitos civis".

Gostou de saber da conquista encabeçada pela ativista? Então saiba mais sobre a trajetória de Rosa Parks.

4. Anne Frank (1929-1945), escritora alemã 

Anne Frank

Vítima do Holocausto, Anne Frank deixou o mundo quando tinha apenas 15 anos. Judia, ela morreu no terrível campo de concentração Bergen-Belsen, na Alemanha.

Mas antes de deixar o mundo Anne Frank relatou os horrores que viveu com a ocupação nazista e eternizou a sua experiência e a da sua família em um diário que transcendeu gerações. Sua obra foi publicada postumamente pelo pai, um sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz.

Conheça mais sobre o percurso de Anne Frank.

5. Indira Gandhi (1917-1984), política indiana

Indira Gandhi

Sabia que a Índia já teve uma primeira-ministra mulher? Indira Gandhi ocupou o cargo de chefe do governo duas vezes: a primeira entre 1966 e 1977 e a segunda entre 1980 e 1984.

Filha de político, Indira teve o privilégio de estudar em escolas na Suíça e se formou em Administração Pública pela Universidade de Oxford (Inglaterra).

Em 1939, entrou para a política e começou a militar pelo movimento da independência da Índia, tendo inclusive sido presa (por mais de um ano!). É de sua autoria a seguinte constatação:

Fui uma das primeiras mulheres emancipadas, antes que a coisa se transformasse em moda. Tive que lutar por tudo que conquistei.

Antes de se tornar primeira-ministra fez parte do conselho executivo do Partido do Congresso Nacional e veio a se tornar presidente do partido.

Um pouco depois, foi nomeada Ministra da Informação e Radiodifusão e a seguir, tornou-se a primeira mulher a comandar o governo.

Durante o seu mandato, importantes conquistas foram alcançadas: o país se desenvolveu, houve um aumento significativo na produção industrial e de alimentos. A Índia indiscutivelmente se modernizou.

Gostou de saber um pouco sobre a pioneira líder? Aprofunde mais os seus conhecimentos descobrindo a biografia de Indira Gandhi.

6. Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora francesa

Simone de Beauvoir

Considerada um ícone do feminismo e do existencialismo, Simone de Beauvoir escreveu seu nome na história da filosofia, um campo de estudo predominantemente masculino.

Seu livro O Segundo Sexo é de fundamental importância para o movimento feminista e foi essencial para estimular o debate sobre a opressão que a mulher vivia na sociedade.

Vanguardista em uma França conservadora, Simone de Beauvoir pregava, acima de tudo, que a mulher tivesse independência.

Figura polêmica, a escritora também ficou conhecida pelo relacionamento longo e complexo que manteve com o filósofo Jean-Paul Sartre.

Conheça mais sobre essa interessantíssima e fundamental intelectual, descubra a biografia de Simone de Beauvoir.

7. Malala Yousafzai (1997), militante paquistanesa

Malala

Para quem pensa que a luta pelas mulheres acabou há muito tempo atrás, essa jovem está aqui para provar que (infelizmente) ainda temos muitas batalhas pela frente.

Malala Yousafzai (1997) foi a personalidade mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz. "O que ela fez para alcançar esse feito?", você deve estar se perguntando. Malala defendeu com unhas e dentes o direito das meninas irem para a escola em um Paquistão profundamente misógino.

Em um país onde as mulheres são coagidas a casarem cedo e a terem filhos o quanto antes (acredite, é comum ver meninas grávidas aos 14 anos), Malala se diferenciou da maioria e foi estimulada pela família a estudar (o pai da menina era dono de uma escola). 

Com apenas 11 anos, Malala começou a escrever um blog onde defendia a tese de que as meninas deveriam frequentar a escola. Pela sua postura idealista, começou a receber uma série de ameaças de morte.

Aos 15 anos, Malala foi reconhecida por um membro do Talibã que disparou contra ela três vezes. Todos os tiros atingiram a cabeça. Felizmente, a garota foi socorrida e levada para a Inglaterra, onde recebeu exílio.

Malala continua na luta em defesa da educação até os dias de hoje, é dela a frase:

Nossos livros e canetas são as armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. Educação é a única solução.

Leia a biografia completa de Malala Yousafzai.

8. Virginia Woolf (1882-1941), escritora inglesa

Virginia Woolf

Por falar em mulheres de fibra, essa lista não estaria completa se não tivesse o nome de Virginia Woolf (1882-1941). A escritora inglesa foi dos grandes nomes da literatura ocidental e se destacou como uma das maiores autoras modernistas do século XX.

Virginia usava seus livros para divulgar uma série de lutas feministas e questionava abertamente posturas políticas e sociais do seu tempo.

O primeiro romance da autora foi publicado em 1912. Além de escrever, Virginia também editava e fundou junto com o marido a editora Hogarth Press (que descobriu talentos como T.S. Eliot e Katherine Mansfield).

A fama do grande público veio com a publicação de Mrs.Dalloway (1925), que projetou a sua crítica contra a sociedade que oprimia e não estimulava intelectualmente as mulheres.

Se é apaixonado por literatura não pode perder a leitura da biografia completa de Virginia Woolf.

9. Angela Merkel (1954), política alemã

Angela Merkel

Angela Merkel (1954) é uma peça chave na política da União Europeia. Chanceler da República Federal da Alemanha desde 2005, ela é também presidente do partido União Democrata-Cristã.

Filha de um pastor, desde sempre Angela lutou por ideais socialistas, tendo militado quando jovem pela Juventude Livre Alemã.

Formada em Física na Universidade de Leipzig (1978), Angela defendeu o doutorado na área em 1986.

Em dezembro de 1990, Merkel alcançou seu primeiro cargo público, tendo sido eleita para o Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento Alemão). No ano a seguir, virou ministra da Juventude e Família. Um pouco depois, tornou-se ministra do Meio Ambiente.

O auge da carreira aconteceu no dia 22 de novembro de 2005, quando Merkel venceu as eleições e se tornou a primeira mulher a chefiar o governo da Alemanha.

Angela quebrou também outra barreira: ela foi a primeira figura política oriunda da Alemanha do Leste a subir ao comando.

Conheça o percurso pessoal e político de Angela Merkel.

10. Frida Kahlo (1907-1954), pintora mexicana

Frida

Como pensar no México e não lembrar das pinturas coloridas e exuberantes de Frida Kahlo (1907-1954)?

A pintora de sobrancelhas unidas teve uma infância muito difícil marcada por uma saúde frágil. Para piorar a situação, aos 18 anos, o ônibus em que estava sofreu um grave acidente e Frida ficou com sequelas para sempre.

Dessa situação trágica, Frida soube retirar sabedoria: enquanto estava presa a cama do hospital começou a pintar com um cavalete adaptado, assim nasceram os famosos autorretratos. Dizia ela:

Nunca pintei sonhos e sim minha própria realidade.

Comunista, foi no partido que ela conheceu o seu grande amor, o muralista Diego Rivera. O relacionamento, cheio de altos e baixos, foi um marco na vida de Frida.

A pintora foi o maior nome das artes plásticas da sua geração e um orgulho para o seu país. Suas telas foram expostas mundo afora, inclusive em metrópoles como Nova Iorque e Paris. Além de pintar, Frida deu aulas da Escola Nacional de Pintura e Escultura.

Ao longo de toda a sua vida, ela foi um símbolo da luta feminista e defendeu com unhas e dentes os direitos das mulheres.

Leia também o artigo Frida Kahlo: conheça a vida e trajetória através de suas obras.

11. Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), missionária albanesa

Madre Teresa

Madre Teresa de Calcutá nasceu Agnes Gonxha Bojaxhiu, na Macedônia, mas logo descobriu que o seu lugar era o mundo e a sua vocação era ajudar os mais carentes. É dela a famosa frase:

Temos que ir a procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade.

Fiel aos seus ideais, Madre Teresa de Calcutá fez votos de pobreza, castidade e obediência. Com uma vocação religiosa despertada desde cedo, assim que completou a maioridade entrou para a Casa das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto.

Toda a sua vida foi de entrega e doação, especialmente nos países subdesenvolvidos onde ficou conhecida como a "mãe dos pobres". Tamanha generosidade lhe rendeu um prêmio Nobel da Paz, recebido em 1979.

Madre Teresa de Calcutá era uma figura tão especial que chegou a ser beatificada pela Igreja em 2003 e foi canonizada treze anos mais tarde.

Saiba mais sobre a trajetória de Madre Teresa de Calcutá.

12. Joana d'Arc (1412-1431), combatente francesa

joana darc

Joana d'Arc é um nome incontornável quando se fala na história do seu país, a França. Ela participou ativamente da Guerra dos Cem Anos, conflito levado a cabo pela França contra a Inglaterra. Corajosa, Joana expulsou uma série de ingleses do território francês.

Numa época em que as mulheres tinham pouca (aliás, basicamente nenhuma) participação em conflitos armados, é de se louvar que essa senhora tenha alcançado o título de chefe de guerra, tendo chegado a liderar uma tropa durante três dias.

Capturada pelo inimigo, Joana teve uma sina triste e foi condenada a ser queimada em praça pública sob a acusação de heresia e feitiçaria. Apesar do trágico destino, Joana entrou para a história e até os dias de hoje é lembrada como uma referência de grande mulher.

Que tal saber mais sobre essa guerreira de fibra? Não perca tempo e vá para o artigo: Joana d'Arc: 11 curiosidades e momentos importantes de sua biografia.

Se você gostou de saber um pouco mais sobre a trajetória dessas mulheres excepcionais, experimente ler também:

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).