A internet é tão essencial no nosso dia a dia que nem conseguimos pensar em como era a vida sem ela, não é mesmo? Mas a verdade é que a internet é uma invenção relativamente contemporânea, que surgiu com fins militares durante a Guerra Fria. 

Os primórdios da internet: a Arpanet e o seu uso militar

A rede Arpanet era responsável por trocar informações entre militares e cientistas durante a Guerra Fria. A rede pertencia ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, era financiada pela Nasa e pelo Pentágono, e tinha a intenção de não interromper a comunicação mesmo em caso de bombardeio.

Foi graças à Arpanet (Advanced Research Projects Agency Network), em outubro de 1969, nos Estados Unidos, que a Universidade da Califórnia enviou um primeiro e-mail para as instituições parceiras perguntando: "Você está recebendo isso?"

As três outras instituições parceiras responderam rapidamente que sim. Os primeiros estabelecimentos ligados através da rede Arpanet foram a Universidade de Utah, a Universidade da Califórnia (polos de Los Angeles e Santa Bárbara) e o Instituto de Pesquisa de Stanford.

Um nome importante por trás da Arpanet foi o de Paul Baran (1926-2011), um cientista especializado em comunicação digital que ajudou a impulsionar o desenvolvimento da rede.

Paul Baran

Paul Baran foi um engenheiro elétrico que desenvolveu os fundamentos técnicos da Arpanet. Ele nasceu no dia 29 de abril de 1926, na Polônia, e nos primeiros anos de da década de 60 teve a ideia de desenvolver os message blocks, isto é, pequenos blocos de mensagem contendo informações que são reconstruídas quando chegam ao destino final. Essa é a base do funcionamento da internet até os dias de hoje. 

Em 1982 a Arpanet passou a ser mais usada no meio acadêmico (a princípio apenas nos Estados Unidos, depois em outros países da Europa). O uso comercial aconteceu cinco anos mais tarde, no começou em 1987, primeiro nos Estados Unidos.

Já em 1992 apareceram as primeiras empresas provedoras de internet comercial. No Brasil, em 1989 algumas universidades federais tinham acesso à rede, mas somente em 1995 começou a exploração comercial.

Kahn e Cerf inventaram o IP e colocaram todos os computadores numa mesma rede

Kahn e Cerf criaram juntos os protocolos TCP/IP, a arquitetura de internet, que foram as bases para que pudessemos ter acesso à rede universal que temos hoje. Eles desenvolveram o IP para transmissão das informações através da Arpanet, o que lhes rendeu o título de "pais da internet". 

Robert Elliot Kahn nasceu no dia 23 de dezembro de 1938 em Brooklyn, Nova Iorque, e se tornou um importante engenheiro elétrico. Kahn se formou em engenharia pelo City College of New York em 1960 e depois fez o mestrado e o doutorado na área. 

O cientista da computação Vinton Cerf nasceu no dia 23 de junho de 1943 em Connecticut e foi o mais importante parceiro de Robert Elliot Kahn. Os dois foram responsáveis pela criação de regras técnicas que permitiram que vários computadores distintos (de diferentes marcas) pudessem entrar numa mesma rede para partilharem informações.

Em 2004, Cerf e Kahn receberam o prêmio A.M.Turing Award, o prêmio máximo no mundo das ciências informáticas.

Kahn Cerf

Tim Berners-Lee inventou o WWW em 1955

O cientista britânico Tim Berners-Lee foi um revolucionário da era digital a ponto de ser chamados por muitos como o "pai da web".

Tim Berners-Lee

Nascido no dia 8 de junho de 1955, em Londres, Tim veio de um background de exatas - filho de um casal composto por matemáticos/cientistas da computação - Tim se graduou em física pela Universidade de Oxford no ano de 1976.

Foi num laboratório na Suíça, em 1989, durante um período em que trabalhava para a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, que desenvolveu o primeiro navegador de internet do mundo, o World Wide Web (WWW).

Tim também foi o criador da linguagem de marcação que é empregada na criação de sites (o HTML) e do HTTP (um protocolo que intermedia as conexões mundiais de internet).

O cientista é tão importante que, em 2003, recebeu da rainha da Inglaterra o título de cavaleiro. Nos dias de hoje o inventor atua como professor em duas instituições de ensino superior (a Universidade de Oxford e o Massachusetts Institute of Technology).

Marc Andreessen (re)inventou o navegador de internet

Em 1992, o americano Marc Andreessen, que tinha apenas 22 anos e estava se formando na Universidade de Illinois, criou o primeiro navegador gráfico, o Netscape Navigator, feito a partir do Mosaic, um navegador anterior também de sua autoria.

Antes da invenção de Marc, a internet funcionava com linhas de comando FTP (File Transfer Protocol). Depois da sua invenção, Marc passou a deter 90% do mercado dos navegadores, sendo superado apenas com o advento do Internet Explorer anos mais tarde.

Marc Andreessen

A grande vantagem do navegador de Marc foi ser intuitivo, amigo do usuário, mais confiável e, consequentemente, mais democrático.

De acordo com o criador, o seu navegador:

tornou a Internet muito mais fácil de usar. Mas tornar o uso mais fácil também tornou mais evidente como usá-lo, todas as coisas diferentes que as pessoas podiam fazer com ele - o que fazia as pessoas quererem mais. E também está claro que ajudamos a aumentar a largura de banda: ao criar a demanda, ajudamos a aumentar a oferta.

Em agosto de 1995, a empresa Netscape já valia 2.9 bilhões de dólares. Com a entrada do Internet Explorer no mercado, a Netscape se reinventou e deu origem ao Mozilla em 1998.

A criação do Internet Explorer

O navegador Internet Explorer veio superar o Netscape Navigator, de Marc Andreessen. O IE começou a ser produzido pela Microsoft em agosto de 1995 e foi, até 2004, o líder absoluto do mercado. Para se ter uma noção da magnitude, em 2003 cerca de 95% dos utilizadores trabalhavam com o IE. 

Um dos argumentos que fez o Internet Explorer ganhar muito mercado foi o fato dele vir, a princípio, integrado nos computadores Windows através de uma pré-instalação nos pcs novos. Outro ponto importante que fez com que o navegador ganhasse muitos utilizadores foi a sua simplicidade.

Entretanto, a partir de 2006, o Internet Explorer começou a perder com muita rapidez uma boa fatia do mercado para a concorrência (Safari, FireFox, Chrome e Opera).

Em dezembro de 2010, o IE já possuía apenas 46,94% do mercado (nessa ocasião, 30,76% dos usuários utilizavam o FireFox e 14,86% o Chrome).

Em 2020, o IE caiu para quinto na lista de navegadores mais utilizados nos Estados Unidos ficando com apenas 7,64%. Atualmente, no top 4 do ranking, estão: Chrome (58,29%), Safari (15,1%), Edge (7,87%) e FireFox (8,1%).

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