13 artistas plásticos brasileiros de grande importância

Laura Aidar
Laura Aidar
Formada em Comunicação

As artes plásticas no Brasil estão repletas de nomes de grande relevância.

São homens e mulheres que dedicaram suas vidas à criação e deixaram um legado incrível para se pensar a cultura brasileira.

1. Tarsila do Amaral (1886-1973)

Quando se fala em grandes personalidades das artes plásticas no Brasil, geralmente Tarsila do Amaral é logo lembrada.

retrato de Tarsila do Amaral
Retrato de Tarsila e autorretrato da artista

Ela foi uma célebre pintora da primeira fase do modernismo, contribuindo intensamente para a formação do movimento antropofágico. Essa corrente via na cultura brasileira a base de sua criação, buscando abordar temas regionais e criar uma arte nacional, ainda que com influências estéticas das vanguardas europeias.

Nascida no interior de São Paulo, em Capivari, em 1886, Tarsila veio de uma família com posses e pôde estudar no exterior.

Não participou da Semana de Arte Moderna, mas esteve bastante ligada ao movimento e às pessoas que a idealizaram, principalmente Oswald de Andrade, com quem teve um relacionamento de 1926 a 1930.

Sua tela mais famosa é Abaporu, pintada em 1928 e oferecida de presente à Oswald.

Tarsila faleceu aos 86 anos em São Paulo, em 1973.

2. Djanira (1914-1979)

Djanira da Motta e Silva foi uma artista plástica da segunda fase do modernismo no Brasil.

retrato de Djanira

A artista nasceu em Avaré, interior de São Paulo, em 1914. Produziu pinturas, desenhos, cartazes e gravuras.

É interessante destacar que seu processo criativo começou quando ela foi internada com tuberculose, aos 23 anos, em um sanatório. Foi lá que se aprofundou no desenho.

Nos anos 40 conhece um grupo de artistas do modernismo e frequenta aulas de pintura no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

Assim, seu trabalho se desenvolve destacando o regionalismo, religiosidade e festas populares.

Djanira faleceu em 1979 no Rio de Janeiro, aos 65 anos.

Três orixás, tela de Djanira
Três Orixás (1966), óleo sobre tela

3. Almeida Junior (1850-1899)

Um dos importantes pintores brasileiros da segunda metade do século XIX foi Almeida Junior.

Ele nasceu em Itu em maio de 1850 e começou a pintar quando era sineiro em uma igreja, sendo incentivado por um padre e produzindo obras sacras.

retrato de Almeida Junior

Mais tarde cursou a Academia Imperial de Belas Artes no Rio de Janeiro e, ao final do curso, voltou à cidade natal e atuou como retratista e professor.

Vai à Paris, onde mora por alguns anos, aprimora os estudos e participa de exposições. Quando volta ao Brasil, se fixa em São Paulo e continua sua carreira, tendo reconhecimento.

Seu estilo destacava o povo simples e a cultura caipira. Influenciado pelo realismo europeu, o pintor conseguiu reproduzir cenas de caráter regionalista e aliar temas do cotidiano com a técnica formal.

tela O violeiro, de Almeida Junior
A tela O violeiro (1899) é uma das mais conhecidas do artista

Sua morte ocorreu em 1899, quando ele tinha 49 anos. Almeida Junior foi assassinado por seu primo, pois o pintor mantinha uma relação com a esposa deste.

4. Portinari (1903-1962)

Cândido Torquato Portinari é um daqueles artistas que ajudaram a construir a identidade cultural do Brasil.

retrato de Candido Portinari
Autorretrato e retrato de Cândido Portinari

Nascido em Brodowski em 1903, Portinari veio de origem humilde. Aos 15 anos se muda para o Rio de Janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes.

Aos 20 anos já ganha certo reconhecimento, recebendo em 1928 um prêmio de viagem para estudar na Europa.

Ao retornar, com toda a bagagem adquirida, Portinari se volta para as cores e temas nacionais, deixando de lado também características formais como o volume e tridimensionalidade.

quadro Retirantes, de Portinari
Retirantes (1944)

Alcançou prestígio como poucos artistas brasileiros, deixando um legado de mais de 5 mil obras. Os temas recorrentes eram as denúncias sociais e a infância.

Faleceu em 1962, em decorrência da intoxicação por chumbo presente nas tintas que usava.

5. Hélio Oiticica (1937-1980)

Hélio Oiticica foi um artista plástico versátil. Além de produzir telas, também se consagrou na arte da performance e da escultura, criando instalações e experimentos que uniam a arte e a vida coletiva.

retrato de Hélio Oiticica

Nasceu no Rio de Janeiro em 1937 e começou a carreira nos anos 50. Suas primeiras obras (chamadas de Metaesquemas) já anunciavam o desejo do artista de extrapolar a tela e inserir o espaço tridimensional em sua arte.

Construiu uma bela trajetória, na qual trouxe as pessoas para participarem de suas criações. 

Esse é o caso da série Parangolés, que ganhou força por conta de seu envolvimento com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Nesse trabalho ele convida os moradores e dançarinos da escola para vestirem suas capas coloridas, trazendo movimento e liberdade à cor.

Pessoa dançando com parangolés, de Helio Oiticica
Pessoa dançando com Parangolé, de Oiticica

Oiticica influenciou e contribuiu com outras vertentes da arte brasileira, como o movimento musical Tropicalista.

Morreu em 1980, com apenas 42 anos, vítima de um AVC.

6. Lygia Clark (1920-1988)

Lygia Clark foi uma artista brasileira de grande relevância para a arte contemporânea no país.

Nascida em Belo Horizonte em 1920, começa a estudar arte no final da década de 40 e em 1950 vai para Paris se aprofundar nas pesquisas.

retrato de Lygia Clark

Voltando ao Brasil, participa do Grupo Frente e, posteriormente, do Grupo Neoconcreto.

Suas obras mais conhecidas são os Bichos, série feita nos anos 60 em que une chapas de metal e que o público pode interagir e criar outras formas.

obra Bicho, de Lygia Clark
Bicho (anos 60)

Aliás, a interação do público em sua obra é de extrema importância. Ela desenvolveu um trabalho artístico aliado a um trabalho terapêutico em que o próprio público cria em conjunto a obra de arte.

Lygia faleceu aos 67 anos, em 1988, vítima de um infarto.

7. Lygia Pape (1927-2004)

Lygia Pape nasceu em Nova Friburgo (RJ) em 1927.

Pertenceu ao mesmo grupo de neoconcretistas de Lygia Clark e Hélio Oiticica. Investigava diversas linguagens artísticas e inseria o público em seus processos criativos.

retrato de Lygia Pape

Esteve ainda envolvida com o cinema novo na criação de cartazes. Entre 1967 e 1976 passa a dirigir cinema.

Sua produção é conhecida pela união de preocupações estéticas e políticas, trazendo ainda o sensorial como uma importante ferramenta de compreensão da arte.

obra Divisor, Lygia Pape
Obra Divisor (1968)

Sua morte ocorreu em 2004, aos 77 anos, por um problema de saúde na medula óssea.

8. Emanuel Araújo (1940-)

O baiano Emanuel Araújo nasceu em Santo Amaro da Purificação em 1940. 

Dono de um grande talento e criatividade, Emanuel se envolveu em diversos campos das artes plásticas, como pintura, escultura, cenografia, ilustração, gravura, curadoria e museologia.

retrato de Emanuel Araújo

A primeira vez que realizou uma exposição individual foi em 1959. Mais tarde se matricula na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e passa a estudar gravura. 

Se aprofunda nos processos criativos e alcança reconhecimento através de prêmios nacionais e internacionais.

Aranha, obra de Emanuel Araújo
Aranha (1981)

Nos anos 80 inicia dirige o Museu de Arte da Bahia, na década seguinte assume como diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Em 2004 funda o Museu Afro Brasil, onde é curador e diretor.

Em suas obras é recorrente temas como a fertilidade feminina, bem como a abstração e a relação com a arte africana.

9. Leonilson (1957-1993)

José Leonilson foi um artista cearense de destaque na cena artística dos anos 80 e início de 90. Nascido em Fortaleza em 1957, Leonilson muda-se para São Paulo ainda na infância.

retrato de Leonilson

No final da década de 70 inicia sua jornada artística ingressando na faculdade de artes na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), onde tem aulas com importante artistas.

Seu trabalho é bastante autobiográfico, característica que se intensifica após ele ser diagnosticado com HIV.

obra O grande rio, de Leonilson
O grande rio (1990)

Nos últimos anos de sua vida incorporou o bordado e a costura na produção, realizando obras intimistas em que sua subjetividade alcança o público com delicadeza e força.

Leonilson faleceu aos 36 anos em decorrência de complicações da AIDS, em 1993.

10. Siron Franco (1947-)

Um artista de renome no Brasil e no exterior é Siron Franco. Batizado como Gerisson Alves Franco, ele nasceu em Goiás em 1947.

retrato de Siron Franco

De origem humilde, Siron passou boa parte da vida no Bairro Popular em Goiânia. Foi nesse local que, em 1987, ocorreu o acidente radioativo de Goiânia. Na ocasião, materiais contendo Césio-137 foram descartados inapropriadamente e provocaram a morte de várias pessoas.

série césio de siron franco
Trabalho da Série Cesio (década de 80)

O artista tratou desse tema em uma de suas séries mais famosas, intitulada Série Césio.

Sua produção ganhou grande reconhecimento, especialmente depois de ter integrado a 12ª Bienal  Nacional de São Paulo de 1974.

Hoje em dia Siron tem obras em diversos museus no Brasil, nos EUA e no México. 

11. Arthur Bispo do Rosário (1909?-1988)

Considerado um artista contemporâneo importante, Arthur Bispo do Rosário foi um homem simples que viveu boa parte de sua vida em um hospital psiquiátrico, a Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.

retrato de Arthur Bispo do Rosário

Não se sabe ao certo o ano de seu nascimento, alguns registros constam 1909 e outros 1911. O fato é que Bispo era sergipano e mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 20. Trabalhou na Marinha e na Light, companhia de energia elétrica. Foi também pugilista.

Na década de 30 começa a apresentar delírios, sendo internado.

Assim, inicia seu processo criativo, aliado às alucinações. Usa materiais improvisados e elementos do cotidiano, como canecas, colheres, botões, garrafas e até mesmo linhas dos uniformes desfiados. 

O bordado, o colecionismo e a apropriação estão presentes em sua produção, feita como uma forma de se conectar com forças espirituais.

Sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que ele faz para ser enterrado e chegar ao juízo final. Entretanto, quando faleceu, em 1988, seu desejo não foi cumprido. O manto se encontra hoje no Museu do Bispo do Rosário.

Quando eu subir, os céus se abrirão e vai recomeçar a contagem do mundo. Vou nessa nave, com esse manto e essas miniaturas que representam a existência. Vou me apresentar.

12. Adriana Varejão (1964-)

Adriana Varejão é uma artista visual nascida no Rio de Janeiro em 1964. Trabalha essencialmente com pintura, mas mistura também elementos escultóricos.

Nos anos 80 começa a estudar artes em cursos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e em 1986 já tem reconhecimento através de um prêmio da Fundação Nacional de Artes (Funarte/RJ).

Obra de Adriana Varejão
Cecalanto provoca maremoto (2008)

Adriana desenvolve um trabalho voltado para o questionamento sobre o passado colonial brasileiro, inserindo elementos do barroco em sua obra.

A artista cria imagens fortes que expõe a história dolorosa de dominação sobre os povos, trazendo reflexões importantes sobre nossa identidade cultural.

13. Rosana Paulino (1967-)

Rosana Paulino nasceu em São Paulo em 1967 e se dedica à produção de artes visuais, além da pesquisa e arte-educação.

Sua formação foi no curso de Artes da Universidade de São Paulo (USP) no início dos anos 90.

retrato e obra de Rosana Paulino
Rosana Paulino posa em frente à obra Parede da Memória (1994), obra que apresenta uma coleção de patuás com retratos de família

Em 1994 produz Parede da Memória, obra que a torna reconhecida. Suas inquietações giram em torno de temas de interesse coletivo, como o racismo, a violência contra a mulher, a representatividade negra e o passado escravocrata.

Essa é uma importante artista contemporânea que segue produzindo obras onde, através de elementos do universo familiar, expõe problemas sociais e convoca o público a pensar sobre a realidade brasileira.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Formada em Comunicação
Formada em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.