9 artistas incríveis do expressionismo

Laura Aidar
Laura Aidar
Formada em Comunicação

O expressionismo foi um movimento artístico das vanguardas europeias que despontou no início do século XX.

Os artistas do expressionismo buscavam transmitir em suas obras a inquietação e a angústia que pairavam naquele momento histórico.

Foram várias as pessoas que trabalharam nessa vertente. No Brasil também temos artistas que produziram obras com muitos traços expressionistas.

1. Ernst Kirchner (1880-1938)

Ernst Ludwig Kirchner nasceu na Alemanha em 1880. Na primeira década do século XX fez parte do grupo de artistas chamado de Die Brücke (com tradução para A ponte). 

Esse grupo é tido como um marco inicial do expressionismo alemão e teve como inspiração os trabalho de Edvard Munch e Vincent van Gogh, dois importantes artistas precursores do movimento.

Na obra de Kirchner há a valorização de uma produção direta e autêntica, segundo suas palavras. Buscava transmitir a agitação dos grandes centros urbanos, representados em cores e contrastes intensos, além de movimentos curtos do pincel.

Tela Duas Garotas de Ernst Kirchner
Duas garotas (1910), de Ernst Kirchner

Outros temas foram os horrores da Primeira Guerra Mundial, retratos de amigos e o universo circense.

Sua saúde emocional era instável e em 1938, aos 58 anos, o pintor tira sua vida, na Suíça.

2. Erich Heckel (1883-1970)

Heckel também fez parte do coletivo Die Brücke, que durou de 1905 a 1913. Nascido na Alemanha em 1883, foi pintor, professor, desenhista e fotógrafo.

Seus trabalhos transmitiam grande força e emoção, trazendo elementos que evocam o que eles chamaram arte primitiva, ou seja, a arte africana.

Quadro Casa em Dangast (1908) de Erich Heckel.jpg
Casa em Dangast (1908) de Erich Heckel

O nome de Erich Heckel costuma estar relacionado ao de Franz Marc, outro nome do expressionismo, devido à proximidade dos artistas e relações de trabalho que desenvolveram.

As características expressionistas que se destacam em suas obras são a intensidade das cores, as camadas generosas de pigmento na tela e as pinceladas dinâmicas.

3. Franz Marc (1880-1916)

Franz Marc também era alemão e um dos importantes artistas do início da vanguarda expressionista.

Fundou o grupo Der Blaue Reiter (O cavaleiro Azul) com Wassily Kandinsky, outro coletivo que explorava os temas e estilo da vanguarda.

Marc trazia em suas telas uma atmosfera mais emocional e expressiva, abusando de cores intensas e representando o mundo de forma singular e simbólica. Entre seus temas preferidos estão a natureza e os animais.

Quadro Os grandes cavalos (1911), de Franz Marc
Os grandes cavalos (1911), de Franz Marc

Visto como um dos artistas mais importantes em seu país, Franz Marc influenciou diversas gerações de artistas.

4. Wassily Kandinsky (1866-1944)

Quando se fala de pintura abstrata, Kandinsky é considerado o pai do estilo. O artista nasceu na Rússia em 1866, mas morou por vários anos na Alemanha.

Participou do grupo expressionista Der Blauer Reiter e explorou a cor e as formas de maneira sensível e apaixonada.

Buscava trabalhar os efeitos psicológicos das cores e traçar uma relação entre a pintura e a música.

Tela O cavaleiro azul (1903), de Kandinsky
O cavaleiro azul (1903), de Kandinsky

A maior parte de sua obra tinha caráter não figurativo. Mas sua tela que mais se destaca na vertente expressionista é O cavaleiro azul, de 1903, que deu nome ao grupo de expressionistas que criou com outros artistas do período.

5. Gabriele Münter (1877-1962)

Gabriele Münter nasceu na Alemanha e atuou como pintora expressionista e fotógrafa. 

Com o apoio da família, pode dedicar-se à arte, estudando nos EUA e retornado à Munique.

Influenciada por outros artistas da época, como Henri Matisse, passa a desenvolver um estilo singular, cheio de força e energia.

Kandinsky e Erma Bossi na mesa da casa Murnau
Kandinsky e Erma Bossi na mesa da casa Murnau (1912)

Manteve um relacionamento amoroso com Wassily Kandinsky por muitos anos e o influenciou artisticamente, fato que não teve o devido reconhecimento.

Sua produção é destacada por linhas fortes, contornos marcados e cores nítidas.

6. Lee Krasner (1908-1984)

Outra mulher que teve importância no movimento expressionista, mas não ficou tão conhecida quanto seu marido, é Lee Krasner, esposa de Jackson Pollock.

A estadunidense se destacou na segunda metade do século XX como pintora abstrata, realizando muitas obras em grande escala. Foi ela que inseriu Pollock no meio artístico, lhe apresentando figuras influentes no cenário.

Tela As estações (1957), de Lee Krasner
As estações (1957), de Lee Krasner

Assuntos recorrentes em seus trabalhos estavam relacionados à natureza e sua  expressividade artística se dava por meio do movimento e das cores.

7. Cândido Portinari (1903-1962)

Entre os artistas expressionistas brasileiros, podemos citar Cândido Portinari, grande pintor que fez parte do modernismo e se inspirou também em outras vertentes, como o surrealismo e o cubismo.

Nascido no interior de São Paulo, em Brodowski, Portinari construiu uma carreira sólida e reconhecida no país e no exterior.

Tela Retirantes (1944), de Cândido Portinari
Retirantes (1944), tela de Portinari

Em sua obra tem destaque a figura humana, exibida muitas vezes de maneira disforme e caricata. 

Portinari buscava estimular a sensibilidade do público ao abordar assuntos como a miséria, os trabalhadores e a infância.

8. Anita Malfatti (1889-1964)

A pintora Anita Malfatti foi uma figura de grande relevância no início do século XX no Brasil. Na juventude teve a oportunidade de estudar arte na Alemanha, entrando em contato com as vanguardas artísticas que já agitavam a cena cultural por lá, sobretudo o expressionismo.

Ao retornar ao Brasil, desenvolve um trabalho que tinha como influência essas novas vertentes. 

Assim, em 1917 realiza uma exposição que a aproxima dos artistas modernistas brasileiros. Entretanto, a mostra também desencadeia uma reação exaltada de intelectuais contrários à estética inovadora, sendo seu maior crítico o escritor Monteiro Lobato.

Tela expressionista A boba (1916), de Anita Malfatti
Tela expressionista A boba (1916), de Anita Malfatti

Mais tarde, em 1922, Malfatti participa da Semana de Arte Moderna, evento que veio a se tornar de enorme importância no país.

As telas expressionistas de Anita exibiam formas e retrato com cores marcantes e muitas vezes arbitrárias, com contornos definidos e deformações, como é próprio da vertente.

9. Lasar Segall (1891-1957)

Lasar Segall nasceu na Lituânia, mas passou a maior parte da vida no Brasil. Estudou arte por alguns anos na Alemanha e veio ao Brasil em 1912, realizando no ano seguinte uma exposição expressionista.

Curiosamente, ao contrário de Anita Malfatti, essa exposição não foi atacada pelos críticos, mas também não teve muita repercussão.

Tela Bananal (1927), de Lasar Segall
Bananal (1927), tela expressionista de Lasar Segall

O pintor, gravurista e escultor se destaca no modernismo, revelando uma arte preocupada em transmitir aspectos psicológicos, com formas geométricas e temas que abarcam questões sociais e as angústias do ser humano.

Você também pode se interessar:

Laura Aidar
Laura Aidar
Formada em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.