17 frases de Frida Kahlo para conhecer a artista mexicana

Laura Aidar
Laura Aidar
Formada em Comunicação

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, ou simplesmente Frida Kahlo, é um dos maiores nomes da arte latino-americana. Nascida no México em 6 de julho de 1907, a artista deixou como legado um grande acervo de pinturas e muitas reflexões sobre a vida.

Em suas telas retratava seu universo íntimo, a cultura mexicana, suas dores e força feminina, tanto que é vista hoje em dia também como um símbolo feminista.

O processo criativo de Frida se dava de forma constante. Dessa forma, ela mantinha diários e cadernos de esboços, onde registrava pensamentos, reflexões, poemas e desenhos. 

Em 1995 foi publicado o livro O Diário de Frida Kahlo, um autorretrato íntimo, que reúne parte de seus manuscritos. 

Para compreender melhor suas paixões e motivações, é interessante ter contato com esses textos. Por isso, selecionamos algumas frases de Frida Kahlo para que conheçam mais sobre biografia dessa importante mulher mexicana.

1. Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.

O tema mais recorrente na obra de Frida Kahlo é ela mesma. Boa parte de suas telas exibem sua própria figura.

São autorretratos que revelam seu estado emocional e visão de mundo. A artista teve uma vida complicada, com muitos momentos de superação.

Por isso, é provável que seu sentimento de solidão fosse intenso, o que ela transmitia em sua arte.

frida kahlo foto
Retrato de Frida feito pelo seu pai Guillermo Kahlo, em 1926

2. A pintura preencheu minha vida. A pintura substituiu tudo. Eu acho que não há nada melhor do que o trabalho.

Essa não é a única frase de Frida em que afirma ser a criação artística sua salvação. Por conta do acidente de bonde que sofreu ainda jovem, em que uma barra de ferro perfurou seu corpo, Frida passou muito tempo deitada. 

Foi nessa ocasião que a pintura surgiu em sua vida. Sem poder se locomover, ela passava muito tempo pintando. Assim, levou a arte para o resto da vida, tendo-a como centro de sua existência.

3. A revolução é a harmonia da forma e da cor e tudo está e se move sob uma única lei: a vida. Ninguém se aparta de ninguém. Ninguém luta por si mesmo. Tudo é tudo e um.

Frida Kalo era assumidamente comunista. Sua relação com o movimento revolucionário era grande, tanto que em 1937 recebe em sua casa o líder soviético Leon Trotsky, com que chegou a ter um romance.

A artista tinha total convicção no processo revolucionário rumo a uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, acreditava na luta coletiva e enxergava, inclusive, uma razão existencial e espiritual para isso.

4. A angústia e a dor, o prazer e a morte, não são mais que um processo para existir. A luta revolucionária neste processo é um portal aberto à inteligência.

Essa é outra referência ao movimento revolucionário presente no diário da pintora. Aqui ela liga os sentimentos humanos ao processo de transformação do mundo através da luta coletiva.

5. Você entende tudo. A união definitiva. Você sofre, desfruta, ama, se enfurece, beija, ri. Nascemos para o mesmo. Querer descobrir e amar o que foi descoberto.

Essas reflexões de Frida estão em seu diário pessoal na página ao lado de um desenho em que combina três rostos entrelaçados.

Frida Kahlo era uma mulher intensa, que viveu e amou com toda sua potência. Nessas palavras, deixa registrado parte de sua compreensão de mundo, em que evidencia a necessidade e a capacidade de amar do ser humano.

6. Árvore da esperança, mantenha-se firme.

A frase está escrita em uma obra de 1946 em que a artista aparece duplicada. Uma está deitada na maca de um hospital e tem as costas à mostra, revelando a recente cirurgia que havia se submetido.

A outra Frida está sentada e segura um colete ortopédico e uma bandeira onde se lê a frase em questão.

Frida Kahlo . Árvore da esperança

Aqui fica evidente o contraste ente as duas facetas da artista, uma que se mostra vulnerável e frágil e a outra firme e confiante, assim como uma grande árvore.

7. Eu queria fazer o que tenho vontade atrás da cortina da loucura.

Nessa passagem de seu diário, podemos ver um pouco da relação da artista com sua ideia sobre a loucura. 

Talvez por seu intenso sofrimento e sua maneira poética e dramática de viver, Frida flertou com a loucura. Inclusive, em seu diário é possível ver outros escritos e desenhos da artista em que faz menção ao tema.

8. Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade.

A obra de Frida Kahlo possui uma aura fantástica, misteriosa e cheias de símbolos. Por conta disso, a artista foi considerada por muitos como surrealista. O surrealismo foi um movimento artístico de vanguarda em que cenas absurdas - como é próprio dos sonhos - eram a base da criação. 

Frida inclusive aceitou participar de uma exposição junto a artistas surrealistas, mas sempre deixou claro que sua intenção não era fazer parte do movimento, pois as cenas que retratava não faziam parte do mundo dos sonhos e sim de sua própria vda.

9. A tua palavra percorre todo o espaço e chega às minhas células que são os meus astros e vai às tuas que são a minha luz.

Esse é um fragmento de uma das muitas cartas que Frida Kahlo escreveu ao marido. Sua adoração por Diego era tão grande e tão intensa que está relatada em seus escritos e estampada em suas telas.

10. Nada vale mais do que rir. Rir é fortaleza. 

Apesar de toda a dor que a artista sentiu e revelou em suas obras, Frida era uma mulher muito forte e compreendia a beleza e importância do riso. 

Isso fica evidente nessa citação em seu diário, onde afirma existir força no bom humor e na diversão.

11. Quem diria que manchas vivem e ajudam a viver? Tinta, sangue, odor O que eu faria sem o absurdo e o fugaz? 

Esse é parte de um poema que Frida deixou também em seu diário. Aqui podemos perceber aspectos do próprio processo criativo da artista. As manchas estão espalhadas por todo seu caderno, assim como em suas obras, que carregam cores fortes.

A tinta para Frida tinha uma relação direta com o sangue, o que também se associa ao fluxo sanguíneo das mulheres.

12. Eu sou a desintegração.

A citação está presente em um desenho de Frida em seu diário. Na imagem há a representação da artista como uma marionete equilibrando-se em uma coluna clássica. Enquanto isso, partes de seu corpo se soltam e caem, como uma cabeça, mão e olho.

Essa é mais uma frase que mostra como Frida se sentia por vezes desfragmentada, aos pedaços, devido à sua trajetória de vida.

13. Diego, houve dois grandes acidentes em minha vida: o bonde e você. Você, sem dúvida, foi o pior deles.

O grande amor da vida de Frida Kahlo foi Diego Rivera, também pintor mexicano. Eles se casaram em 1929 e tiveram uma relação muito profunda e conturbada.

Diego era muitos anos mais velho e ela desenvolveu um sentimento de pura idolatria pelo marido. 

O relacionamento entre eles permitia que se envolvessem também com outras pessoas. Entretanto, após saber que Diego tinha se relacionado com sua irmã Cristina, Frida ficou profundamente triste e o casamento ficou abalado.

Frida and Diego Rivera, 1931,
Obra  Frida e Diego Rivera (1931)

Foi nessa situação que a artista escreveu a frase em seu diário, em que associa a dor emocional que passou com Diego à dor física fruto do acidente que sofreu na juventude.

Se separaram algumas vezes, mas voltaram e permaneceram juntos até a morte da artista.

14. Amuralhar o próprio sofrimento é arriscar que ele te devore desde o interior.

Podemo perceber através dessa citação que Frida tinha necessidade em extravasar seus sentimentos, sobretudo seus sofrimentos. 

A forma que ela encontrou para isso foi a arte. Foi por meio da criação artística que conseguiu certo alívio e tranquilidade para continuar sua trajetória.

Seu impulso em criar era mais forte, pois entendia que se guardasse para si tantas emoções, entraria em um estado emocional ainda mais complexo e destrutivo.

15. Por que eu o chamo de meu Diego? Ele nunca foi nem nunca será meu. Ele é dele mesmo. 

Nessa frase em seu diário, Frida reconhece que seu sentimento por Diego Rivera e a maneira, de certa forma obsessiva, que vivencia seu amor, talvez sejam incompatíveis com as expectativas e posicionamentos do marido.

Apesar de a pintora ter tido também experiências extraconjugais, inclusive com outras mulheres, sabe-se que ela não ficava confortável com o fato de Diego ter relações com outras mulheres.

16. Pés, para que os amo, se tenho asas para voar.

Essa frase, bastante conhecida, está relacionada à doença que Frida desenvolveu em seus pés e pernas. Isso por consequência de diversos problemas de saúde, como a poliomelite na infância e um acidente de bonde na adolescência.

Pés para que os amo, se tenho asas para voar. Frase e desenho de Frida Kahlo

Em 1953, com o pé direito já bastante prejudicado e gangrenado, foi necessário amputá-lo. A frase surge nesse momento e está registrada em seu diário com um desenho em que retrata seus pés cortados e colocados sobre um pedestal.

A referência às asas aparece em outras passagens do diário e aqui surge como uma súplica e uma tentativa de se conformar com a trágica situação.

17. Espero alegre minha partida e espero nunca mais voltar.

O último registro escrito no diário de Frida faz referência direta ao seu cansaço físico e emocional diante do sofrimento por conta de sua saúde já muito debilitada.

Quando escreveu tais palavras, a artista estava esperando receber alta no hospital. Por isso, a frase parece ter duplo significado. Podemos compreender como alívio por estar deixando o hospital ou como o desejo pela morte.

Frida Kahlo morreu em sua casa em 13 de julho de 1954, aos 47 anos. A causa oficial da morte foi embolia pulmonar. Entretanto, ficou uma suspeita de que ela pode ter cometido suicídio.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Formada em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.