12 frases para conhecer Nelson Mandela

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Político, ativista, líder em defesa dos direitos civis, presidente da África do Sul, Nelson Mandela (1918-2013) foi um dos homens mais importantes do mundo ocidental.

Vencedor do prêmio Nobel (1993), Mandela foi o maior responsável pelo fim da segregação racial no seu país e deixou para a eternidade algumas frases importantes. 

1. Mandela teve coragem apesar do medo

Coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo.

Em uma série de oportunidades, Nelson Mandela deixou transparecer que ter coragem não significa ter ausência de medo, a coragem nos ensina justamente aprender a superar o medo. Os corajosos são aqueles que decidem seguir em frente apesar de todo o medo que possuem.

Segundo Mandela, ninguém nasce corajoso e, em vários momentos da vida a sua coragem foi testada tanto a nível pessoal como público. Para Mandela, como não nascemos corajosos temos que aprender a ser ou fingir que somos. 

Numa série de entrevistas o político demonstrou ter sentido medo, por exemplo, durante do julgamento que o condenou à prisão perpétua ou quando opositores o ameaçaram de espancamento. Uma dessas situações limite aconteceu quando Mandela foi ameaçado de ser morte por um dos guardas da prisão. A essa situação-limite ele respondeu da seguinte forma: 

"Se você ousar me tocar, vou levá-lo à mais alta corte do país e, quando tiver acabado com você, você vai ser tão pobre quanto um rato de igreja. Bem, ele parou... Eu estava com medo. Não foi porque eu era corajoso, mas alguém tinha de parecer corajoso."

2. Mandela lutou por uma sociedade livre

Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas e em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.

A passagem foi retirada de um depoimento de quatro horas que Mandela deu no julgamento de 1964, que veio a condená-lo a prisão perpétua. 

Essas foram as últimas palavras que Mandela disse diante do tribunal, foi o parágrafo final que concluiu o seu longo discurso. 

O ativista poderia facilmente ter se declarado inocente, mas preferiu publicamente admitir que lutava e que assumiria a sua causa ainda que essa decisão custasse a sua própria vida.

Mandela saiu da prisão apenas em 1990, depois de grande pressão internacional, e em 1993 recebeu reconhecimento internacional ao ser laureado com o Prêmio Nobel da Paz pela sua luta pelos direitos civis na África do Sul.

3. Mandela soube liderar discretamente

Sabe, quando você quer que o rebanho se mova para determinada direção, fica atrás com uma vara e deixa alguns dos animais mais inteligentes irem na frente, movendo-se na direção que você quer que eles se movam. O resto do rebanho segue os mais energéticos que estão na frente, mas é você que está realmente guiando lá de trás. É assim que um líder deve fazer o seu trabalho.

Para falar sobre o trabalho de um verdadeiro líder, Mandela recorreu a uma metáfora dos tempos da infância. Quando tinha oito ou nove anos o menino guiava o rebanho coletivo que pertencia à vila. O menino e outros colegas se revezavam nessa função comunitária. 

Mandela nasceu numa família de nobreza tribal da etnia xhosa, de enorme importância na região. O seu pai foi um conselheiro do rei e era um líder regional de peso, muitas dessas lições de como ser líder foram aprendidas já nessa primeira infância num contexto rural. 

A parábola do rebanho fala muito da atuação de Mandela, que uma série de vezes ajudou a guiar as massas mesmo que a sua atuação não estivesse sendo observada.

A carreira política de Mandela foi um exemplo de luta e persistência. Em abril de 1994 a África do Sul teve as suas primeiras eleições multirraciais e Mandela foi eleito no dia 10 de maio de 1994 o primeiro presidente democrático do seu país tendo, inclusive, maioria no parlamento (o que foi de fundamental importância para a aprovação de uma série de leis que representavam os negros). 

4. Mandela deu muita importância ao seu lugar de origem

Todo homem deve ter uma casa perto de onde nasceu.

Mandela depois de adulto escolheu manter uma casa em Transkei, a parte mais rural da África do Sul, onde foi criado. Seu pai, que faleceu quando o menino tinha 9 anos, era um líder local e teve importante formação na educação do menino, apesar de ter morrido cedo. 

O ativista acreditava que a casa que possuía no seu lugar de origem era capaz de renovar o seu vigor, era lá que ele encontrava descanso e recarregava as baterias. 

Foi na região, enquanto cursava a escola primária, em 1925, que o rapaz recebeu da professora o nome pelo qual ficou conhecido (Nelson), em homenagem ao Almirante Nelson. O seu nome de nascimento era Rolihiahia Dalibhunga Mandela, mas, por hábito, as crianças que frequentavam a escola recebiam nomes ingleses.

5. Para Mandela a democracia era o único caminho 

Nossas decisões e ações irão determinar se usaremos nossa dor, nosso pesar e o ultraje para caminharmos em direção à única solução duradoura para o nosso país - um governo eleito pelo povo, do povo e para o povo.

A frase foi dita durante um pronunciamento após a morte de Chris Hani, um líder negro que tinha sido assassinado por um imigrante branco polonês. 

Esse foi um momento muito delicado da história da África do Sul, que poderia ter desencadeado uma severa guerra civil por conta das tensões entre os negros e brancos.  

Na mesma noite do crime foi Mandela, e não o então presidente F.W.de Klerk, que se dirigiu à televisão para apelar pela paz e sublinhar a necessidade de um governo democrático.

6. Segundo Mandela, ter calma é fundamental

Não se apresse, pense, analise, então aja.

Durante toda a vida, Nelson Mandela manteve uma postura pacífica, ponderada, compatível com o seu temperamento nada explosivo e que só agia depois de muito pensar. 

Uma das situações que levaram a esse aprendizado do equilíbrio aconteceu quando Mandela esteve preso com um prisioneiro chamado Don Davis, que frequentemente desafiava o ativista para jogar damas. Davis era super agressivo e Mandela se descrevia como um oponente sereno. O fato de transmitir sempre calma destruía muitos adversários e ele (Davis) era o mais vulnerável a essa tática.

Essa incrível habilidade de se manter permanentemente calmo foi essencial para a sua carreira política já que, desde muito cedo, o ativista sofreu sérias perseguições. 

A primeira prisão de Mandela aconteceu em 1956, sob a acusação de conspiração. Durante os anos seguintes, muitos líderes negros seguiram sendo torturados e presos. 

A condenação mais severa de Mandela aconteceu em 1964, quando recebeu a pena de prisão perpétua tendo ficado 27 anos encarcerado na Ilha de Robben. A sua libertação tardia só foi possível graças a uma enorme pressão internacional. 

7. Para Mandela devemos persuadir pelo coração

Não se dirija ao cérebro. Dirija-se ao coração deles.

Mandela comentou a questão de falar ao coração durante uma entrevista, enquanto comentava sobre a importância de falar as duas principais línguas do seu país. 

O ativista começou a estudar africânder, que era uma língua importante da região, falada pela maior parte tanto dos negros como dos brancos, quando já era adulto.

Ao ser perguntado sobre a necessidade de aprender essa nova língua, Mandela justificou: "Quando você fala africânder, entende, vai direto ao coração deles."

Ir ao coração do outro era, para Mandela, a forma mais eficiente de persuadir. 

8. Mandela criticou a lei, que dizia estar a serviço dos interesses da classe dominante

Na prática real a lei nada mais é do que a força organizada, usada pela classe dominante para moldar a ordem social de forma favorável a si mesma.

A frase retirada do diário de Mandela conclui que a lei não é resultado de princípios morais imutáveis, mas está sempre a serviço de quem as criou. Ou seja, as leis podem ser lidas como ferramentas criadas para defenderem e protegerem um grupo que se encontra no poder.

Mandela foi um corajoso crítico do sistema político sul-africano, tendo desafiado o seu próprio país a repensar as leis de segregação racial que impediam, por exemplo, casamentos interraciais ou escolas mistas, com alunos negros e brancos.  

9. Mandela esperava sempre o melhor das pessoas

Julgam que considero demais o que há de bom nas pessoas. Então, é uma crítica que tenho de tolerar, e tentei me ajustar, porque, sendo assim ou não, é algo que julgo benéfico. É bom supor, agir com base no fato de que os outros são homens de integridade e honradez, que você tende a atrair integridade e honradez, se é dessa forma que você julga aqueles com os quais trabalha. Acredito nisso.

É bastante conhecida a característica de Mandela de reparar no que há de bom nos outros, especialmente nas pessoas com quem trabalhava. 

Segundo a biografia do ativista, Mandela supunha sempre que estava lidando com pessoas de boa-fé. Mesmo tendo lidado com pessoas terríveis e que desejavam o seu pior, Mandela seguia tentando perceber no outro o que havia de bom. 

Quando foi convidado a falar sobre um dos seus maiores inimigos, um prisioneiro com quem esteve preso na Ilha Robben, Mandela afirmou: "O que tirei dele foi sua habilidade para o trabalho duro", provando que, mesmo quando se tratava de uma pessoa que lhe tinha desejado o mal havia lições a se aprender com ela. 

10. Mandela pensava a longo prazo

Vejam, vocês podem ter razão por alguns dias, semanas, meses e anos, mas a longo prazo irão colher algo mais valioso se assumirem uma visão de longo alcance.

Provavelmente por ter passado 27 anos da sua vida preso, Mandela deu enorme valor a visão de longo alcance. 

O ativista usou ao longo da vida com enorme frequência a expressão "a longo prazo" e se identificava como um corredor de longas distâncias, comparando os anos passados na prisão com uma espécie de maratona. 

O seu principal objetivo de vida - construir uma nova nação, mais justa - passou muito pelo aprendizado da paciência e pela visão de estrategista, de longo prazo.

11. No amor Mandela encontrava forças para resistir

A sua linda foto ainda está a sessenta centímetros do meu ombro esquerdo, enquanto escrevo esta nota. Tiro o pó dela, cuidadosamente, toda manhã, porque fazer isso me dá o sentimento agradável de que a estou acariciando, como nos velhos tempos. Até toco o seu nariz com o meu, para sentir a corrente elétrica que costumava fluir por meu sangue sempre que fazia isso.

O trecho fala sobre o amor de Mandela por Winnie Madikizela, com quem se casou em 1958 apesar da forte reação contrária da família burguesa da esposa. Especialmente o pai de Winnie temia pela integridade da filha e dizia que ela havia escolhido se casar com um prisioneiro de uma causa, que era a sua luta. 

Winnie, a quem Mandela havia dado lições de política enquanto os dois namoravam, se tornou também uma ativista anti-apartheid enquanto o marido estava preso e chegou a ser chamada de mãe da nação, virando um símbolo da luta pelo marido e pelas causas do país. Com ela, Mandela teve duas filhas antes de ser preso.

Na passagem acima, o ativista fala sobre a foto que mantinha de Winnie na sua cela da Ilha Robben e descreve a importância do amor para que ele se mantivesse firme na luta.

12. Mandela amou até o final da vida

Quando você ama uma mulher, não vê seus defeitos. O amor é tudo. Você não presta atenção às coisas que os outros podem achar errado nela. Você apenas ama.

O casamento com Winnie Madikizela acabou em divórcio em 1992 (o processo foi finalizado em 1996), entretanto Mandela não desistiu do amor. Alguns anos mais tarde, o ativista declarou publicamente que estava apaixonado outra vez.

A felicidade amorosa foi reencontrada na maturidade no encontro com Graça Machel. Foi com ela que Mandela se casou em 1998, Graça foi sua companheira até a morte. 

Conheça a biografia completa de Nelson Mandela.

Aproveite para descobrir também o artigo Quem foi Nelson Mandela? 13 momentos marcantes da biografia do líder antiapartheid.

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).