11 grandes filósofos contemporâneos

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

1. Jean-Paul Sartre (1905-1980) foi um dos maiores nomes do existencialismo francês

Sartre

Escritor e filósofo, Sartre é uma referência quando pensamos no movimento existencialista francês que pregava, acima de tudo, a liberdade individual do ser humano. 

Estamos condenados a ser livres.

O pensador, que foi casado com Simone de Beauvoir, reuniu as suas principais inquietações intelectuais no livro O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica (1943). 

Sartre deu aulas, escreveu romances e ensaios. Engajado, foi filiado ao partido comunista francês durante décadas. 

Reconhecido entre os pares, Sartre chegou a ser indicado para receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1964, mas renunciou à homenagem alegando não ser a favor de receber distinções oficiais e por não gostar de ter atenção pública. 

Entre as suas obras mais importantes estão A náusea (1938), O muro (1939), As moscas (1943) e Entre quatro paredes (1944). 

Descubra mais sobre o percurso de Jean-Paul Sartre.


2. Paul Ricoeur (1913-2005) foi um dos grandes intelectuais do pós-guerra

Paul Ricoeur

O intelectual nascido em Valence (França) é um nome incontornável na filosofia contemporânea tendo servido de referência para os mais importantes intelectuais do campo das humanidades que o sucederam. 

Formado em filosofia e letras, fez mestrado e doutorado pela Universidade de Sorbonne, onde virou professor em 1933. 

O intelectual deu aulas nas mais importantes instituições francesas: a Universidade de Paris, de Strasbourg e de Nanterre. Também lecionou na Universidade de Chicago. 

O professor foi laureado em 2004 com o Prêmio John W.Kluge, que celebra os intelectuais das áreas de humanas.

Em termos políticos, desde os 33 anos foi militante socialista.  

Os seus estudos se debruçaram sobre os mais variados campos. Eclético, Ricoeur ao longo da carreira pensou a psicanálise, a teoria literária, a filosofia política, a história e até se dedicou aos estudos bíblicos. A sua principal obra é Tempo e narrativa (1983).

Conheça a biografia completa de Paul Ricouer.

3. Claude Lévi-Strauss (1908-2009) é considerado o mestre da Antropologia

Claude Lévi-Strauss

O sociólogo e antropólogo Claude Lévi-Strauss foi um dos maiores pensadores do século XX tendo sido essencial para a consolidação do campo de estudo da antropologia.

Claude fez a graduação em filosofia (1931) e acabou o doutorado em 1948. Deu aulas num liceu parisiense enquanto frequentava reuniões intelectuais com Sartre. 

Lévi-Strauss foi professor visitante de sociologia na recém-criada USP, através de uma missão universitária francesa realizada no Brasil. No nosso país fez uma série de pesquisas com índios. 

O docente também deu aulas nos Estados Unidos como professor visitante em Nova Iorque. De volta a Paris, continuou seguindo a carreira acadêmica. 

Lévi-Strauss foi tão importante mundialmente que recebeu uma série de títulos de Doutor Honoris Causas de universidades consagradas como Oxford, Harvard, Chicago e Bruxelas. 

Tristes trópicos (1955) e O pensamento selvagem (1962) são algumas das suas obras de maior peso.

Aproveite para ler a biografia completa de Claude Lévi-Strauss.

4. Michel Foucault (1926-1984) questionou o sistema carcerário tradicional

Michel Foucault

O pensador francês se formou em filosofia e psicologia e, desde o princípio da carreira, teve interesse pela questão da doença mental. 

O intelectual trabalhou durante uma série de anos como diplomata cultural no exterior, tendo voltado a França em 1960. 

Foucault deu aulas na Universidade de Clemont-Ferrand, na Universidade de Tunis e até na Universidade de Berkeley. 

Entre as questões que mais o mobilizaram estava a luta contra o racismo, a violação dos direitos humanos e o problema das instituições carcerárias. 

O intelectual foi uma voz importante que pensou os espaços de poder, o controle social e os sistemas de punição e exclusão dos que não se enquadravam socialmente. 

Vigiar e punir (1975) é uma obra incontornável para quem deseja refletir sobre como o Estado exerce controle nas nossas vidas. 

Descubra mais sobre o percurso de Michel Foucault.

5. Martin Heidegger (1889-1976) refletiu sobre o ser

Martin Heidegger

O alemão Martin Heidegger sentiu logo no princípio da vida uma vocação religiosa e chegou a frequentar um seminário jesuíta. Desistiu, no entanto, da vocação cristã, e se casou em 1917, quando começou a trabalhar como assistente do professor Edmund Husserl. 

Em Ser e tempo (1927) Heidegger resume grande parte dos seus interesses acadêmicos sobre o ser. A inquietação que motivou a sua escrita acadêmica era movida pelas perguntas do que seria, afinal, o homem, isto é, quem é o ser

Com o Nazismo, o intelectual se filiou ao partido de Hitler e se tornou reitor da Universidade de Friburgo, na Alemanha. 

Devido a sua relação estreita com o partido nazista, durante algum tempo as suas obras foram censuradas. 

Saiba mais sobre o percurso de Martin Heidegger.

6. Walter Benjamin (1892-1940) escreveu sobre as transformações sociais

Walter Benjamin

O alemão Walter Benjamin nasceu no berço de uma família burguesa judaica rica e foi escritor, professor, crítico e tradutor. 

Durante a graduação, cursou filosofia na Alemanha e fez o doutorado na Suíça, onde defendeu a tese A crítica de arte no Romantismo Alemão. 

Benjamin pensou sobre o seu tempo, e gostava de refletir sobre as questões que inquietavam os séculos XIX e XX, como, por exemplo, a ascensão da cultura de massas. 

Com um repertório vasto, Benjamin escreveu sobre arte, literatura, tecnologia e nos ajudou a repensar a história e as transformações sociais testemunhadas pela sua geração. 

Por ser judeu, com o crescimento do partido nazista precisou fugir do país tendo se exilado na França, na Itália e na Espanha. Sem encontrar outra saída, se suicidou em 1940. 

Descubra a biografia completa de Walter Benjamin.

7. Jürgen Habermas (1929) é o filósofo vivo mais importante do mundo

Jürgen Habermas

O filósofo alemão Jürgen Habermas focou os seus estudos na Teoria da Ação Comunicativa, onde reflete principalmente sobre a democracia, sobre a política contemporânea, sobre a sociedade e sobre o Estado de Direito (nesse caso mais focado no contexto alemão).

Habermas foi um dos nomes mais importantes da segunda geração da Escola de Frankfurt, que foi essencial para se pensar uma nova filosofia. 

Discípulo de Adorno, Habermas deu aula numa série de universidades importantes, se tornou catedrático de Filosofia na Universidade de Goethe. Ele também dirigiu o Instituto Max Planck de Ciências Sociais.  

Conhecimento e Interesse (1968), Teoria da ação comunicativa (1981) e O discurso filosófico da modernidade (1985) são algumas das obras mais importantes produzidas pelo pensador. 

Se quiser saber mais sobre o intelectual vá para a biografia de Jürgen Habermas.

8. Jean Piaget (1896-1980) é uma referência nos estudos sobre educação

Jean Piaget

Piaget começou a dar contributos sociais importantes quando ingressou num laboratório de psicologia, logo antes de seguir para um estágio numa clínica psiquiátrica.

Intrigado pela mente humana, ele foi aluno do psicólogo Carl Jung. Formado pela Universidade de Neuchâtel e com o doutorado em ciências, Piaget passou por uma série de hospitais psiquiátricos até começar a frequentar um laboratório de psicologia experimental infantil.

Fascinado pelo cérebro das crianças, quis entender mais sobre o processo de aquisição do conhecimento e sobre a lógica por trás do pensamento infantil.

O nascimento das três filhas aguçou ainda mais a curiosidade do intelectual, que publicou A linguagem e o pensamento da criança (1923). Esse foi um dos mais de cem livros e quinhentos artigos científicos que o pesquisador escreveu. 

O seu método de ensino foi - e ainda é - adotado por uma série de instituições de ensino nos quatro cantos do mundo.

Leia mais sobre a biografia de Jean Piaget

9. Ludwig Wittgenstein (1889-1951) refletiu sobre a linguagem

Ludwig Wittgenstein

O austríaco que começou por estudar engenharia aeronáutica logo deixou os planos de lado para se debruçar no aprendizado da filosofia e da lógica. 

Durante a Primeira Guerra Mundial se alistou como voluntário e foi preso. Após a guerra, deu aulas numa escola, criou um dicionário infantil, publicou um tratado lógico-filosófico. 

O seu rigor com as crianças  fez com que os pais pedissem o seu afastamento da escola e Ludwig acabou por se tornar jardineiro. 

Quando se dedicou integralmente ao exercício do pensamento, Wittgenstein produziu textos que refletem sobre a linguagem, a lógica, a percepção humana, a razão, a ética, a religião e a estética. 

O pensador passeou por uma série de temas e deixou o seu contributo em diversas áreas apresentando novas formas de se interrogar sobre o mundo, o pensamento e a própria linguagem. 

Tenha acesso à biografia completa de Ludwig Wittgenstein.

10. Jacques Derrida (1930-2004) criou a teoria da desconstrução

Jacques Derrida

O intelectual francês Jacques Derrida é um dos maiores pensadores do pós-estruturalismo e criou a teoria da desconstrução, que revolucionou o princípio dos anos 60.

Reconhecido pelos pares como um talento em ascensão, Derrida deu aulas como professor assistente em Sorbonne antes de seguir para os Estados Unidos onde trabalhou em Harvard, Yale e John Hopkins. 

O seu legado deixou marcas nos campos da filosofia, da literatura e da ética. 

Conheça a biografia completa de Jacques Derrida

11. Theodor Adorno (1903-1969) desenvolveu o conceito de indústria cultural

Theodor Adorno

Adorno foi um dos nomes mais importantes da Escola de Frankfurt ao lado dos colegas Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jüger Habermas.

O pensador deu aulas de Filosofia na Universidade de Frankfurt, mas foi obrigado a fugir da região devido ao nazismo. Passou a lecionar Filosofia na Universidade de Oxford e, mais tarde, migrou para os Estados Unidos onde deu aulas na Universidade de Columbia.

Entre os principais conceitos que desenvolveu ao longo da carreira, o mais importante talvez seja o de Indústria Cultural, termo que se refere à exploração artística que visa como fim o lucro. O conceito se encontra aprofundado na obra A indústria cultural - o Iluminismo como mistificação das massas (1947). 

Filho de uma cantora lírica, a paixão pela música, aprendida de berço, nunca foi deixada de lado. Pouca gente sabe, mas Adorno foi também diretor musical do setor de pesquisa da Rádio Princeton. 

Descubra mais sobre o percurso acadêmico de Theodor Adorno.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).