Marsha P. Johnson

Mulher trans ativista norte-americana
Por Laura Aidar
Formada em Comunicação

Biografia de Marsha P. Johnson

Marsha P. Johnson foi uma mulher trans ativista negra de enorme importância para a luta LGBT+ nos anos 60 e 70 em Nova York.

Participou das manifestações que ficaram conhecidas como Rebelião de Stonewall, em 1969, se tornando um ícone do movimento LGBT+.

Sua morte, em 1992, ocorreu em circunstâncias duvidosas. Foi considerada suicídio, mas amigos e ativistas reivindicam esclarecimentos ao que parece ter sido um assassinato.

Infância e adolescência

Marsha nasceu em 24 de agosto de 1945 em Nova Jersey, nos EUA. Filha de um operário e de uma empregada doméstica, foi batizada com o nome de Malcolm Michaels Jr. e esteve ligada à religião católica no começo da vida.

Desde muito criança se identificava com o sexo feminino e usava vestidos, o que deixou de fazer devidos às constantes perturbações que enfrentava na vizinhança. Ela ainda afirma ter sido vítima de violência sexual por um adolescente de 13 anos na infância.

Em 1963 concluiu os estudos no ensino médio no Edison High School, o que a encorajou a sair de casa. Ela tinha apenas 15 dólares e o desejo de uma nova vida.

Trajetória e militância

Assim, vai para Nova York e lá trabalha como garçonete até 1966. Posteriormente vai para Greenwich Village, um bairro da cidade, onde entra em contato com outras pessoas do universo LGBT+. É nessa época que se assume como "gay, travesti e drag queen". 

Devido à falta de oportunidades e preconceito, Marsha precisou apelar à prostituição. Ela declarou: "Minha vida foi construída em torno do sexo e da liberação gay, sendo uma drag queen e no trabalho sexual".

Marsha fez amizade com outra travesti importante na época, Sylvia Rivera, que se tornou sua parceira de luta. Juntas elas criaram a STAR (Street Transvestite Action Revolutionaries), uma organização de acolhimento à jovens trans sem-teto.

Ela chegou a ser presa inúmeras vezes e militou também pelo combate e conscientização da AIDS, pois também era soropositiva.

Foi ainda modelo em alguns trabalhos do artista Andy Warhol.

Revolta de Stonewall

Os anos 50 e 60 foram marcados por uma dura política anti-homossexual nos EUA. Em 1969 houve um acontecimento que se destacou na luta pelos direitos LGBT+. Naquela época, gays e lésbicas eram impedidos de frequentar bares, e travestis podiam ser presas por usar roupas "femininas".

Stonewall Inn era um bar novaiorquino em Greenwich Village que permitia a entrada de gays, assim reunia um grande público.

Apenas posteriormente passou também a deixar que lésbicas e drag queens frequentassem. Marsha P. Johnson passou então a comparecer com frequência no local.

Na noite de 28 de junho de 1969 ocorreu uma batida policial no estabelecimento. Os agentes públicos usaram de muita violência e ameaças de prisão, o que foi rebatido pelos frequentadores. 

Dessa forma, por volta de 1h30 da manhã se iniciou uma revolta. Marsha chegou ao local pouco tempo depois e se tornou um símbolo de resistência ligado ao ocorrido.

Esse ato de resistências aos ataques contra a comunidade deram origem a várias manifestações naquela semana, que ficaram conhecidas como Rebelião de Stonewall. Tal rebelião impulsionou os movimentos pela "libertação gay" nos anos 70.

Morte

Marsha P. Johnson foi encontrada sem vida no rio Hudson no dia 6 de julho de 1992, pouco tempo depois de completar 47 anos. Seu corpo foi retirado do rio e permaneceu por horas na calçada até que fosse levado.

Na época, a causa da morte foi considerada suicídio, o que foi contestado por seus amigos, amigas e todos que a conheciam.

A morte e vida de Marsha P. Johnson - documentário

A morte e vida de Marsha P. Johnson, cartaz de divulgação do documentário com foto da ativista
Cartaz de divulgação do documentário A morte e vida de Marsha P. Johnson

A trajetória dessa importante ativista negra foi contada no documentário A morte e a vida de Marsha P. Johnson.

Com direção de David France, foi lançado em 2017 e aborda a vida de Marsha, assim como sua amizade com Sylvia Rivera. Além disso, apresenta e as circunstâncias de sua morte e traça uma investigação sobre um provável crime de homofobia.

O filme pode ser visto na plataforma de streaming Netflix.

Laura Aidar
Formada em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.
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