Nise da Silveira

Psiquiatra brasileira
Por Laura Aidar
Formada em Comunicação

Biografia de Nise da Silveira

Nise Magalhães da Silveira (1905-1999) foi uma psiquiatra brasileira reconhecida por transformar o tratamento de saúde mental no Brasil em meados do século XX.

Atuante no Rio de Janeiro, Nise da Silveira se voltou contra os métodos agressivos normalmente usados em pacientes, como eletrochoques e lobotomia (retirada de parte do cérebro).

Nascida em Maceió (Alagoas) em 15 de fevereiro de 1905, desenvolveu e aplicou tratamentos humanos como a arteterapia e a interação com animais.

Formação

Nise da Silveira teve formação católica na infância, estudando em um colégio de freiras em Maceió. Seu pai era professor de matemática e jornalista, e sua mãe pianista.

Concluiu o curso de medicina em 1926, sendo a uma das primeiras mulheres a se formar médica no Brasil.

Foi nessa época que conheceu o colega de curso Mário Magalhães da Silveira e com ele se casou. O casal de médicos não teve filhos, preferindo se dedicar ao trabalho.

Em 1927, Nise o marido se mudam para o Rio de Janeiro e lá ela conclui a especialização em psiquiatria.

Assim, começa a trabalhar no Hospital da Praia Vermelha, no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental.

Trabalho no Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro

Nise desenvolveu um importante trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.

Ingressou na instituição em 1944 e travou uma verdadeira luta contra os métodos violentos de tratamento que eram comuns na época.

Por isso, foi redirecionada à área da terapia ocupacional, que era menosprezada no local. Foi assim que conseguiu aplicar em seus pacientes - chamados pela médica de “clientes” - uma nova forma de cuidado mental.

Aluna do psiquiatra suíço Carl G. Jung, Nise valorizava o tratamento humanizado e inseriu a pintura e modelagem em argila como técnicas de atendimento. Isso possibilitava que as pessoas se expressassem através da arte, transmitindo em cores, formas e símbolos suas angústias mais profundas, no que mais tarde foi chamado de arteterapia.

Além disso, Nise era contra o confinamento e isolamento dos internos. Foi inserida a conivência com animais - que a médica chamava de co-terapeutas - o que contribuía muito para abaixar os níveis de estresse a ansiedade, diminuindo crises dos pacientes.

Uma curiosidade: Nise da Silveira teve como colega de trabalho Dona Ivone Lara, conhecida sambista brasileira, mas que dedicou boa parte de sua vida à enfermagem.

A criação do Museu de Imagens do Inconsciente

Com o desenvolvimento do processo artístico com os internos, Nise reúne os trabalhos dos pacientes e percebe que era necessário criar um espaço para sua conservação e preservação. Assim, funda em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente, que abriga um importante acervo desses documentos. 

O acervo permitiu traçar um panorama do reflexo dos transtornos mentais e auxiliar o tratamento dos mesmos.

Militância política

Nise e o marido se preocupavam com a desigualdade social, pobreza e o acesso à saúde mental. Assim, depois que vieram para o Rio de Janeiro, tiveram contato com a militância política.

Como consequência de seus ideais, na década de 30 a médica envolve-se com o PCB (Partido Comunista Brasileiro), o que lhe rende muitos problemas com o governo de Getúlio Vargas.

Em 1936 vai presa, denunciada por uma colega de trabalho e permanece encarcerada por um ano e meio. Na prisão conhece o escritor Graciliano Ramos, que mais tarde a citará na obra autobiográfica Memórias do Cárcere.

Depois de liberta, precisou se retirar do trabalho em hospitais públicos entre 1936 e 1944 devido à perseguição política, vivendo na clandestinidade. Foi depois desse período que Nise iniciou o trabalho no Hospital do Engenho de Dentro.

Falecimento 

A médica faleceu aos 94 anos em 1999 no Rio de Janeiro. Permaneceu internada por um mês devido a complicações de uma pneumonia e morreu por insuficiência respiratória.

Frases de Nise da Silveira

  • “O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito.”
  • “É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade.”
  • “Todo mundo deve inventar alguma coisa, a criatividade reúne em si várias funções psicológicas importantes para a reestruturação da psique. O que cura, fundamentalmente é o estímulo à criatividade. Ela é indestrutível. A criatividade está em toda parte.”
  • “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas.”

Filme Nise - O coração da Loucura

Em 2016 foi lançado o filme Nise - O coração da loucura, que traz Glória Pires no papel principal e foi dirigido por Roberto Berliner.

A produção conta a história da terapeuta depois que ela é libertada da prisão e passa a trabalhar no Hospital do Engenho de Dentro.

Assim, acompanhamos sua trajetória na instituição e a luta para dar um tratamento digno aos internos.

Laura Aidar
Formada em Comunicação
Formada em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.
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