Dom Vital

Religioso brasileiro

Biografia de Dom Vital

Dom Vital (1844-1878) foi um religioso capuchinho brasileiro. Foi bispo de Olinda e na luta pelos princípios religiosos fez eclodir o conflito entre a Igreja e o Império, que ficou conhecido como "Questão Religiosa".

Vital Maria Gonçalves de Oliveira (1844-1878) nasceu no município de Pedra de Fogo, na Paraíba, no dia 27 de novembro de 1844. Filho de Antônio Gonçalves de Oliveira e Antônia Albina de Albuquerque, pequenos proprietários de Pedra de Fogo, que depois migraram para a cidade de Goiana, em Pernambuco.

Na adolescência, foi para o Recife ingressando no Colégio Benfica, dirigido por sacerdotes, e em seguida para o Seminário de Olinda. Em 1860, com 16 anos, recebeu a ordem de tonsura (cerimônia do corte de cabelo). Em 1862, viajou para a Europa a fim de continuar seus estudos eclesiásticos em Issy, próximo à Paris. No ano seguinte recolheu-se ao convento dos capuchinhos, em Versalhes, tomando o hábito em 16 de agosto de 1863.

Concluído o noviciado, seguiu para Toulouse, no sul da França, onde recebeu as ordens de subdiácono e presbítero, celebrando sua primeira missa em 3 de agosto de 1868. De volta ao Brasil, foi designado para trabalhar em São Paulo, onde foi professor de Teologia e capelão, sendo em seguida nomeado bispo de Olinda, em 21 de maio de 1871. Nesse mesmo ano iniciou uma reforma no Seminário, procurando implantar um seminário de estudos canônicos que antecedessem à formação dos futuros sacerdotes.

Em 1872, teve início uma luta entre o bispo e o governo imperial, uma vez que Dom Vital encontrou na Diocese muitos padres maçons e confrarias governadas por maçons. Essa relação entre católicos e maçõns havia sido proibida pelo Papa Pio IX, através da Bula Syllabus, em 1864. A proibição do Papa não foi aceita pelo imperador, já que muitos membros do governo eram maçons e era comum, no Brasil, padres fazerem parte de lojas maçônicas e maçons participarem de irmandades religiosas.

Nessa época, o presidente do Conselho, José Maria da Silva Paranhos, o grão-mestre da Maçonaria, fazia uma campanha pela imprensa em favor da mesma. Em 1872, foram fundados dois jornais maçônicos no Recife: A Família Universal e A Verdade, sendo grande o número de católicos filiados a lojas maçônicas. Criado o problema, em 1873, Dom Vital mandou fechar em Pernambuco todas as irmandades religiosas que mantinham relações com membros da maçonaria.

Em resposta, o Visconde do Rio Branco, primeiro ministro e maçom, mandou prender o bispo e o condenou a quatro anos de prisão com trabalhos forçados. Preso no Recife, foi levado para o Rio de Janeiro, chegando em 2 de janeiro de 1874. Permaneceu durante um ano e meio na fortaleza de São João, de onde saiu ao ser anistiado pelo Gabinete presidido por Caxias, o novo primeiro-ministro. Essa luta entre a Igreja e o Trono ficou conhecida como “Questão Religiosa”.

Ao ser solto, o bispo seguiu em viagem à Europa, iniciada por Bordeaux, passando por várias cidades francesas e italianas, até chegar a Roma, onde foi recebido pelo Papa. Nos dois anos de vida que ainda teve, Dom Vital fez várias viagens pela Europa, permanecendo pouco tempo em sua Diocese.

Dom vital faleceu em Paris, França, no dia 4 de julho de 1878. Suas cinzas foram trazidas para o Recife e colocadas na Basílica de Penha, em 1881.

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Última atualização: 01/05/2016