Princesa Isabel

Monarca brasileira
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Princesa Isabel

Princesa Isabel (1846-1921) foi uma princesa do Brasil Império. Filha do imperador D. Pedro II, assinou a Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea, que acabou com a escravidão no Brasil. Irmã da Princesa Leopoldina, Isabel foi a última princesa do Império Brasileiro. Assumiu a regência por três vezes, quando o imperador D. Pedro II se ausentou do País. Com a Proclamação da República, foi obrigada a se exilar do Brasil.

Infância e educação

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, futura Princesa Isabel, nasceu no Palácio Imperial de São Cristóvão (hoje, Museu Nacional, que foi destruído por um incêndio em 2018), na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, no dia 29 de julho de 1846.

Filha do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina, com 4 anos foi declarada “princesa imperial e herdeira do trono”, após a morte de seus irmãos mais velhos Afonso Pedro (1845-1846) e Pedro Afonso 1848-1850). Sua irmã mais nova, Princesa Leopoldina (1847-1871) foi sua grande amiga. 

Para a educação da futura imperatriz e de sua irmã a princesa Leopoldina, D. Pedro II designou como sua primeira preceptora a Condessa de Barral, filha do Embaixador Domingos Borges de Barros. Para elaborar o vasto e rígido programa de estudos, foram contratados diversos mestres, entre eles, o Visconde de Pedra Branca.

A princesa Isabel mostrava grande interesse pelos estudos e assim, ela via transcorrer sua juventude entre aulas de literatura, latim, inglês, alemão, botânica mitologia, matemática e leitura dos Evangelhos.

No dia 29 de julho de 1860, a princesa com 14 anos, obedecendo a Constituição, prestou o juramento de "manter a religião católica, observar a constituição política do País e ser obediente às Leis e ao Imperador".

Casamento e filhos

Em 1860, teve início as sondagens para contratar o casamento da Princesa Isabel e de sua irmã, a princesa Leopoldina com príncipes europeus. Em 1864 chegaram os primos Gastão de Orleans, o Conde D'Eu e Augusto de Saxe, netos do rei Luís Filipe da França.

Dom Pedro desejava casar Isabel com Augusto, mas segundo ela, seu coração escolheu o Conde D’Eu. Em 15 de outubro de 1864 foi realizado o casamento da Princesa Isabel com o príncipe Gastão de Orléans.

O cortejo saiu do Palácio São Cristóvão, e seguiu para a capela do Paço Imperial onde foi realizada a cerimônia. O casal passou a residir no bairro carioca das Laranjeiras (no atual Palácio Guanabara) e passava o verão em Petrópolis.

A princesa Isabel e o Conde D’Eu tiveram quatro filhos: Luísa Vitória (nascida morta), Pedro de Alcântara, príncipe do Grão-Pará (1875-1940), Luís Maria Filipe (1878-1920) e Antônio Gastão Francisco (1881-1918).

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O juramento à Constituição

No dia 29 de julho de 1871, conforme a Constituição Brasileira de 1824, a Princesa Isabel, ao completar 25 anos, se tornaria a primeira senadora do Brasil. Diante dos personagens mais importantes do Império, a princesa de 25 anos, jurou a Constituição.

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Juramento da Constituição (Óleo de Victor Meireles, Museu Imperial de Petrópolis)

A regência e a abolição dos escravos

Por ser a herdeira do trono brasileiro, em 1871, quando D. Pedro II viajou para Europa, a princesa Isabel assumiu a regência do Brasil pela primeira vez.

No dia 28 de setembro de 1871 assinou a Lei do Ventre-Livre, pela qual libertaria os filhos que nascessem, de mãe escrava, a partir daquela data.

No dia 26 de março de 1876, a Princesa Isabel assumiu pela segunda vez a regência, quando D. Pedro II viajou para a Europa e permaneceu até 1877. Nesse período, a regente tomou medidas para o melhoramento do país, como a construção de estradas de ferro, resolveu questões religiosas etc.

Em 1888, a princesa assumiu o poder pela terceira vez quando Dom Pedro II precisou viajar para Europa para tratamento da saúde.

Nessa época, a campanha abolicionista contava com o apoio de vários setores da sociedade e o fim da escravidão era uma necessidade nacional. A princesa aliou-se aos movimentos populares e aos partidários da abolição da escravatura.

No dia 13 de maio de 1888, finalmente, a regente Isabel assina a Lei Áurea, que determinava: "A partir desta data ficam libertos todos os escravos do Brasil". A partir de então, princesa passou a ser chamada de Redentora. 

Exílio

Ao voltar ao Brasil, em agosto de 1888, Dom Pedro encontrou o país envolvido com as aspirações republicanas, principalmente as camadas militares. Os fazendeiros escravocratas também haviam abandonado o imperador após a abolição.

No dia 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República do Brasil e a família imperial foi expulsa o país, tendo que seguir para o exílio.

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Família Imperial no Paço de São Cristóvão 

No dia 17 de novembro, a família imperial partiu para o exílio na Europa. Dom Pedro e a esposa foram para Portugal e Dona Isabel seguiu com a família para a França, onde logo depois, em 1891 morreria Dom Pedro.

D. Isabel e a família se instalaram no castelo da família do Conde D'Eu, na Normandia, no norte da França, que foi todo decorado com móveis e objetos brasileiros.

Morte

A Princesa Isabel faleceu na Normandia, França, no dia 14 de novembro de 1921.

Apenas em 1920 seria revogada a expulsão da família imperial e só em 6 de julho de 1953, seus restos mortais foram transladados para o Rio de Janeiro e colocados no Mausoléu da Catedral de Petrópolis, onde estava sepultado o Conde D’Eu, que faleceu durante uma visita ao Rio de Janeiro, no dia 28 de agosto de 1922.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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