Conde d'Eu

Príncipe consorte do Brasil
Por Dilva Frazão

Biografia de Conde d'Eu

Conde d’Eu (1842-1922) foi príncipe consorte ao casar-se com a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II e herdeira do trono brasileiro. Foi marechal do Exército e comandou as forças brasileiras na Guerra do Paraguai. Foi regente do império e presidente de honra do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, conhecido como Conde d’Eu, nasceu no castelo de Neuilly, França, em 28 de abril de 1842. Era filho de Luís de Orléans, duque de Nemours, e da princesa Vitória de Saxe-Coburgo Gotha.

Infância e juventude

O conde d’Eu era neto do rei Luís Filipe, da casa de Orléans, que assumiu o trono em 1830 e governou até 1848 quando foi deposto pela revolução.

Com a vitória da segunda república e a queda da monarquia, a família Orléans foi banida da França e passou a viver no palácio de Claremont, perto de Londres.

O Conde d’Eu estudou na Espanha. Frequentou a Academia Militar de Segóvia. Mostrou seu talento guerreiro na luta contra os mouros de Marrocos, ganhando o posto de capitão de cavalaria e a medalha da Ordem de São Francisco.

Casamento

O Conde d’Eu foi o escolhido para casar com a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II, herdeira do trono brasileiro, chegan ao Brasil em 2 de setembro de 1864. Com o consentimento do Duque de Nemours, pai do Conde d’Eu, em um mês, todas as formalidades foram resolvidas.

No dia 15 de outubro de 1864, um cortejo com dez carruagens imperiais saiu do Palácio São Cristóvão. Na Capela do Paço estavam todos os fidalgos e membros do corpo diplomático.

Á porta da capela duas fileiras de jovens traziam almofadas com as alianças, com todas as ordens do Império e o colar da Ordem da Rosa, que seria entregue ao Conde d’Eu.

Conde d'Eu
Casamento da Princesa Isabel e o Conde d'Eu - tela de Pedro Américo

Depois da festa, os recém-casados seguiram para a serra de Petrópolis para a casa de Joaquim Ribeiro de Avelar, situada em uma colina, cercada de densa vegetação, onde o casal permaneceu um mês.

Quando voltaram para a corte, passaram a residir no bairro das Laranjeiras, atual Palácio Guanabara. No dia 10 de dezembro do mesmo ano, Isabel e o Conde d’Eu, depois de uma breve viagem a Salvador e Recife, seguiram para a Inglaterra.

Ao chegarem a Southampton, foram recebidos pelo Duque de Nemours, os príncipes de Joinville e a legação do Brasil, chefiada pelo Barão de Penedo. Partiram logo para Claremont, onde vivia a avó do Conde d’Eu, Rainha Maria Amélia, viúva de Luís Filipe.

O casal também foi recebido pela Rainha Vitória, frequentou bailes, jantares e participou de caçadas. A viagem deveria continuar com visitas a outras cortes, mas em junho estavam de volta ao Brasil.

Guerra do Paraguai

Ao chegaram ao Rio de Janeiro em junho de 1865, o casal encontrou o país em guerra com o Paraguai. O Imperador D. Pedro II tinha ido ao sul verificar as manobras da Guerra.

Para não ferir a suscetibilidade dos militares brasileiros, colocando um estrangeiro na chefia do Exército, D. Pedro entregou ao conde d’Eu o comando geral da Artilharia e a presidência da Comissão de Melhoramentos do Exército.

Só em 1869, com a doença e a retirada de Caxias do campo de batalha, o Conde d’Eu foi encarregado de substituí-lo, contra a vontade da princesa. No dia 14 de abril de 1869, o conde chegou a Assunção e como Marechal assumiu a chefia das forças brasileiras.

Participou das batalhas de Campo Grande e de Peribebiú e comandou a campanha até a morte de Solano López, em Cerro Corá, no dia 1º de março de 1870. O Conde voltou à Corte, vitorioso e saudado pelo povo.

Em agosto, o casal partiu de novo para a Europa, incentivados por D. Pedro, pois ao voltar da guerra, o Conde não escondia sua simpatia pelos liberais, então na oposição, comprometendo a neutralidade da família imperial.

O príncipe-consorte e a regência

Em maio de 1871, com a viagem de D. Pedro II para a Europa, a princesa Isabel jurou a Constituição e assumiu a primeira vez a regência do país.

Nesse período, uma questão que provocava violentos debates entre os ministros era o projeto que emancipava todas as crianças nascidas de mães escravas. Isabel e o marido eram contra a escravidão. No dia 28 de setembro de 1871 foi sancionada a Lei do Ventre-livre.

Filhos

O Conde d’Eu e a Princesa Isabel tiveram três filhos:

conde d'Eu

  • Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, Príncipe do Grão-Pará, nascido 15 de outubro de 1875. Casou-se com Elizabeth Dobrzenicz. Em 1908 renunciou, para si e seus descendentes, a todo e qualquer direito à coroa e ao trono do Brasil.
  • Luís de Orléans e Bragança, nascido em 26 de janeiro de 1878, casou-se com Maria Pia de Bourbon Duas Sicílias, com quem teve três filhos. Tornou-se chefe da casa imperial com a renúncia do irmão.
  • Antônio de Orléans e Bragança, nascido em Paris, no dia 9 de agosto de 1881.

Últimos anos da monarquia

Depois de uma viagem a Europa, o Conde d’Eu e a Princesa voltaram ao Brasil em 10 de dezembro de 1881. O Império já não vivia a calma e a tranquilidade de antes.

A propaganda republicana era feita em jornais, comícios e discursos. O Conde d’Eu, em carta à família previa o fim da monarquia.

D. Pedro II muito doente partiu para a Europa em 30 de junho de 1887 e mais uma vez o casal assumiu a regência.

Nessa época, crescia a campanha abolicionista. O Ministro Cotegipe não cedia e proibia reuniões abolicionistas. No dia 13 de maio de 1888 a Princesa assinou a Lei Aurea, que aboliu a escravidão no país.

A condição de príncipe estrangeiro motivou ataques ao Conde d’Eu por parte dos positivistas e republicanos.

Em agosto de 1888, ao voltar ao Brasil, D. Pedro II defronta-se com um quadro constrangedor para a monarquia. Os republicanos cresceram em todas as camadas, principalmente entre os militares.

No dia 15 de novembro de 1889 é proclamada a República e a família imperial é obrigada a se retirar do país. Depois de uma estada em Portugal e em Paris, o Conde e a Condessa passaram a residir no Castelo d’Eu, na região francesa da Normandia, onde Isabel faleceu em 14 de novembro de 1921.

Morte

Depois da revogação, em 1920, do decreto de banimento da família imperial, o Conde esteve no Brasil acompanhando os corpos dos sogros, repatriados por decreto do presidente Epitácio Pessoa.

Conde d’Eu faleceu no dia 28 de agosto de 1922, a bordo do navio Massília, quando viajava mais uma vez ao Brasil para assistir as comemorações do centenário da independência.

Seu corpo embalsamado esteve exposto no Rio de Janeiro, na Igreja de Santa Cruz dos Militares, e depois foi levado para a França.

Última atualização: 12/10/2020

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.
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