A música popular brasileira tem o privilégio de colecionar nomes de grandes cantoras. 

Pensando em homenagear essas mulheres de garra que emprestam as suas vozes para servirem de trilha sonora das nossas vidas, resolvemos relembrar a biografia das dez maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. 

1. Elza Soares (1930)

Com uma voz rouca inconfundível, Elza Soares conquistou o coração do Brasil se tornando um dos grandes nomes da nossa música popular.

Seu percurso foi marcado por inúmeros altos e baixos. Elza nasceu em berço humilde, no subúrbio do Rio de Janeiro, e antes de conseguir se dedicar só à música foi encaixotadora em uma fábrica de sabão. Filha de uma lavadeira com um operário, a jovem foi obrigada a se casar quando tinha apenas 12 anos.

Sonhando em ser cantora, deu os seus primeiros passos como crooner na Orquestra Garam Bailes. Aos poucos foi ficando conhecida e chegou a ir trabalhar na Rádio Vera Cruz, em 1959.

Em 1963 Elza foi escolhida como representante do Brasil na Copa do Mundo do Chile. Foi lá que conheceu Garrincha, o jogador de futebol que se tornou o amor da sua vida e viria a ser motivo de imensa alegria, mas também de profunda tristeza.

Descubra a trajetória de Elza Soares.

2. Rita Lee (1947)

A ovelha negra da família? Não me parece... Rita Lee é uma das maiores representantes do rock brasileiro e frequenta a cena musical há algumas décadas. 

Nascida em São Paulo, Rita é filha de um imigrante americano com uma pianista brasileira e, quando tinha 15 anos, começou a dar os primeiros passos no mundo da música tocando bateria. 

Aos 19 anos, se juntou com os irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista para fundarem a lendária banda Os Mutantes. O grupo tocou em 1967 ao lado de Gilberto Gil a canção Domingo no Parque e ficou em segundo lugar no III Festival da Música Popular Brasileira.

No ano a seguir foi a vez de acompanharem Caetano Veloso na canção icônica É proibido proibir, apresentada no Festival Internacional da Canção (FIC).

Rita também fez carreira solo e emplacou sucessos como Baila comigo, Caso sério e Lança perfume

Desvende a carreira de Rita Lee.

3. Maria Bethânia (1946)

Nascida no interior da Bahia, Maria Bethânia Viana Teles Veloso é filha de Dona Canô com um funcionário dos Correios. Junto com o irmão Caetano Veloso começou a frequentar as rodas artísticas da capital baiana e acabou por se mudar definitivamente para Salvador em 1960.

No meio daquele rebuliço cultural conheceu Gal Costa, Tom Zé e Gilberto Gil. Juntos, participaram da inauguração do Teatro Vila Velha.

Bethânia deu o primeiro passo na carreira em janeiro de 1965, quando se apresentou a convite de Nara Leão no show Opinião (no Rio de Janeiro). O palco a projetou de tal forma que no mesmo ano a cantora foi contratada para gravar o seu primeiro disco.

Desde então, Maria Bethânia ocupa um lugar de destaque na música popular brasileira emplacando uma série de sucessos como Ronda, Olhos nos olhos e Tatuagem.

Saiba mais sobre a vida de Maria Bethânia.

4. Gal Costa (1945)

"Meu nome é Gal!" - o grito de guerra da cantora baiana ficou marcado no inconsciente coletivo e ajudou a fazer dela um dos grandes nomes da nossa música. 

Gal começou a carreira durante os anos 60 em Salvador ao lado dos amigos Gil, Caetano e Bethânia. Ela também fez parte do show histórico Nós, que inaugurou o Teatro Vila Velha em 1964. No ano a seguir, mudou-se para o Rio de Janeiro a fim de investir na carreira musical.

Em 1966 ganhou maior visibilidade ao participar do I Festival Internacional da Canção junto com Gil e Torquato Neto (juntos cantaram a música Minha Senhora).

Gal tem tido ao longo das décadas uma carreira multifacetada e vem explorando diversas vertentes musicais, indo desde a experimentação tropicalista até um repertório mais roqueiro. 

Conheça a biografia completa de Gal Costa.

5. Elis Regina (1945-1982)

A Pimentinha deixou a vida muito cedo, mas antes encantou os brasileiros com a sua voz repleta de emotividade. Elis nasceu em Porto Alegre e deu os primeiros passos na música cantando, ainda com 11 anos, em um programa de rádio local. 

Quando completou 15 anos foi contratada pela Rádio Gaúcha e, no ano a seguir, lançou o seu primeiro disco. A carreira de Elis foi veloz e rapidamente ela conquistou o eixo Rio-São Paulo se apresentando em programas de rádio e televisão.

Vendo que o futuro estava na capital paulista, se mudou para lá em 1964. Ao longo da década de 60, participou de uma série de Festivais da Canção e lançou alguns discos. Fez também algumas apresentações internacionais. 

Apesar da carreira seguir de vento em popa, a Pimentinha começou a enfrentar uma série de problemas com o álcool e com a cocaína que levaram a sua morte prematura.

Descubra os bastidores da carreira e da vida Elis Regina.

6. Marisa Monte (1967)

Cantora, compositora e produtora musical, Marisa é versátil e gosta de se aventurar em voo solo, mas também ao lado de amigos (quem não se lembra do projeto Tribalistas com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes?).

A carioca tem a música no sangue e é filha de Carlos Monte, um músico que faz parte da diretoria cultural de samba da Portela. Por causa do pai, desde pequena Marisa frequentava as escolas de samba e, aos nove anos, recebeu de presente uma bateria. Cinco anos mais tarde, resolveu ter aulas de canto e teoria musical.

Formada em canto lírico, Marisa foi viver na Itália onde estudou mais a fundo a sua voz e voltou para o Brasil no final dos anos 80, quando decidiu abandonar de vez a música clássica para se dedicar à música popular. 

O primeiro disco de Marisa foi lançado em 1989 e de lá para cá a artista vem produzindo de modo consistente espalhando o seu talento ímpar aos quatro ventos. 

Não perde uma música da cantora? Então que tal saber mais sobre a biografia de Marisa Monte?

7. Nara Leão (1942-1989)

Cantora, artista plástica e atriz, a talentosa Nara Leão ficou conhecida pelo grande público como a musa da Bossa Nova. Nascida na capital do Espírito Santo, filha de uma professora com um advogado, Nara foi criada com a família no Rio de Janeiro, para onde se mudou quando tinha apenas um ano. 

Aos 12 anos, recebeu de presente do pai um violão onde começou a ensaiar os primeiros acordes. Interessada pelo instrumento, começou a ter aulas particulares e, dois anos mais tarde, se matriculou em uma academia de música. 

Com muitos amigos do meio musical, Nara frequentou desde o princípio as reuniões daqueles que fundariam a Bossa Nova. A jovem emprestou a voz à grandes sucessos do movimento como o Samba de uma nota só e o Samba do Avião.

Mais tarde, a musa também experimentou a Tropicália tendo participado da gravação do disco coletivo Tropicalia ou Panis et Circenses.

Quer saber mais sobre essa artista tão diversa? Não perca a leitura da biografia de Nara Leão na íntegra.

8. Anitta (1993)

Um dos maiores nomes da nova geração, Anitta saiu de Honório Gurgel, subúrbio do Rio de Janeiro, para literalmente conquistar o mundo.

Com uma origem humilde - o pai de Anitta era vendedor e a mãe costureira - a menina começou a cantar no coral de uma igreja da sua região. Como gostava de dançar fazia também aulas. Aos 16 anos, decidiu postar vídeos na internet dançando e cantando.

Com essa postura ousada foi descoberta pela Furação 2000 e logo contratada. Eu vou ficar foi o seu primeiro sucesso que estourou.

Em 2013 participou do projeto Show das Poderosas, que alcançou a espantosa marca de 1 milhão de views em uma semana. 

Anitta foi emplacando sucesso atrás de sucesso: Não para, No meu talento, Menina má, Bang, Deixa ele sofrer e Essa mina é louca. Em 2018 a cantora surpreendeu o público lançando a série documental autobiográfica Vai Anitta pela Netflix.

Gosta da cantora? Então fique sabendo mais sobre a biografia de Anitta.

9. Maysa (1936-1977)

Especialmente famosa entre as décadas de 50 e 60, Maysa era filha de uma família tradicional do Espírito Santo e se mudou ainda criança (com apenas três anos) para o interior de São Paulo. Aos 14 anos, foi para a capital. 

Ainda cedo Maysa começou a criar composições. Rebelde, durante a adolescência cantava e tocava com amigos e desafiada o status quo fumando, bebendo, usando cabelos curtos e calça comprida.

Em 1956 foi descoberta por um produtor musical que deu o pontapé inicial na sua carreira profissional. Com ele, lançou seu primeiro disco - Convite para ouvir Maysa - que trazia sambas-canção.

Dois anos mais tarde, lançou um novo álbum com o seu maior sucesso (a canção Meu mundo caiu). Outro grande clássico que ficou consagrado na sua voz foi O barquinho, um marco da Bossa Nova composto por Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal.

A carreira de Maysa a projetou nacional e internacionalmente. A jovem, no entanto, infelizmente morreu de modo prematuro depois de sofrer um acidente de carro na Ponte Rio-Niterói.

Espreite um pouco mais sobre a vida de Maysa.

10. Beth Carvalho (1946-2019)

Percebendo o talento da jovem menina, a família de Beth Carvalho a levou para participar do programa Trem da alegria, da Rádio Mayrink Veiga. Foi assim que começou uma história de sucesso.

Além de cantar, Beth também adorava balé clássico - por esse motivo abandonou provisoriamente a música quando tinha 13 anos. Quando percebeu que não conseguia viver sem cantar, quis se aprofundar nesse universo e se matriculou na Escola Nacional de Música. Beth chegou a ser professora de violão para ajudar com as contas de casa. 

Em 1965 gravou o seu primeiro compacto simples dando o pontapé inicial na carreira. Um ano mais tarde, teve a companhia ilustre de Nelson Sargento e Noca da Portela ao participar do show A Hora e a Vez do Samba.

Cada vez mais bem relacionada no meio, Beth foi se tornando uma figura querida e ativa no meio musical - ela chegou a apadrinhar uma série de grandes nomes como Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão.

Entre os anos 60 e 70 fez uma série de apresentações nos Festivais da Canção tendo ficado em terceiro lugar no Festival Internacional da Canção com a música Andança. Durante esses anos de ouro, Beth gravou praticamente um disco por ano se tornando uma referência especialmente no universo do samba. 

Com trabalho duro conquistou o seu espaço no Brasil e recebeu reconhecimento internacional se apresentando também na Europa, nos Estados Unidos e na África. 

Em 2009 foi laureada no Grammy Latino com o prêmio Lifetime Achievement Awards em homenagem a importância da sua carreira. Três anos mais tarde, também recebeu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode com o disco Nosso samba tá na rua.

Fique conosco para saber tudo sobre o percurso de Beth Carvalho.

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