Florestan Fernandes

Político e sociólogo brasileiro

Biografia de Florestan Fernandes

Florestan Fernandes (1920-1995) foi um político, sociólogo e ensaísta brasileiro, considerado o fundador da Sociologia Crítica no Brasil. Foi deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores.

Florestan Fernandes nasceu em São Paulo, no dia 22 de julho de 1920. Filho único da imigrante portuguesa Maria Fernandes, não chegou a conhecer o seu pai. Foi criado por sua madrinha Hermínia Bresser de Lima, que lhe despertou o interesse pelos estudos.

Viveu entre os dois mundos, o da casa da madrinha e os cortiços da cidade. Abandonou os estudos no terceiro ano do primeiro grau e para ajudar a mãe começou a trabalhar como engraxate. Mais tarde, trabalhou em uma padaria e em um restaurante.

Após completar 17 anos, foi incentivado a retornar aos estudos. Matriculou-se em um curso específico e estudou entre 1938 e 1940 o equivalente à sete anos de estudos.  

Formação

Em 1941, Florestan Fernandes ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), bacharelando-se em Ciências Sociais em 1943, completando a licenciatura no ano seguinte.

Ainda em 1943, em plena ditadura do Estado Novo, Florestan começou a colaborar com os jornais, O Estado de S. Paulo e a Folha da Manhã, onde conheceu Hermínio Sacchetta, que o levou para o Partido Socialista Revolucionário (PSR).

Entre 1944 e 1946, Florestan cursou pós-graduação em Sociologia e antropologia na Escola Livre de Sociologia e Política. A partir de 1945 atuou como pesquisador e professor assistente de Fernando de Azevedo na cadeira de Sociologia II.

Em 1947, Florestan obteve o título de mestre em Ciências Sociais na Escola Livre, com a dissertação “A Organização Social dos Tupinambá”. Baseado no relato dos cronistas seiscentistas ele reconstruiu a realidade social dos índios tupis-guaranis, habitantes de uma grande parte do litoral brasileiro na época dos descobrimentos, mas exterminados desde o final do século XVI. O trabalho recebeu o Prêmio Fábio Prado em 1948 e foi consagrado como um clássico da etnologia brasileira.

Em 1951, obteve o título de doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, com a tese “A Função Social da Guerra da Sociedade Tupinambá”.

Durante a década de 50, tornou-se conhecido pela ardorosa participação na campanha a favor da escola pública.

Principais ideias de Florestam Fernandes

O sociólogo Florestan Fernandes, patrocinado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), trabalhou no Programa de Pesquisas sobre Relações Raciais no Brasil. Desenvolveu a pesquisa que desmentiu a tese sobre a inexistência de preconceito e descriminação no país, iniciando uma nova fase do estudo do negro.

Em 1955, publicou “Negros e Brancos em São Paulo”, em parceria com Roger Baptiste, onde inverteu a ideia de que o negro constituía um problema social, afirmando que a sociedade é que constituía um problema para a população negra, desfazendo assim o mito de que vigorava no Brasil uma “democracia racial”.

Catedrático em Sociologia I em 1964, com a tese “A Integração do Negro na Sociedade de Classes”, Florestan Fernandes questionou a modernização, acoplada à constituição do capitalismo moderno no Brasil, e a democratização, demonstrando como as desigualdades de acesso dos negros e mulatos ao mercado de trabalho constitui obstáculo à realização de uma sociedade democrática no Brasil.

Militância

Durante o regime militar de 1964, Florestan foi afastado das atividades acadêmicas, perseguido pela ditadura e preso, porém não permaneceu muito tempo na prisão devido a grande repercussão alcançada pela carta aberta que mandou publicar na imprensa, afirmando que “Se a grande virtude do militar era a disciplina, a do intelectual era o espírito crítico”. Nos anos seguintes, Florestan realizou palestras em diversos estados sempre em defesa da democratização da sociedade.

Em 1986 Florestan filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, pelo qual se elegeu deputado à Assembleia Nacional Constituinte. Reeleito para novo mandato em 1990.

Florestan Fernandes publicou mais de cinquenta obras, transformou o pensamento social do país e estabeleceu um novo estilo de investigação sociológica, marcado por um rigor crítico e analítico. É considerado o fundador da sociologia crítica no Brasil.

Florestan Fernandes faleceu em São Paulo, no dia 10 de agosto de 1995.

Principais obras de Florestan Fernandes

  • Organização Social dos Tupinambá (1949)
  • A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá (1952)
  • A Etnologia e a Sociedade Brasileira (1959)
  • Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológica (1959)
  • Mudanças Sociais no Brasil (1960)
  • Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina (1973)
  • A Revolução Burguesa no Brasil (1975)
  • A integração do Negro na Sociedade de Classes (1978)
  • O Que é Revolução (1981)
  • Poder e Contra Poder na América Latina (1981)
  • A Ditadura em Questão (1982)

Florestan Fernandes é um dos grandes nomes que integra o artigo Os 5 folcloristas brasileiros que você precisa conhecer.

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Última atualização: 16/08/2019

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.