Mikhail Gorbachev

Ex-presidente da URSS

Biografia de Mikhail Gorbachev

Mikhail Gorbachev (1931) é ex-presidente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Governou o país entre 1985 e 1991, lançando um amplo plano de transformações em curto espaço de tempo. Em 1990 ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

Mikhail Gorbachev nasceu na aldeia de Privolnoye, região agrícola de Stavropol, na União Soviética, no dia 2 de março de 1931. Filho de um motorista e de uma dona de casa, em 1941, com 10 anos viu sua região ser invadida pelas tropas nazistas. Seu pai foi convocado para o exército soviético e durante quatro anos esteve em frente das batalhas. Com 14 anos, Mikhail ingressou na Liga Comunista da Juventude. Estudava e também trabalhava como eletricista.

Em 1950, ingressou na Universidade de Moscou. Em 1952 tornou-se membro do Partido Comunista. Em 1953 casou-se com a estudante Raísa Titarenko e juntos tiveram uma filha. Em 1955, já graduado, trabalhou na promotoria de Stavropol. Galgou várias promoções dentro do Partido Comunista e em 1970 chegou a primeiro secretário. Em 1978 foi nomeado secretário de Agricultura do Comitê Central do partido. Em 1980 tornou-se o mais jovem membro do Comitê Executivo do Partido Comunista da União Soviética, trabalhando em constante colaboração com o secretário-geral, Iúri Andropov.

Com o final do governo de Brejnev (1964-1982) sucederam os curtos governos de Iúri Andropov (1982-1984) e Konstantin Tchernenko (1984-1985). Com a morte de Tchernenko, ascendeu ao governo o líder Mikhail Gorbachev (1985-1991), que seria responsável por profundas alterações na política da União Soviética.

A Perestroika e a Glasnost

Em 1985, Gorbachev assumiu a direção do Partido Comunista. Apesar de formado na velha escola da burocracia, tinha uma visão crítica da estagnação em que caíra a sociedade soviética. Começou por renovar a cúpula do Partido, libertando os dissidentes políticos. Iniciou uma transformação geral na sociedade, por meio da Perestroika (reestruturação) e da glasnost (transparência).

A perestroika buscava a implantação de métodos mais eficientes de gestão da economia, apontando para a necessidade de descentralização no comando das empresas estatais e permitindo um tímido avanço da propriedade privada, sobretudo no setor agrícola. Com a glasnost, a censura foi abrandada, iniciando-se um processo de liberalização, que se traduziu imediatamente em maior liberdade de expressão na vida cultural.

Para liquidar as pendências internacionais, Mikhail Gorbachev mudou a política externa de modo a facilitar uma aproximação com o Ocidente. Isso traria a indispensável ajuda externa para financiar a transição rumo a uma economia de mercado socialista. Abandonando as práticas imperialistas, as tropas de ocupação do Afeganistão foram retiradas depois de dez anos de permanência. Era o sinal de que a guerra fria estava chegando ao fim. Acordos comerciais foram feitos com os Estados Unidos e com os sete países mais ricos do planeta.

O fim da União Soviética

A política de Gorbachev gerou tensões internas. Por um lado, grupos conservadores da burocracia do partido e do Estado, aliados a setores militares, opunham-se às reformas. Por outro, uma corrente liberal, cujo líder mais conhecido era o presidente da república russa, Boris Yeltsin, que exigia a aceleração das reformas e a instalação de uma economia de mercado, acompanhada da privatização das empresas estatais.

No dia 19 de agosto de 1991, o grupo conservador, conhecido como “linha dura”, afastou Gorbachev do poder, num golpe de Estado e ocupou com tanques de guerra pontos estratégicos de Moscou. A reação da população foi imediata. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra os conservadores. À sua frente estava Boris Yeltsin, que do alto de um tanque, leu uma proclamação que exigia o retorno da ordem constitucional.

Com o fracasso do golpe, Gorbachev, que estava preso em sua casa de praia na Criméia, voltou a Moscou no dia 22 de agosto. No dia 29, o Soviete Supremo deu o golpe final no Partido Comunista soviético proibindo suas atividades em todo o território nacional. Gorbachev lutou quanto pode pela manutenção da União Soviética, mas no dia 8 de dezembro de 1991, reunidos em Brest, os presidentes da Rússia, da Ucrânia e da Bielo-Rússia assinaram um documento em que formalizava a CEI – Comunidade dos Estados Independentes, em substituição a União Soviética de Gorbachev. Seu lugar na ONU passou a ser ocupado pela Rússia. No dia 25 de dezembro, Gorbachev renunciava ao cargo de presidente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Em 1990, Mikhail Gorbachev ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho para acabar com as tensões da Guerra Fria. Atualmente dirige a Fundação Gorbachev, desde 1991, e dirige a Cruz Verde Internacional, desde 1993.

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Última atualização: 11/12/2017

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.