Catarina II, a Grande

Imperatriz da Rússia

Biografia de Catarina II, a Grande

Catarina II, a Grande (1729-1796) foi imperatriz da Rússia. Governou entre 1762 e 1796. Passou à história como "déspota esclarecida".

Correspondia-se com alguns dos filósofos mais notáveis da época, como os franceses Voltaire e Diderot. Promulgou a Carta da Nobreza, em benefício dos nobres, aumentando o descontentamento dos camponeses.

Catarina II, a Grande nasceu em Stettin, Pomerânia, norte da atual Polônia, no dia 2 de maio de 1729. Era filha de Cristiano Augusto, príncipe de Anhalt-Zerbst, e da duquesa Joana Isabel de Holstein-Gottorp.

Infância e juventude

Catarina nasceu Sophie Friederike Auguste, princesa de Anhalt-Zerbst. Seu pai era o homem de confiança do rei da Prússia e governador militar da cidade de Stettin.

A princesa Catarina foi escolhida pela czarina da Rússia, Isabel, para casar com o Grão-Duque Pedro, seu sobrinho e herdeiro da coroa.

Frederico II da Prússia, cuja dependência estava a Pomerânia, pretendia estender seu domínio à Rússia, se lá contasse com o apoio da rainha, e esperava que Sophie fosse essa rainha.

Catarina tinha apenas 15 anos quando acompanhada da mãe percorreu de trenó, sob um intenso frio, o vasto caminho desde sua cidade natal até Moscou, a capital da Rússia.

Logo que chegou a Moscou, começou seu esforço para se adaptar à vida russa: aprendeu a língua, estudou a religião ortodoxa e batizou-se segundo seus princípios, em 1745. Recebeu o nome de Iekaterina Alekseievna.

No mesmo ano casou com o Grão-Duque, herdeiro do trono da Rússia. Pedro sempre lhe foi indiferente, tinha muitas amantes, mas tiveram dois filhos, o futuro czar Paulo I, e a grã-duquesa Ana Petrovna, que faleceu ainda criança.

Paulo era muito parecido com o pai, mas muitas intrigas colocaram dúvida na paternidade das crianças. Especulava-se que essa dúvida tinha como pretexto tirar os direitos de Paulo como o herdeiro do trono.

Em dezembro de 1761, com a morte de Isabel, o Grão-Duque subiu ao trono como czar Pedro III. Seu primeiro ato foi aliar-se a Frederico II da Prússia.

Diante do temor dos russos, frente a essa aliança, Catarina encorajou alguns generais a desalojar Pedro III e entregar o poder a ela.

Os oficiais da Guarda, provenientes da nobreza latifundiária, que criticavam o governo, apoiaram o golpe, que depôs Pedro III. Poucos dias depois ele foi assassinado.

Imperatriz da Rússia

Com pouco mais de trinta anos, Catarina tornou-se imperatriz da Rússia, como Catarina II. A corte russa viu com bons olhos o audacioso golpe.

Catarina procurou adaptar-se aos ideais de seu tempo, o “despotismo esclarecido”, pois o “absolutismo” e o “direito divino dos reis” começava a ser contestado pelos ideais liberais.

Catarina II passou para a história como "déspota esclarecida". Correspondia-se com alguns dos filósofos mais notáveis da época, como os franceses Voltaire e Diderot.

Para mostrar-se esclarecida iniciou reformando a obsoleta administração e estimulando a agricultura e o comércio. Reorganizou o exército, tudo com o apoio da nobreza, à qual concedia muitos privilégios.

Catarina convocou um congresso, representado por mais de seiscentos deputados, entre os quais havia representantes da nobreza, das cidades e do campo.

As discussões orientadas por ela deveriam chegar à elaboração de um programa para suprir as necessidades das diversas regiões russas. Após se reunirem por dois anos, entre 1766 e 1768, os deputados se separam sem nada terem feito.

Catarina agiu sozinha. Logo após a dissolução desse congresso, publicou decreto no qual repartia o território russo em 44 províncias subdivididas em distritos.

Cada distrito passou a ter uma assembleia de nobres, classe proprietária de terras, que gozava de maiores privilégios. Os atos de Catarina, em benefício dos nobres, aumentaram o descontentamento dos camponeses.

Apoiados e liderados pelos cossacos, os camponeses uniram-se e avançaram em direção a Moscou e colecionando vitórias. Mas, nas imediações da capital, foram massacrados pelo exército de Catarina. Seu líder o cassaco Pugachev foi condizido a Moscou numa jaula e ali decapitado em 1774.

Em 1785, Catarina II promulgou a Carta da Nobreza, na qual abolia os impostos dos nobres e ampliava seus poderes. Para não provocar mais revoltas do povo, construiu asilos, hospitais, hospícios e maternidades.

Com isso serenava os ânimos dos descontentes. O clero também foi atingido. Ela secularizou algumas propriedades eclesiásticas, em proveito do Estado e tomou a seu cargo a manutenção de igrejas e conventos.

Conquista de territórios

Procurando uma saída para o mar, Catarina financiou guerras em diversas fronteiras, que perdurou até 1772, incorporando vastos territórios e aproximando-se da Europa central.

Ainda enquanto lutava contra a Polônia, Catarina moveu seus exércitos contra os turcos, em duas guerras que duraram quase vinte anos, de 1768 a 1774 e de 1775 a 1785. A Turquia foi vencida e teve de ceder à Rússia a costa setentrional do mar Negro e a península da Crimeia.

Catarina II, a Grande faleceu em Tsarkoi Selo, perto de São Petersburgo, no dia 17 de novembro de 1796.

Veja também as biografias de:

Última atualização: 27/08/2019

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.