Fernando de Azevedo

Educador brasileiro
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Fernando de Azevedo

Fernando de Azevedo (1894-1974) foi um educador, professor, administrador, ensaísta e sociólogo brasileiro. Foi um dos expoentes do movimento da Escola Nova. Participou intensamente do processo de formação da universidade brasileira, em busca de uma educação de qualidade.

Fernando de Azevedo nasceu em São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais, no dia 2 de abril de 1894. Filho de Francisco Eugênio de Azevedo e de Sara Lemos Azevedo, cursou o ginasial no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo.

Estudou letras clássicas, língua e literatura grega e latina e também poética e retórica. Depois de renunciar a vida religiosa formou-se em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo e dedicou-se ao magistério.

Entre 1914 e 1917 foi professor substituto de psicologia e latim no Ginásio do Estado de Belo Horizonte. Lecionou latim e literatura na Escola Normal de São Paulo.

Funções públicas e a Escola Nova

Em 1926, Fernando de Azevedo passou a exercer o cargo de diretor geral da Instrução Pública do Rio de Janeiro. Em 1930 participou da criação do Ministério da Educação – na época Ministério da Educação e Saúde.

De 1927 a 1930 iniciou as primeiras reformas da educação brasileira, uma das mais radicais empreendidas até então.

Em 1931, Fernando de Azevedo organizou e dirigiu a Biblioteca Pedagógica Brasileira, da Companhia Editora Nacional, órgão em que permaneceu por mais de 15 anos.

Foi um dos redatores do “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, lançado em 1932, que defendia novos ideais de educação e estabelecia diretrizes para uma nova política educacional.

Para ele, educação era um direito do cidadão e um dever do Estado, por isso, lutou por uma educação igualitária, comum para a elite e para o povo. A escola integral proposta pelo manifesto era definida em oposição à escola chamada de tradicional. Assim conceituava o

Trecho do manifesto pela Escola ou Educação Nova

"A educação nova, alargando sua finalidade para além dos limites das classes, assume, com uma feição mais humana, a sua verdadeira função social, preparando-se para formar a hierarquia democrática pela ‘hierarquia das capacidades’, recrutadas em todos os grupos sociais, a que se abrem as mesmas oportunidades de educação. Ela tem, por objeto, organizar e desenvolver os meios de ação durável com o fim de dirigir o desenvolvimento natural e integral do ser humano em cada uma das etapas de seu crescimento, de acordo com uma certa concepção de mundo".

Fernando de Azevedo traçou e executou um largo plano de construção de escola, entre elas os dois edifícios da rua Mariz de Barros, da nova Escola Normal destinada para a formação de professores, hoje Instituto de Educação.

Em 1933 assumiu a direção da Instrução Pública do Estado de São Paulo. Fez vários investimentos para a melhoria da formação dos professores.

Foi membro da comissão organizadora da Universidade de São Paulo, onde ingressou como professor em 1934. Nessa época, o país passou por períodos democráticos e ditatoriais do Estado Novo.

Quando a USP foi fundada, Fernando de Azevedo criou o Instituto de Educação, localizado na Praça da República, como uma de suas unidades, e pela primeira vez no Brasil passou a existir um ensino de formação de professores a nível universitário.

Em 1938 passou a dirigir o Instituto de Educação. Foi eleito presidente da VII Conferência Mundial de Educação a se realizar no Rio de Janeiro.

Em 1941 ocupou a cadeira de sociologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras na Universidade de São Paulo. Em 1942 assumiu a direção da faculdade.

Em 1947 foi nomeado Secretário de Educação e Cultura do Estado de São Paulo. Foi também presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia e presidente da Associação Brasileira de Escritores (seção de São Paulo). Durante vários anos escreveu pra o jornal O Estado de São Paulo.

Em 1950, Fernando de Azevedo foi eleito, no Congresso Mundial de Zurich, para vice-presidente da International Sociological Association.

Em 1961 concebeu a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação, e em 1968 promoveu uma ampla Reforma Universitária.

Em 1961, durante a ditadura militar, em defesa da educação, Fernando de Azevedo redigiu um manifesto contra a prisão de professores da USP, entre eles Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes. Se manifestou também contra a perseguição a intelectuais simplesmente por expressarem suas ideias, como no trecho a seguir:

““Se na ordem do dia está realmente uma política de reconstrução nacional, não é perseguindo, por suas ideias, professores, cientistas, escritores e artistas, não é humilhando-os nem mantendo-os sob constantes ameaças que se conseguirá promovê-la, sejam quais forem as forças materiais com que possam contar. Pois o que reside à base e é fator preponderante dessa reconstrução em qualquer de seus setores é a educação, a ciência e a cultura.”

Em 1967 foi eleito para a cadeira n.º 14 da Academia Brasileira de Letras. Pertenceu também à Academia Paulista de Letras.

Fernando de Azevedo faleceu em São Paulo, São Paulo, no dia 18 de setembro de 1974.

Obras de Fernando de Azevedo

  • Novos Caminhos e Novos Fins (1922)
  • Princípios de Sociologia (1935)
  • A Educação e Seus Problemas (1937)
  • Sociologia Educacional (1940)
  • A Cultura Brasileira, Introdução ao Estudo da Cultura no Brasil (1943)
  • As Universidades no Mundo do Futuro (1947)
  • Canaviais e Engenhos na Vida Política do Brasil (1948)
  • Um Trem Corre Para o Oeste (1950)
  • Na Batalha do Humanismo (1952)
  • A Educação Entre Dois Mundos (1958)

Prêmios

  • Prêmios Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, 1944
  • Cruz de Oficial da Legião de Honra, da França, 1947
  • Prêmio de Educação Visconde de Porto Seguro, de São Paulo, 1964
  • Prêmio de Ciências Sociais, do Moinho Santista, 1971
Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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