Khalil Gibran

Filósofo e escritor libanês
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Khalil Gibran

Khalil Gibran (1883-1931) foi um filósofo, escritor, poeta, ensaísta e pintor libanês. Sua obra reflete a espiritualidade e os princípios que levam aos patamares mais altos da alma humana. É conhecido por ter criado frases inspiradoras. Seu livro mais conhecido é “O Profeta”.

Khalil Gibran nasceu em Bicharré, nas montanhas do Líbano, no dia 06 de dezembro de 1883. Vivia com seu pai, sua mãe, um irmão e duas irmãs.

Infância e Juventude

Khalil Gibran tinha oito anos quando certo dia um vendaval atingiu sua cidade. Fascinado, abriu a porta e saiu a correr com os ventos. Quando a mãe o alcança e o repreende, ele reponde: “Mas mamãe, eu gosto das tempestades”. Posteriormente escreveu seu melhor livro em árabe intitulado “Temporais”.

Em 1894, com onze anos, emigrou com sua mãe e seus irmãos para Boston. O pai permanece em Bicharré.

Em 1898 voltou ao Líbano para completar seus estudos árabes e ingressou no Colégio da Sabedoria, em Beirute. Ouviu do diretor que uma escada deve ser galgada degrau por degrau e respondeu: “Mas as águias não usam escadas”.

Em 1902 retornou para Boston. No ano seguinte morrem sua mãe e seu irmão. Nessa época, passa a escrever poemas e meditações para o jornal árabe publicado em Boston, Al-Muhajer (O Emigrante).

Com um estilo feito de música, imagens e símbolos passou a atrair a atenção do mundo árabe.

Literatura e pintura

Dedicou-se à pintura e ao desenho, elaborando uma arte mística e abstrata. Em 1905 publicou, em árabe, o livro “A Música”, e em 1906, “As Ninfas do Vale”.

Uma exposição com seus primeiros quadros despertou o interesse de Mary Haskell, diretora de uma escola americana, que lhe ofereceu um curso de artes em Paris.

Em 1908, Khalil Gibran seguiu para Paris e ingressou na Academie Julien. Frequentou museus e exposições. Conheceu Auguste Rodin, que previu um grande futuro para o artista.

Uma de suas telas foi escolhida para a Exposição de Belas Artes de 1910. Nesse período morreram seu pai e uma irmã.

Ainda em 1910, Khalil voltou para Boston e logo mudou-se para Nova York, onde reúne em volta de si, diversos escritores libaneses e sírios, que formam uma academia literária, Ar-Rabita Al-Kalamia (A Liga Literária), que publicava duas revistas árabes: “As Artes” e “O Errante”.

Livros publicados em árabe:

  • As Almas Rebeldes (1908)
  • As Asas Partidas (1912)
  • Uma Lágrima e um Sorriso (1914)
  • As Procissões (1919)  
  • Temporais (1920).

Livros publicados em inglês:

  • O Demente (1918)
  • O Precursor (1920)
  • O Profeta” (1923)
  • Areia e Espuma (1927)
  • Jesus, o Filho do Homem (1928)
  • Os Deuses da Terra” (1931)

O Profeta

A primeira edição de sua grande obra, "O Profeta” foi lançada em Nova Iorque, em 1923. Os temas do livro despertam o interesse humano, como o amor, o casamento, a liberdade, a religião, os filhos, o trabalho, a morte e outros assuntos análogos.

No livro, cada ideia se reveste de uma imagem, se transfigura em parábola, e essas imagens e parábolas, aliadas à melodia das frases envolveram o livro em uma atmosfera de encantamento irresistível.

O Profeta seduz pela filosofia da vida nele contida. Gibran era um sábio e guia espiritual que ambicionava definir um ideal de vida para si mesmo e para todos os homens.

Sem abandonar a pintura, ilustrou seus livros e seus quadros foram expostos em Boston e em Nova York.

Gibran dedicou toda sua vida a escrever e pintar. Nunca se casou. Suas casas foram sempre as mais simples e mais modestas. E, seu modo de viver não se alterou quando a venda de seus livros e quadros o tornou milionário.

Morte

Khalil Gibran faleceu, vítima de tuberculose, em Nova York, no dia 10 de abril de 1931.

Após sua morte, foram publicados os livros: “Curiosidades e Belezas”, “O Errante” (1932), “O Jardim do Profeta” (1933).

Frases de Khalil Gibran

“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da Vida por si mesma. Vem através de vós, mas não de vós, e embora vivam convosco não vos pertencem”.

“O amor nada á senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio. O amor não possui e não deixa possuir, pois basta-se a si mesmo”.

“Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza seus presentes. E há os que pouco têm e dão-no inteiramente”.

“Alguns dentre vós dizeis: A alegria é maior que a tristeza, e outros dizem: Não, a tristeza é maior. Porém, eu vos digo que elas são inseparáveis. Vão sempre juntas e, quando uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama”.

“Vossa alma é frequentemente um campo de batalha onde vossa razão e vosso juízo combatem contra vossa paixão e vosso apetite. Pudesse eu ser o pacificador de vossa alma, transformando a discórdia e a rivalidade entre vossos elementos em união e melodia”.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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