Lygia Fagundes Telles

Escritora brasileira

Biografia de Lygia Fagundes Telles

Lygia Fagundes Telles (1923) é uma escritora brasileira. Romancista e contista, é a grande representante do movimento pós-modernismo. É membro da Academia Paulista de Letras, da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa. 

Infância e Formação

Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, no dia 19 de abril de 1923. Filha do promotor Durval de Azevedo Fagundes e da pianista Maria do Rosário Silva Jardim de Moura, passou sua infância em várias cidades do interior em função do trabalho do pai. Seu interesse por literatura começou na adolescência. Com 15 anos, com a ajuda do pai, publicou seu primeiro livro de contos, "Porão e Sobrado".

De volta à capital, estudou no Instituto de Educação Caetano de Campos. Em seguida, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo. Nessa mesma época, cursou Educação Física na mesma universidade. Ainda estudante, colaborava com os jornais “Arcádia” e “A Balança”, ambos vinculados à Academia de Letras da faculdade. Nessa época, frequentava os encontros de literatura com Mário e Oswald de Andrade.

Careira Literária

A estreia oficial de Lygia Fagundes Telles na literatura ocorreu em 1944, com o volume de contos "Praia Viva". Em 1947, casou-se com um de seus professores, o jurista Goffredo Telles Júnior, com quem teve um filho. Segue com a contínua produção de contos e romances, entre eles, “Ciranda de Pedra” (1954), onde relata a história de um casal que se separa e a caçula vai morar com a mãe, onde vive os dramas ocultos de uma jovem de pais separados. (A obra foi posteriormente adaptada para uma novela na TV Globo).

Em 1958, publica o livro de contos, “História do Desencontro”, que recebeu o Prêmio do Instituto Nacional do Livro. Em 1960 se separa do marido. Em 1963, publica seu segundo romance “Verão no Aquário”, que recebeu o Prêmio Jabuti. Nesse mesmo ano, casa-se com o ensaísta e crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes. Com ele, escreveu o roteiro para o filme Capitu (1967), baseado na obra Dom Casmurro de Machado de Assis, uma encomenda de Paulo César Saraceni, que recebeu o Prêmio Candango de Melhor Roteiro Cinematográfico.

Prêmios e a Academia

A década de 70 foi o ano da consagração de Lygia. O livro de contos “Antes do Baile Verde” (1970) recebeu o Prêmio Internacional de Escritoras, na França. O livro “As Meninas” (1973), que se tornaria um dos seus mais importantes romances, recebendo o Prêmio Jabuti, em 1974, e adaptado ao cinema em 1975, dirigida por Emiliano Ribeiro. A obra traça um paralelo entre a vida de três pessoas que agitaram a juventude em um período conturbado da história do Brasil. “Seminário dos Ratos” (1977) recebeu o Prêmio PEN Clube do Brasil. “A Disciplina do Amor” (1980) recebeu o Prêmio Jabuti e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Em 1982, Lygia Fagundes Telles foi eleita para a Academia Paulista de Letras. Em 1985, tornou-se a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira n.º 16, no dia 12 de maio de 1987. Nesse mesmo ano, foi eleita para a Academia das Ciências de Lisboa. A consagração de Lygia veio em 2001, quando recebeu o Prêmio Camões, que lhe foi entregue em 13 de outubro de 2005, durante a VIII Cúpula Luso-brasileira, realizada na cidade do Porto, Portugal. Em 2016 e aos 92 anos de idade, Lygia Fagundes Telles tornou-se a primeira mulher brasileira a ser indicada para receber o prêmio Nobel de Literatura.

Características da obra de Lygia Fagundes Telles

A obra de Lygia Fagundes Telles apresenta um universo marcadamente feminino, embora comprometida em documentar a difícil condição de vida de uma sociedade frágil dos centros urbanos, uma literatura engajada, destinada a documentar a história trágica do país, como se lê em “As Meninas”. Por sua vasta produção literária é considerada uma das maiores romancista e contistas da literatura brasileira. É uma das mais destacadas representantes do Movimento Pós-Modernista no Brasil.

Frases de Lygia Fagundes Telles

Já que é preciso aceitar a vida, que seja então corajosamente.

Não peça coerência ao mistério nem peça lógica ao absurdo.

Se é difícil carregar a solidão, mais difícil ainda é carregar uma companhia.

A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida.

O menino então sorri e nem o inimigo mais feroz resistirá a esse sorriso de quem se oferece tão sem defesa.

A beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite, está no crepúsculo, nesse meio tom, nessa incerteza.

Obras de Lygia Fagundes Telles

  • Porão e Sobrado, contos, 1938
  • Praia Viva, contos, 1944
  • O Cacto Vermelho, contos, 1949
  • Ciranda de Pedra, romance, 1954
  • Histórias do Desencontro, contos, 1958
  • Verão no Aquário, romance, 1964
  • Histórias Escolhidas, contos, 1964
  • O Jardim Selvagem, contos, 1965
  • Antes do Baile Verde, contos, 1970
  • As Meninas, romance, 1973
  • Seminário dos Ratos, contos, 1977
  • Filhos Prodígios, contos, 1978
  • A Disciplina do Amor, contos, 1980
  • Mistérios, contos, 1981
  • Venha Ver o Por do Sol e Outros Contos, 1987
  • As Horas Nuas, romance, 1989
  • A Noite Escura e Mais Eu, contos, 1995
  • Invenção e Memória, contos, 2000
  • Biruta, contos, 2004
  • Histórias de Mistérios, contos, 2004
  • Conspiração de Nuvens, contos, 2007
  • Passaporte para a China, contos, 2011
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Última atualização: 27/08/2018

Possui bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.