Oscar Wilde

Escritor irlandês
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Oscar Wilde

Oscar Wilde (1854-1900) foi um escritor irlandês, autor da obra “O Retrato de Dorian Gray”, seu único romance, considerado uma das mais importantes obras da literatura inglesa. Escreveu novelas, poesias, contos infantis e dramas. Foi mestre em criar frases irônicas e sarcásticas.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde nasceu em Dublin, Irlanda, no dia 16 de outubro de 1854. Filho do médico Willian Wilde e da poetisa e jornalista, Jane Francesca Elgee, defensora do movimento para independência irlandesa, cresceu rodeado de intelectuais.

Estudou no Royal School dw Enniskillen, desde os dez anos. Nesse período, amava a solidão, detestava toda forma de exercícios e refugiava-se na poesia e nos clássicos gregos. Embora parecesse pouco aplicado, sempre tirava as maiores distinções.

Frequentou o Trinity College, de Dublin, entre 1871 e 1873, e nessa época, além de outros prêmios, recebei a medalha de ouro por seu conhecimento de grego. Criado no protestantismo converteu-se ao catolicismo.

Carreira Literária

Entre 1874 e 1878, Oscar Wilde estudou na Magdalen College de Oxford, quando recebeu o prêmio Newdigate de poesia com o poema “Revenna”. Nessa época, lançou os fundamentos do Culto Estético (A Arte Pela Arte), que posteriormente chamou de “Dandismo”.

A obra foi baseada na ideia de que a vida deveria ser norteada pelas preocupações artísticas como forma de enfrentamento dos problemas do mundo moderno. Visava transformar o tradicionalismo da "Época Vitoriana", levando um tom de vanguarda às artes.

Em 1876, depois de conquistar as mais elevadas láureas acadêmicas, visitou a Itália, sendo recebido em audiência pelo papa. No ano seguinte foi conhecer a Grécia.

Depois de formado, Wilde passou a morar em Londres, onde levava uma vida extravagante e anarquista, um verdadeiro “dândi”. Em 1881, publicou o livro “Poemas”, no qual reuniu suas primeiras poesias publicadas em vários periódicos e revistas, ainda na época da faculdade.

Em 1882 foi convidado para ir aos Estados Unidos para participar de uma série de palestras sobre o Movimento Estético por ele fundado. De volta à Europa, passou alguns meses em Paris, onde entrou em contato com grandes vultos daquele tempo: Paul Verlaine, Émile Zola, Victor Hugo, Edgar Degas, e Camille Pissarro

Em 1883 foi assistir em Nova Iorque a estreia de sua peça “Vera”. No ano seguinte, casou-se com Constance Lloyd, filha de um advogado bem sucedido de Dublin, e foram morar em Chelsea, bairro dos artistas londrinos. O casal teve dois filhos, Cyril e Vyvyan, nascidos entre 1885 e 1886, que, mais tarde negaram o nome do pai, mudando o nome Wilde para Holland.

O Retrato de Dorian Gray

Os anos mais produtivos de Oscar Wilde foram entre 1887 e 1895, quando publicou poemas, contos, novelas e dramaturgia. Em 1888 publicou o livro de contos “O Príncipe Feliz”, que teve boa acolhida.

Em 1891 publicou sua obra prima "O Retrato de Dorian Gray", seu único romance, que retrata a hipocrisia da sociedade inglesa vitoriana, um de seus livros mais lidos.

Como autor de teatro, Oscar Wilde renovou a dramaturgia vitoriana com as obras: “Salomé” (1891), escrita em francês, “A Importância de Ser Sério” (1895), considerada sua obra-prima no gênero e muito encenada, cujo título original encerra um jogo de palavras entre earnest (sério) e Ernest (Ernesto).

Julgamento e Prisão

Em 1895, veio à tona o relacionamento de Oscar Wilde com Lord Alfre Douglas (apelidado de Bosie), filho do marquês de Queensberry. Desde então, teve início uma campanha difamatória em periódicos e revistas acusando Wilde de tentar um caso amoroso o filho do marquês. Wilde tentou defender-se com um processo contra Queensberry, mas não teve sucesso.

No dia 27 de maio de 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão e trabalhos forçados por atentado ao pudor. As inúmeras petições de clemência solicitadas por setores progressistas e pelos mais importantes círculos literários europeus não foram suficientes para sua soltura.

Os elevados custos do processo o levaram à falência. Wilde viu sua fama desmoronar, seus livros foram recolhidos e suas comédias retiradas de cartaz.

Na prisão, Wilde escreveu "A Balada do Cárcere de Reading" e "De Profundis" (1905), uma longa carta se recriminação a Lord Douglas, seu ex-amante e o causador de toda sua desgraça.

Caindo em si, Wilde escreveu:

“Por terrível que haja sido o que o mundo me fez, o que eu fiz a mim mesmo foi ainda mais terrível... Farto de me ver nos píncaros, desci deliberadamente às profundidades em busca de sensações novas. O que para mim, na esfera do pensamento, era o paradoxo, passou a ser a perversidade na esfera da paixão. Afinal, o desejo converteu-se numa enfermidade ou numa loucura, ou em ambas ao mesmo tempo... Agora, só me resta uma coisa: a humildade absoluta”.

Em seu “De Profundis”, uma amarga apologia da dor escrita por um poeta, Oscar Wilde despedira-se Assim: “A sociedade, tal como a constituímos, não terá mais lugar para mil, nem me oferecerá nenhum. Mas a Natureza, cujas doces chuvas caem tanto sobre os injustos como sobre os justos, terá nas rochas algum esconderijo onde me possa ocultar, e me oferecerá vales secretos em cujo silêncio poderei chorar em que me perturbem. Ela fará resplender as estrelas na escuridão para que eu não cambaleie nas trevas, fará soprar o vento sobre o rasto de meus passos, para que ninguém me persiga à morte, levar-me-á com suas abundantes águas, e curar-me-á com suas ervas amargas”.

Últimos anos e morte

Posto em liberdade em 19 de maio de 1897, estando com 41 anos, Wilde não se iludiu sobre a completa impossibilidade de recomeçar a vida na Inglaterra. Foi viver em Dieppe e depois em Paris, passando a usar o pseudônimo de "Sebastian Melmoth". Passou o resto de seus dias morando em hotéis baratos e se embriagando.

Oscar Wilde morreu em Paris, vítima de meningite, no dia 30 de novembro de 1900. O presídio onde Oscar Wilde cumpriu pena foi comprado por uma instituição de caridade e deverá ser transformado em um centro educativo com museu e atividades culturais. 

Frases de Oscar Wilde

  • "A vida é muito importante para ser levada a sério."
  • "Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal."
  • "Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje tenho certeza."
  • "Um homem pode viver feliz com qualquer mulher desde que não a ame."
  • "A arte nunca exprime nada que não seja ela própria."

Obras de Oscar Wilde

  • Ravena (1878)
  • Vera (1880)
  • Niilistas (1880)
  • A Duquesa de Pádua (1883)
  • O Príncipe Feliz (1888)
  • O Rouxinol e a Rosa (1888)
  • O Gigante Egoísta (1888)
  • O Fantasma de Canterville (1888)
  • O Crime de Lord Artur Savile (1888)
  • O Retrato do Sr. W. H. (1889)
  • O Retrato de Dorin Gray (1891)
  • A Alma do Homem sob o Socialismo (1891)
  • O Leque da Lady Windermere (1892)
  • Uma Mulher sem Importância (1893)
  • A Importância de ser Prudente (1895)
  • Um Marido Ideal (1895)
  • De Profundis (1897)
  • A Balada do Cárcere de Reading (1898)
Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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