Ricardo Reis

Heterônimo do poeta Fernando Pessoa

Biografia de Ricardo Reis

Ricardo Reis é um dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa. O poeta português foi vários poetas ao mesmo tempo, além de Ricardo Reis, foi também Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Tendo sido "plural", como se definiu, criou personalidades próprias para os vários poetas que conviviam nele. Cada qual tem sua biografia e um traço diferente de personalidade, como se fossem personagens de seu criador.

Ricardo Reis foi criado quando Fernando Pessoa escreveu os "Poemas de Índole Pagã". Em sua biografia consta que nasceu em Porto, Portugal, no dia 19 de setembro de 1887. Estudou em colégio de jesuítas e formou-se em medicina. Era monarquista e exilou-se no Brasil, em 1919, por discordar da Proclamação da República Portuguesa. Foi profundo admirador da cultura clássica, tendo estudado latim, grego e mitologia.

Ricardo Reis é a personalidade que se identifica com os clássicos da Antiguidade. Seu espírito reflete a doutrina de Epicuro, caracterizada pela identificação do bem soberano com o prazer, o qual há de ser encontrado na prática da virtude e na cultura do espírito. A obra desse heterônimo é a ode clássica, cheia de formalismo e princípios aristocráticos. O poeta latino Horácio foi um grande inspirador de sua poesia, principalmente no que diz respeito à filosofia de carpe diem, isto é, usufruir do momento, como também no uso de gerúndios, imperativos e inversões de sintaxe, como os hipérbatos.

As primeiras obras de Ricardo Reis foram publicadas na revista Athena, fundada por Fernando Pessoa em 1924. Entre 1927 e 1930, publicou várias Odes na revista Presença, de Coimbra. A ideia desenvolvida em sua obra faz parte do pensamento Greco-romano: clareza, equilíbrio, as boas formas de viver, o prazer, a serenidade. Além do epicurismo, Ricardo Reis possuía o estoicismo também como influência, que propõe a aceitação do acontecimento das coisas e a rejeição às emoções e sentimentos exacerbados.

Em sua biografia não consta a data da morte de Ricardo Reis, mas o escritor José Saramago em seu livro "O Ano da Morte de Ricardo Reis", situou-a em 1936.

Fragmento  do poema de Ricardo Reis extraído do Livro Primeiro (Athena, nº 1, 1924): 

“Melhor destino que o de conhecer-te / Não frui quem mente frui. Antes, sabendo, / Ser nada, que ignorando: /  Nada dentro de nada. / Se não houver em mim poder que vença / As parcas três e as moles do futuro, / Já me deem os deuses / O poder de sabe-lo, / E a beleza, incriável por meu sestro, / Eu goze externa e dada, repetida / Em meus passivos olhos, / Lagos que a morte seca."

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Última atualização: 15/09/2017