bell hooks

Intelectual e ativista norte-americana
Por Laura Aidar
Formada em Comunicação

Biografia de bell hooks

bell hooks (1952-2021) foi uma pensadora, professora, escritora e ativista negra norte-americana de grande importância, principalmente para o movimento antirracista e feminista.

Batizada com o nome de Gloria Jean Watkins, nasceu em Hopkinsville, ao sul dos EUA em 25 de setembro de 1952.

Com uma longa trajetória acadêmica, bell escreveu e publicou mais de 30 livros, em que apresenta sua visão de mundo empática e de resistência. 

Os temas que defendia em sua obra são a luta contra o racismo, a importância do amor, a desigualdade social e de gênero e a crítica ao sistema capitalista.

Por que bell hooks se assina com letra minúscula?

É curioso, mas o nome que a escritora adotou - bell hooks - se escreve assim, com letras minúsculas.

Essa foi uma maneira que ela encontrou de evidenciar a importância de seus escritos e legado, e não de sua figura, evitando assim um personalismo, valorizando a coletividade.

O nome foi escolhido como homenagem à sua avó, Bell Blair Hooks, mãe de sua mãe.

Vida de bell hooks

Vinda de uma família humilde e numerosa, bell tinha cinco irmãs e um irmão. Sua mãe era empregada doméstica e seu pai, zelador. 

Durante a infância estudou em escolas públicas em um momento onde a educação ainda era segregada racialmente.

Em 1973 conclui a licenciatura em Letras na Universidade de Stanford e três anos depois realiza o mestrado pela Universidade de Wisconsin-Madison.

Mais tarde, em 1981 conclui o doutorado na Universidade da Califórnia, pesquisando sobre a escritora Toni Morisson.

Sua carreira na educação foi intensa. Iniciou em 1976 dando aulas na Universidade do Sul da Califórnia sobre estudos étnicos.

Seguiu como professora, passando por diversas instituições norte-americanas. Ensinou estudos afro-americanos e estudos sobre as mulheres.

Importância de bell hooks

Sua carreira literária foi fecunda, lhe rendendo grande reconhecimento. bell escreveu poemas, livros teóricos e também literatura infantil, contribuindo enormemente para um maior pensamento crítico na sociedade, para além de seu país.

Seu primeiro livro de impacto foi Ain't I a Woman: Black Women and Feminism, traduzido como Não serei eu mulher? As mulheres negras e o feminismo. Nessa obra, a autora defende um movimento feminista mais inclusivo, jogando luz às questões de raça e gênero.

Importante destacar ainda sua identificação com o pensamento do intelectual brasileiro Paulo Freire, expresso sobretudo em sua obra Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade.

Morte de bell hooks

bell hooks faleceu aos 69 anos no dia 15 de dezembro de 2021 em Kentucky, EUA.

Sua família não entrou em detalhes, mas sabe-se que foi em decorrência de uma longa doença.

Pelas redes sociais, a família declarou: “A família está honrada com os inúmeros prêmios, honras e fama internacional que Gloria recebeu por seu trabalho como poeta, autora, feminista, professora, crítica cultural e ativista social. Temos orgulho em chamá-la de irmã, amiga, confidente e influenciadora”.

Livros importantes de bell hooks traduzidos 

  • Tudo sobre o amor (2021). São Paulo: Editora Elefante. 
  • Teoria Feminista - Da Margem ao Centro (2020). Lisboa: Orfeu Negro.
  • Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática (2020). São Paulo: Editora Elefante
  • Anseio: raça, gênero e políticas culturais (2019). São Paulo: Editora Elefante. 
  • Olhares Negros: raça e representação (2019). São Paulo: Editora Elefante. 
  • Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra (2019). São Paulo: Editora Elefante
  • Não serei eu mulher? - As mulheres negras e o feminismo (2018). Lisboa: Orfeu Negro.
  • Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade (2013). São Paulo: Martins Fontes

Pensamentos e frases de bell hooks

Eu não terei a minha vida reduzida. Eu não vou me curvar ao capricho ou à ignorância de outra pessoa. Saber ser solitário é fundamental para a arte de amar. Quando conseguimos estar sozinhos, podemos estar com os outros sem usá-los como formas de escape.

Desde do início do meu envolvimento com o movimento de mulheres fiquei incomodada pela insistência das mulheres brancas liberacionistas que a raça e o sexo eram duas questões separadas. A minha experiência de vida mostrou-me que as duas questões são inseparáveis, que no momento do meu nascimento, dois fatores determinaram o meu destino, ter nascido negra e ter nascido mulher.

No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros.

Ser oprimido significa a ausência de escolhas.

Enquanto não consegui fazer minha voz ser ouvida, não consegui pertencer verdadeiramente ao movimento. Antes de exigir que os outros me ouvissem, precisei ouvir a mim mesma, para descobrir minha identidade.

O poder transformador do amor é o fundamento de toda mudança social significativa. Sem amor, nossas vidas são sem significado.

Quando somos ensinados que a segurança está na semelhança, qualquer tipo de diferença parece uma ameaça. 

Laura Aidar
Formada em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.
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