Ludwig van Beethoven

Compositor alemão
Por Dilva Frazão

Biografia de Ludwig van Beethoven

Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi um compositor alemão. A Nona Sinfonia, conhecida também como Sinfonia Coral, por incluir coro em seu quarto movimento, foi a obra que o consagrou em todo o mundo.

Quando tinha 27 anos, Beethoven começou a desenvolver os primeiros sintomas de surdez e aos 48 já estava inteiramente surdo.

A surdez do compositor

Em 1796 surgiram os primeiros sintomas da surdez de Beethoven, que escondeu o problema de praticamente todos. Em algumas cartas escritas pelo artista nessa época, no entanto, já é possível observar queixas de zumbidos.
Alguns pesquisadores suspeitam que a surdez foi uma consequência de um episódio de febre tifóide, outros apontam para uma doença degenerativa do aparelho auditivo chamada otoesclerose.
Em 1801 Beethoven escreveu para o seu médico relatando que estava há alguns anos perdendo a audição. Essa perda progressiva do sentido que mais usava se arrastou durante praticamente três décadas, entre os 20 e 50 anos do compositor.
Convém lembrar que 1800 foi o início do período mais brilhante da carreira de Beethoven, quando o criador produziu as grandes sinfonias que lhe dariam imortalidade.
O gênio criador continuou compondo grandes peças porque, como não nasceu surdo, tinha memória auditiva e era capaz de criar composições na sua cabeça transformando-as, posteriormente, em partitura.
Aos 48 anos, Beethoven já estava inteiramente surdo e em sofrimento porque ouvia barulhos de modo constante. 

Principais músicas de Beethoven

Beethoven criou aproximadamente 200 obras, algumas delas se tornaram clássicos da música ocidental. As principais criações do compositor foram a Nona Sinfonia e a Quinta Sinfonia.

Nona Sinfonia

Quando criou a Nona Sinfonia, entre 1822 e 1824, Beethoven já estava surdo, o que é impressionante se pensarmos que ele chegou a reger a estreia da sua mais importante sinfonia no dia 7 de maio de 1824, quando tinha 53 anos.
Na ocasião, Beethoven, que já não ouvia nada, contou com a ajuda de um amigo, o primeiro violino da orquestra.
Como já não ouvia, Beethoven não percebeu os aplausos calorosos que recebeu ao final da apresentação - o compositor estava de costas para a plateia, como era habitual. Foi Karoline Unger, contralto solista, que virou o compositor de modo a que ele pudesse ver a reação do público.
A criação da sua mais famosa sinfonia ocupou dois anos de trabalho, que foram intercalados com as criações de outras composições menores.
Inovador para o seu tempo, Beethoven revolucionou ao incluir numa sinfonia cantores solistas e coro na parte final. Esses dois elementos aparecem na Nona Sinfonia durante o quarto movimento. Muito a frente do seu tempo, até então as composições desse tipo contavam apenas com a presença de instrumentos.
Os quatro solistas, além do coro, participam na parte final da Nona Sinfonia inspirada nos versos de Ode à Alegria, escrita por Friedrich Schiller em 1785.
A Nona Sinfonia, que foi a última das suas sinfonias, também é especialmente lembrada porque nela o compositor se aproxima do povo, provocando um sentimento de união e unidade.
O manuscrito original da Nona Sinfonia, praticamente integral, que contém mais de 200 páginas, faz parte do acervo do Departamento de Música da Biblioteca Estatal de Berlin, ao lado de outras obras-primas de Mozart e Bach. No manuscrito em Berlin faltam apenas duas partes: uma delas (duas páginas) está em Bonn, na Casa de Beethoven, e outra parte (três páginas) se encontra na Biblioteca Nacional em Paris.

Ode à Alegria

A Ode à Alegria, também conhecida como Hino à Alegria (no original Ode an die Freude), se encontra na parte final da Nona Sinfonia de Beethoven e louva a humanidade, que passa a se encontrar novamente reunida e em estado de contentamento.
O desejo de celebrar a fraternidade e a igualdade entre os homens já acompanhava Beethoven há bastante tempo, desde que o compositor teve um maior contato com os valores pregados durante a Revolução Francesa.
A parte instrumental da Ode à Alegria - apenas a melodia -, criada por Beethoven partir dos versos do poema An die Freude, do alemão Friedrich Schiller (1759-1805), se transformou em 1985 no hino oficial da União Europeia.
Com o passar do tempo, a composição se tornou um símbolo de paz e comunhão entre os povos. A criação possui um célebre verso onde anuncia que “todos os homens se tornam irmãos”.

Quinta Sinfonia

Beethoven começou a trabalhar na sua Quinta Sinfonia em 1804, mas só se dedicou mesmo a ela em 1807, tendo concluído o projeto no ano a seguir.
A primeira vez que a Quinta Sinfonia foi tocada foi no dia 22 de dezembro de 1808, no Theater an der Wien, em Viena, tendo sido regida pelo próprio Beethoven, que também executou a Sexta Sinfonia entre outras peças suas. Durante aquela noite de inverno, o público assistiu durante quatro horas composições exclusivamente produzidas por Beethoven praticamente desconhecidas.
A Quinta Sinfonia era dedicada ao conde Razumovsky e ao príncipe Lobkowitz. Uma composição fora do seu tempo, a Sinfonia, que era muito moderna para a ocasião em que foi apresentada, se tornou no século XX a composição mais famosa do mundo ocidental. 

Outras criações importantes do compositor foram:

  • Três Sonatas para Piano, Opus 2 (1797)
  • Trio em Mi Bemol, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 3 (1797)
  • Serenata em Ré, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 8 (1798)
  • Três Sonatas para Piano e Violino, Opus 12 (1799)
  • Sonata em Dó Menor para Piano, Opus 13 (1799) (Sonata Patética)
  • Duas Sonatas para Piano, Opus 14
  • Septeto em Mi Bemol, Opus 20 (1800) (Dedicado à Imperatriz Maria Teresa da Áustria)
  • Sinfonia n.º 1 em Dó Maior, Opus 21 (1800)
  • Concerto n.º 3, em Dó Menor, para Piano e Orquestra, Opus 37 (1800) (Dedicado ao Rei Luís Fernando da Prússia)
  • Sonata Quase uma Fantasia, Opus 27 n.º 2 (Sonata ao Luar)
  • Sinfonia n.º 2 em Ré Maior, Opus 36
  • Sinfonia n.º 3 em Mi Bemol Maior, Opus 55 (1805) (Heroica) (Título original “Sinfonia Grande – Titolata Bonaparte” (Ao saber que Napoleão se fizera imperador dos franceses, trocou o título para “Sinfonia Heróica”)
  • Ópera Fidelio (1805)
  • Sonata em Fá Menor para Piano, Opus 57 (1808) (Appassionata) (Representou o rompimento dos últimos elos que o ligavam ao classicismo e a adoção da linguagem emotiva que caracterizou a época romântica)
  • Concerto n.º 5, para Piano e Orquestra, Opus 73 (1809) (Imperador)
  • Bagatela para piano (Für Elise) (1810)
  • Sinfonias n.º 7 e n.º 8 (1812)
  • Sonatas para Piano, Opus 106, 109, 110 e 111 (1822)
  • Missa Solene em Ré Maior, Opus 123 (1823)
  • Quartetos para Cordas, Opus 127, 130, 131, 132 e 135 (1825) (suas últimas composições)

Infância de Beethoven

Ludwig van Beethoven nasceu em Bonn, Alemanha, e foi batizado no dia 17 de dezembro de 1770.

Filho e neto de músicos, com apenas cinco anos, sob a orientação rígida do pai, começou a estudar cravo, violino e viola.

Com sete anos participou de um recital na Academia de Sternengass.

Beethoven
Casa onde nasceu Beethoven, em Bonn

Com diversos professores, estudou a obra de Bach, aprendeu a tocar órgão e piano e começou a aprender também composições e teoria musical.

Com 11 anos foi nomeado organista-suplente da corte.

Adolescência

Aos 13 anos já era solista de cravo na corte de Bonn. Passou a receber a proteção do Príncipe Max Franz, governante de um dos 300 pequenos Estados que formavam o Império da Alemanha.

Beethoven criança
O jovem Beethoven aos 13 anos de idade

Nessa época, Beethoven publicou a sua primeira obra: Nove Variações para Piano sobre uma Marcha de Ernest Christoph Dressler. Com 14 anos publicou Três Sonatinas para Piano.

Reconhecimento como músico

Em 1787, com 17 anos, o compositor seguiu para Viena onde foi recebido por Mozart, que lhe previu um grande futuro.

Em 1791, com apenas 21 anos, já desfrutava de prestígio junto à nobreza de Bonn.

A nata da sociedade já não dispensava em suas festas a presença do músico, que pouco frequentou a escola, mas havia cursado a universidade como ouvinte para adquirir cultura.

Recitais para a Nobreza

Em 1792, Beethoven retorna à Viena, em definitivo. As cartas de apresentação lhe abriram as portas da nobreza local.

O Príncipe Karl Lichnowsky o instalou no palácio e lhe pagava uma pensão. Os recitais constituíam o divertimento predileto da nobreza. As apresentações musicais limitavam-se quase só a concertos nos palácios.

Só em 1795, Beethoven fez sua primeira apresentação pública, quando executou um concerto para piano que foi delirantemente aplaudido. 

A artista ganha o mundo

Em 1796, Beethoven se apresentou em Praga e Berlim, onde cumpriu um extenso programa para a corte imperial, do qual constavam Duas Sonatas para Violoncelo, Opus 5, escrita especialmente para a ocasião.

Em 1797, estava com 27 anos e crescente prestígio que atraía alunos e convites para recitais nacionais e internacionais, o que lhe proporcionava uma folga financeira.

Beethoven

O declínio do artista

Em 1824, o compositor apresentou pela primeira vez a sua famosa Sinfonia nº 9. No fim da apresentação uma tempestade de aplausos saudou o gênio.

Envelhecido e doente, o compositor já não se empolgava com o êxito e a repercussão de sua música.

Beethoven

Morte de Beethoven

lápide Beethoven
A lápide de Beethoven situada em Vienna

Ludwig van Beethoven morreu em Viena, Áustria, aos cinquenta e seis anos, no dia 26 de março de 1827.

A causa da sua morte do compositor ainda é um mistério, as principais suspeitas recaem sobre a tese de um envenenamento (intoxicação por chumbo) e um desgaste natural do corpo pela cirrose.

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.
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