Ernesto Nazareth

Pianista e compositor brasileiro
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Ernesto Nazareth

Ernesto Nazareth (1863-1934) foi um pianista e compositor brasileiro. Sua música que se situa entre a erudita e a popular, teve importante papel na cultura do país nos séculos XIX e XX. Desenvolveu um gênero peculiar, entre a valsa e o choro, que chamava de "tango brasileiro".

Ernesto Júlio de Nazareth nasceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de março de 1863. Seu pai, Vasco Lourenço da Silva Nazareth era um despachante aduaneiro e sua mãe, Carolina Augusta da Cunha Nazareth era dona de casa e pianista amadora.

Com 3 anos de idade, Ernesto começou a despertar interesse pela música, ao ouvir sua mãe executando peças de Chopin, Beethoven, entre outros compositores.

Aprendeu com sua mãe as primeiras noções do instrumento. Em 1874, após a morte da mãe, passou a receber aulas com Eduardo Rodrigues de Andrade Madeira, amigo da família, e com Charles Lucien Lambert, famoso professor norte-americano radicado no Rio de Janeiro.

Primeira composição

Com 14 anos, Ernesto Nazareth compôs sua primeira música intitulada “Você Bem Sabe”, uma polca-lundu – ritmo muito popular no Brasil que era tocado nos bailes da época- que dedicou ao seu pai.

Com 16 anos, Ernesto Nazareth fez sua primeira apresentação pública, em um recital no salão do Clube Mozart.

Carreira

Em 1883, com 20 anos, Ernesto Nazareth já dividia seu tempo em compor e dar aulas de piano.

Em 1886, casou-se com Theodora Amália Leal de Meirelles, onze anos mais velha, com quem teve quatro filhos. Mais tarde, compôs para ela a valsa “Dora.

Com formação musical erudita, o compositor gostava de mesclar estilos, compondo polcas, lundus, maxixes e choros, músicas populares tocadas na época.

Tango brasileiro

Ernesto Nazareth desenvolveu um gênero peculiar, entre a valsa e o choro, que passou a chamar de “tango brasileiro”.

Seu primeiro “tango brasileiro” intitulado “Brejeiro” foi escrito em 1893 e se tornou sucesso nacional.

Em 1904, sua composição, “Brejeiro” foi gravada pelo cantor Mário Pinheiro, com o título “Sertanejo Enamorado”, com letra de Catulo da Paixão Cearense.

Seu primeiro concerto foi apresentado em 1898, no Salão Nobre da Intendência de Guerra.

Em 1902, teve sua música “Está Chumbado”, gravada em disco pela Banda do Corpo de Bombeiros, com regência de Anacleto de Medeiros.

Odeon

Intérprete constante de suas próprias composições, Ernesto Nazareth se apresentava em bailes, reuniões e cerimônias sociais.

Em 1910, Ernesto Nazaré passou a se apresentar na sala de espera do cinema Odeon, o mais luxuoso da época, onde muita gente frequentava só para ouvir o pianista.

“Odeon” acabou sendo o nome de um de seus tangos mais famoso. Cinquenta anos mais tarde, sua composição recebeu uma letra escrita por Vinícius de Moraes e foi gravada por Nara Leão.

Gravações e apresentações

Ernesto Nazareth escreveu mais de 200 peças para piano. Em 1914 sua polca, “Apanhei-te Cavaquinho!”, com seu ritmo de andamento rápido, fez grande sucesso nos bailes da época.

Ernesto Nazareth trabalhou como pianista demonstrador na Casa Carlos Gomes, uma loja que vendia partituras e instrumentos musicais. As apresentações de Nazareth eram bastante apreciadas pelos clientes.

Em 1926 iniciou uma turnê pelo estado de São Paulo, quando realizou recitais na capital, em Campinas, Sorocaba e Tatuí.

Entre 1928 e 1929 teve algumas músicas gravadas por Francisco Alves e Vicente Celestino.

Ainda em 1929, participou do Festival do Instituto Nacional de Música, onde se apresentaram cantores amadores, entre elas, Carmem Miranda, com apenas 19 anos.

Nesse mesmo ano, sua esposa faleceu o que o deixou bastante abalado. Em 1930 terminou sua última composição “Resignação”.

Em janeiro de 1932, em companhia das filhas, foi de navio para o Rio Grande do Sul onde fse apresentou em diversas cidades.

Doença e morte

Com problemas auditivos quase não ouvia o que tocava. No dia 29 foi para o Uruguai, e durante um passeio sofreu uma crise nervosa. De volta ao Rio, foi diagnosticado com sífilis e internado no Hospício Pedro II, onde ficou até janeiro de 1933.

Em março de 1933 começou a manifestar problemas mentais, que motivaram sua internação na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

No ano seguinte fugiu e foi encontrado morto por afogamento em uma represa próxima à colônia.

Ernesto Nazareth faleceu em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, no dia 1 de fevereiro de 1934.

Composições de Ernesto Nazaré

Polcas

  • Apanhei-te Cavaquinho
  • Ameno Resedá
  • Não Caio Noutra!

Valsas

  • Confidência
  • Coração Que Sente
  • Expansiva
  • Faceira
  • Fidalga
  • Turbilhão de Beijos

Tangos

  • Atrevido
  • Brejeiro
  • Batuque
  • Bambino
  • Duvidoso
  • Fon-Fon!
  • Matuto
  • Meigo
  • Odeon
  • Reboliço
  • Paraíso
  • Tenebroso
Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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