Nicolás Maduro

Político venezuelano
Doutora em Estudos da Cultura

Biografia de Nicolás Maduro

Nicolás Maduro Moros nasceu em Caracas no berço de uma família bastante politizada. O pai, Nicolás Maduro Garcia, era assumidamente de esquerda, engajado no movimento trabalhista.

Talvez devido à influência do pai, Nicolás ao invés de ingressar na universidade venezuelana optou por mudar de país e entrar na Escola de Formação Política, em Cuba.

Os primeiros passos na política

O começo da carreira de Maduro foi como condutor de metrô em Caracas. Logo a seguir, virou representante de um dos sindicatos da classe (fundador do Sindicato do Metrô de Caracas - SITRAMECA) e tornou-se líder trabalhista durante os anos 90.

Defensor do chavismo, esteve sempre ao lado daquele que considerava ser o seu líder.

Quando Chávez, que na época era oficial do exército, foi preso em 1992 pela tentativa de um golpe de Estado, Maduro fez campanha para a sua libertação.

Nicolás Maduro e Hugo Chávez.
Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Os primeiros anos no poder

Em 1998, Maduro foi eleito para a Câmara dos Deputados. Em 1999, ingressou como membro da Assembleia Nacional Constituinte, lá permaneceu durante muitos anos.

Em 2005 foi presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

No ano a seguir, virou ministro das Relações Exteriores e trabalhou para fortalecer o bloco da América Latina procurando diminuir o impacto dos Estados Unidos na região.

A ascensão à presidência

Com a saúde debilitada do então presidente Hugo Chávez, que contraiu um câncer, Maduro ganhou espaço político e tornou-se vice-presidente entre outubro de 2012 e março de 2013.

Em 5 de março, com a morte de Chávez, Nicolás assumiu o cargo de presidente interino. Vale sublinhar que naquela ocasião o maior rival de Maduro era Diosdado Cabello, o então presidente da Assembleia Nacional.

Maduro assumiu o poder presidencial definitivo através de uma eleição extraordinária no dia 14 de abril, quando se elegeu pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). O resultado foi apertado: 50,61% dos votos para Maduro e 49,12% para seu opositor Henrique Capriles.

Apesar da eleição ter sido questionada, Maduro tomou posse em 19 de abril.

Desde o princípio do seu mandato, o presidente encontrou um país dividido: a classe média não estava ao seu lado enquanto os militares e a polícia estavam. 

Ao longo desse primeiro mandato, mandou prender diversos opositores políticos como Leopoldo López. Conhecido pelo autoritarismo, o governo foi acusado de uma série de processos de tortura.

Crise econômica e política

Com a descida do preço do petróleo, a Venezuela entrou em uma profunda crise econômica. A crise também ficou marcada pela queda na produção industrial e nas exportações.

A inflação alcançou números estratosféricos, dos mais altos do mundo. Para se ter ideia, em 2016 a inflação subiu quase 800%, em 2017 o PIB caiu 14% e no princípio de 2018 a inflação chegou a bater 2.400% nos primeiros meses do ano.

Com a economia em recessão, os venezuelanos sofreram com uma redução da capacidade de compra, escassez de alimentos, medicamentos e produtos básicos. A população passou a sofrer com a desnutrição.

Diante desse cenário, muitos venezuelanos resolveram deixar o país e cruzaram a fronteira, especialmente rumo ao Brasil.

Depois de 16 anos no comando da Assembleia Nacional, o Partido Socialista Unido da Venezuela perdeu as eleições e a oposição tomou o poder. Com isso, as forças entraram em conflito direto com o presidente.

O atentado com drones (2018)

No dia 4 de agosto de 2018, drones carregados com explosivos foram enviados para estourarem junto do presidente durante um desfile comemorativo em Caracas.

O plano não deu certo, os seguranças agiram rapidamente e Maduro não ficou ferido. Confira o vídeo do atentado:

Segundo mandato

A eleição com baixa adesão ficou marcada por números escassos, apenas 46% dos eleitores compareceram às urnas.

Maduro venceu com cerca de 68% dos votos (ou seja, 5,8 milhões de votos).

Em 10 de janeiro de 2019, o então presidente foi empossado novamente. O segundo mandato o levaria a comandar o país até 2025.

A eleição foi questionada internacionalmente e muitos chefes de Estado não reconheceram o resultado das urnas.

O opositor Juan Guaidó

Também no princípio do ano de 2019 foi eleito Juan Guaidó, um opositor do regime chavista, para ser o chefe da Assembleia Nacional.

No dia 23 de janeiro, Guaidó deu uma declaração alegando que Maduro não havia sido democraticamente eleito e auto proclamou-se líder da Venezuela. Logo após o pronunciamente, Guidó foi apoiado por uma série de países como Estados Unidos, Brasil, Chile, Argentina, Colômbia e Equador.

Maduro, por sua vez, declarou-se como único presidente do país e recebeu o apoio de outras tantas nações como Cuba, México, Turquia e Rússia.

Vida pessoal

Depois de 19 anos de união, Maduro casou-se com Cilia Flores no dia 19 de abril de 2013.

Advogada, defensora dos presos políticos chavistas, Cilia desde sempre foi líder política. Atuou como deputada, presidente do Parlamento, procuradora geral da Venezuela e secretária executiva da campanha de Maduro para a presidência.

Maduro e a mulher Cilia Flores.
Maduro e a mulher Cilia Flores.

Nicolás tem um único filho biológico - Nicolás Maduro Guerra, também conhecido como Nicolasito - fruto do primeiro casamento.

Cilia tem dois filhos de relações anteriores: Yoswal Gavidia Flores e Walter Gavidia Flores.

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Última atualização: 14/05/2019

Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).