Pierre Verger

Fotógrafo francês

Biografia de Pierre Verger

Pierre Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês. Tornou-se um dos principais antropólogos e historiadores da cultura brasileira, sobretudo a popular, e da ancestralidade africana presente no sangue do brasileiro.

Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) nasceu em Paris, França, no dia 4 de novembro de 1902. Filho de uma família burguesa belga radicada na França era o mais novo entre os três irmãos, quando aos 30 anos se viu sozinho. O irmão Louis morreu em 1914, o pai morreu no ano seguinte, o segundo irmão, Jean, faleceu em1929, e a mãe morreu em 1932.

Entre 1920 e 1922 trabalhou na gráfica da família. Saiu para servir o exército. Voltou em 1924, mas nessa época, a gráfica da família faliu, e Verger não quis levar adiante o trabalho que sustentou ele, os pais e os irmãos. Desapegado dos bens materiais, decidiu trocar uma câmera arcaica, relíquia dos seus pais, por uma pequena câmera portátil recém-lançada, uma Rolleiflex, para então desbravar o mundo.

O ano de 1932 foi decisivo para Verger. Com o amigo e professor Pierre Boucher, aprendeu as técnicas da fotografia e iniciou uma série de viagens em busca da liberdade com a qual ele tanto sonhava. O primeiro passo se deu quando resolveu viajar para a Polinésia Francesa, junto com alguns amigos, quando percorreu as ilhas e fotografou tudo que o encantava.

Durante 14 anos, Verger viveu para a fotografia. Tendo a França como base, viajou o mundo registrando lugares e pessoas, histórias e tradições. Fez também longas caminhadas, com o desejo de conhecer, compreender e recontar tudo que era descoberto, sempre como correspondente de revistas e jornais europeus e americanos, entre eles, Paris-Soir - em 1934, Daily Mirror - de 1935 a 1936, Life - em 1937, Argentina Libre e Mundo Argentino - em 1941 e 1942 e O Cruzeiro - de 1945 a 1950.

Em 1934, Pierre Verger fundou a Alliance Photo, uma agência fotográfica para administrar e divulgar o material produzido por seus membros. Em 1946 Verger chegou ao Brasil, e ao desembarcar em Salvador, então tudo mudou para ele. Esteve em Recife e Olinda, e seu olhar deixou marcas inquestionáveis na formação sociocultural brasileira e na compreensão da raiz negra no país.

Como fazia em todos os lugares, procurava conviver com gente simples. Os negros monopolizavam sua atenção. Além de se dedicar à fotografia, estudou a cultura negra da África e do Brasil. Concentrou seu estudo na cultura Iorubá, e de fotógrafo passou a etnólogo e escritor. Conheceu e documentou a religião dos “voduns” em São Luís no Maranhão, o “xangô” em Pernambuco e em Salvador foi iniciado no candomblé.

Em 1966, Pierre Verger obteve o título de Doutor de Terceiro Grau da Sorbonne, com a tese sobre o tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia dos séculos XVII ao XIX. Em 1974 integrou a equipe docente da Universidade Federal da Bahia e em 1982 atuou na criação do Museu Afro-brasileiro. Em seus últimos anos de vida, Verger passou a disponibilizar suas pesquisas a um maior número de pessoas para garantir a sobrevivência de seu acervo. Em 1988, criou a Fundação Pierre Verger, transformando sua própria casa na sede da fundação e em um centro de pesquisa.

Pierre Verger faleceu em Salvador, Bahia, no dia 11 de fevereiro de 1996.

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Última atualização: 07/10/2016