Eugénio de Castro

Poeta português

Biografia de Eugénio de Castro

Eugénio de Castro (1869-1944) foi um importante poeta português, o pioneiro do Movimento Simbolista em Portugal. Foi também professor universitário em Coimbra.

Eugénio de Castro e Almeida nasceu em Coimbra, Portugal, no dia 4 de março de 1869. Desde menino frequentava as feiras de livros. Com 15 anos, começou a publicar seus primeiros versos: “Cristalização e Morte” (1884), “Canção de Abril” (1885), “Jesus de Nazaré” (1887) e “Horas Tristes” (1888). Nesse mesmo ano, concluiu o curso superior de Letras pela Universidade de Lisboa.

Depois de formado, Eugénio de Castro viveu algum tempo em Paris, onde entrou em contato com os simbolistas franceses, entre eles, Mallarmé e Rimbaud. Em 1889, de volta à Coimbra, fundou e dirigiu a revista “Os Insubmissos”, na qual, influenciado pelos franceses desperta para a nova estética: o Simbolismo - uma tomada de posição contra as rimas habituais e o vocabulário pobre que caracterizavam a poesia portuguesa.

A partir de 1914, Eugênio de Castro passou a lecionar na Universidade de Coimbra. Faleceu em Coimbra, Portugal, no dia 17 de agosto de 1944.

O Simbolismo em Portugal

Em 1890, Eugénio de Castro publica “Oaristos” (termo grego que significa diálogo íntimo), uma coletânea poética que marcou o início do Simbolismo em Portugal. O Simbolismo português surge numa linha de pensamento mergulhando no subjetivismo e no inconsciente, tornando a poesia um meio de sondagem do mundo interior do “eu” lírico.

A introspecção gerou tendências diversas nos muitos poetas do Simbolismo português, levando tanto a um intimismo saudosista como a angústia diante do destino e da morte. Em 1895, junto com Manuel Silva Gaio, fundou a revista “Arte”, que contribuiu para a afirmação e evolução do Simbolismo em Portugal. Apesar de seus inúmeros seguidores, os maiores representantes da poesia portuguesa, além de Eugénio de Castro, foram Camilo Pessanha e António Nobre.

Fases da Obra de Eugênio de Castro

  • As primeiras obras de Eugénio de Castro apresentam uma poesia com características da Escola Simbolista, com o uso de rimas novas e raras, que correspondem a sua produção poética até o fim do século XIX. Em contrapartida, a mesma poesia nem sempre se manteve fiel às propostas estéticas simbolistas, inclinando-se muitas vezes para o preciosismo formal próprio dos parnasianos.

São dessa fase as obras:

  • Oaristos (1890)
  • Horas (1891)
  • Interlúnio (1894)
  • Salomé e Outros Poemas (1896)
  • Saudades do Céu (1899

Um Sonho (poesia marcadamente simbolista)

Na messe, que enlouquece, estremece a quermesse...
O sol, o celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
      Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
      De acentos
               Graves,
               Suaves... (...)

  • Na segunda fase da obra de Eugénio de Castro, que corresponde aos textos escritos já no século XX, alguns poemas apresentam motivos bíblicos e aspectos da mitologia grega. As últimas poesias de Eugênio de Castro conquistam maior espiritualidade e alçam um conteúdo sobrenatural, místico e transcendental.

São dessa fase os poemas narrativos, como:

  • Constança (1900)
  • O Filho Pródigo (1910)
  • O Cavaleiro das Mãos Irresistíveis (1916)
  • Camafeus Romanos (1921)
  • Canções Desta Negra Vida (1922)
  • Cravos de Papel (1922)
  • Descendo a Encosta (1924)
  • Sonetos Escolhidos (1946)
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Última atualização: 11/12/2018

Possui bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.