Maria I de Portugal

Rainha de Portugal
Por Dilva Frazão

Biografia de Maria I de Portugal

Maria I de Portugal (1734-1816) foi rainha de Portugal entre 1777 e 1816. A primeira mulher a herdar o trono de Portugal, D. Maria I revolucionou a rígida administração anterior comandada pelo marquês de Pombal. Seu primeiro ato oficial foi demitir o marquês e por em prática um programa de liberalização do regime.

D. Maria I (Maria Francisca Isabel Josefa Antônia Gertrudes Rita Joana) nasceu no Paço da Ribeira, Lisboa, Portugal, no dia 17 de dezembro de 1734. Era a filha primogênita do rei José I de Portugal e de Mariana Vitória de Bourbon - filha do rei da Espanha D. Filipe V e de sua segunda mulher, Isabel Farnésio.

Infância

A princesa Maria foi criada em meio a três irmãs: Maria Benedita, Maria Ana e Maria Doroteia de Bragança, durante a opulência do reinado de D. João V, seu avô. Com três anos a princesa Maria já recitava versos latinos e cedo aprendeu castelhano, francês e latim.

No dia 31 de julho de 1750 o rei D. João faleceu, tendo a seu lado sua esposa D. Maria da Áustria, deixando como herdeiro da coroa o seu filho primogênito D. José. No mês seguinte, D. José I nomeou o marquês de Pombal para seu primeiro-ministro.

Casamento

Casamento da princesa Maria foi planejado ainda no reinado de seu avô quando o monarca pede dispensa ao papa para casar a princesa com seu tio D. Pedro. Com a morte de D. João V, D. José I retoma as negociações do casamento da futura herdeira do trono.

Rumores correm no reino sobre um eventual casamento da princesa com o infante da Espanha D. Luís Antônio. Porém, o noivo espanhol era filho de Filipe V e de D. Isabel de Farnésio, pais da rainha D. Mariana Vitória, portanto, também seu tio.

O que estava em causa era a própria sucessão da monarquia, já que, pela Lei Fundamental, uma mulher só poderia ser rainha de Portugal se o cônjuge fosse português. A escolha recaiu em D. Pedro, irmão de seu pai, dezoito anos mais velho do que a princesa.

Em 1755, Lisboa sofreu um terremoto de proporções significativa, seguido de um maremoto que destruiu grande parte da capital. Pombal foi encarregado da posterior reconstrução da cidade.

Por ordem de Pombal, os mortos eram jogados em alto-mar. As pessoas que fossem apanhadas roubando ou cometendo outros tipos de crimes, eram sumariamente enforcados.

Em 1759, seguindo o exemplo da Espanha e da França, o marquês de Pombal expulsa a Companhia de Jesus de Portugal e dos seus territórios, com o aval do para Clemente XIV, franciscano e favorável à extinção daquela Companhia.

Maria I de Portugal

No dia 6 de junho de 1760, finalmente foi realizado o casamento da princesa com seu tio D. Pedro, que se tornou rei consorte com o casamento com a futura rainha de Portugal, como Pedro III, assegurando assim a continuidade da dinastia da Casa de Bragança.  

Filhos de D. Maria I

Do casamento de princesa D. Maria com D. Pedro III, nasceram seis filhos, mas apenas três chegaram à idade adulta: D. José, o herdeiro aparente do trono, D. João, futuro rei D. João VI, D. Maria Ana Vitória.

D. Maria I – Reinado

Com a morte de D. José no dia 24 de fevereiro de 1777, no dia 13 de maio, D. Maria é aclamada Rainha de Portugal como D. Maria I, em uma cerimônia realizada na Praça do Comércio, em Lisboa. Foi a primeira mulher a herdar o trono de Portugal.

Quando subiu ao trono, D. Maria I encontra as prisões cheias de presos políticos, adversários da pessoa e da política do marquês de Pombal. Entre eles, alguns padres jesuítas, o bispo de Coimbra, os sobreviventes do massacre dos Távoras e os irmãos bastardos de D. José.

D. Maria I desejava um regresso da influência da Igreja e da alta nobreza sobre o Estado e a extinção de algumas medidas políticas e econômicas implantadas pelo Marquês de Pombal, que foi afastado do governo e exilado em Pombal.

Todos os presos estavam em estado lastimável e formam postos em liberdade. Essas medidas de clemência, reveladas pela rainha, viria a torna-la extremamente popular entre o povo e a realeza, sendo considerada “a mãe do povo” e uma santa.

No seu reinado, foi assinado o Tratado de Santo Idelfonso, que restituiu à Espanha a colônia do Sacramento, no sul do Uruguai. Completou os ajustes fronteiriços entre o Brasil e as colônias espanholas do rio da Prata.

De forte convicção religiosa, entre sua obras destacam-se a fundação da Casa Pia, no Castelo de São Jorge, para cuidar dos órfãos, a construção do Convento das Freiras Carmelitas Descalças de Santa Teresa, no Largo da Estrela e a Basílica da Estrela. Também se deve a D. Maria I a Academia Real das Ciências e a Biblioteca Nacional.

Maria “a louca”

O dia 25 de maio de 1786 morreu no Paço de Nossa Senhora da Ajuda, em Lisboa, o rei D. Pedro III.

Dois anos depois surgiram os primeiros sinais de demência da rainha, ano em que viu morrer sucessivamente, uma das pessoas de sua maior confiança, o marquês de Angeja, os seus filhos D. José, príncipe herdeiro, a princesa D. Mariana Vitórias e o infante D. Gabriel, todos eles vítimas da varíola.

Aterrorizada com a Revolução Francesa, não reconheceu a Convenção de 1792. No dia 10 fevereiro de 1792, uma junta médica declarou-a incapaz de governar. Foi por isso chamada  “a louca”.

D. João VI - sucessor

Em 1792 o governo de Portugal foi entregue ao príncipe D. João, futuro D. João VI. O título de Príncipe Regente só lhe é entregue em 1799.

Em setembro de 1806, D. João decidiu embarcar com toda a família real para o Brasil, sob a proteção de navios britânicos, fugindo da invasão napoleônica.

No dia 29 de novembro de 1807, sai de Portugal uma frota composta de 15 navios da esquadra real e outros navios mercantis. D. João procedia a transferência de toda a Corte e a administração do Reino para o Brasil, longe dos generais franceses.

No dia 22 de janeiro de 1808, os navios atracavam em Salvador. O Brasil que até então era uma colônia, passou a ser a sede do governo português. Em 28 de janeiro de 1808, seis dias após sua chegada em Salvador, Dom João assina a carta régia, decretando a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior.

D. João e a comitiva saem da Bahia, no dia 7 de março de 1808, em direção ao Rio de Janeiro, onde é recebido com festas. No dia 1 de abril, por meio de alvará, decretou a liberdade industrial, revogando o alvará de D. Maria I, que proibia o estabelecimento de fábricas no Brasil.

D. Maria I faleceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de fevereiro de 1816. O seu corpo repousa na Basílica da Estrela, Portugal, por ela mandada edificar. O rei D. João VI só foi coroado rei de Portugal no dia 6 de fevereiro de 1818.

Última atualização: 25/09/2020

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.
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