Isabel de Castela

Rainha de Castela
Por Dilva Frazão

Biografia de Isabel de Castela

Isabel I de Castela (1451-1504) foi Rainha de Castela e Leão entre 1474 e 1505 e Rainha Consorte de Aragão entre 1479 e 1504. Fernando de Aragão e Isabel de Castela receberam o título de “Reis Católicos”, conferido pelo papa Alejandro VI como reconhecimento pela ajuda à expansão da fé católica.

Isabel de Castela, também conhecida como “Isabel a Católica” nasceu em Madrigal das Altas Torres, na província de Ávila, no palácio onde hoje está localizado o Mosteiro de Nossa Senhora da Graça, no dia 22 de abril de 1451.

Filha do Rei João II de Castela e sua segunda esposa, Isabel de Portugal, era descendente de João Gaunt, Duque de Lancaster. Em 1453 nasceu o seu irmão, Afonso.

No século XV ainda não existia um país chamado Espanha. Só haviam pequenos reinos independentes que lutavam entre si: Aragão, Castela, Granada (ocupada pelos árabes) e Navarra.

Infância e juventude

Em 1454, Isabel tinha apenas três anos quando seu pai faleceu e seu meio irmão, Henrique, filho do primeiro casamento de seu pai com Maria de Aragão, herdou a coroa do Reino de Castela e passou a ser conhecido como Henrique IV.

Em 1462 nascia Joana, a herdeira de Henrique, filha de sua segunda esposa, Joana de Portugal. Logo que nasceu surgiram rumores que Joana era filha da rainha com o fidalgo espanhol D.  Beltrán de La Cueva, Duque de Albuquerque.

Em 1465, parte da nobreza que fazia oposição a Henrique IV, declarou guerra ao rei e o depôs, proclamando em seu lugar o seu meio irmão, o Infante Afonso, então com 12 anos de idade. Esse episódio foi chamado por seus detratores de “A Farsa de Ávila”.

Em 1468, Afonso morreu, provavelmente envenenado. Apesar das pressões dos nobres, Isabel recusou proclamar-se rainha enquanto Henrique IV estivesse vivo.

A guerra de sucessão

Com o objetivo de consolidar sua posição política, os conselheiros de Isabel acordaram seu casamento com seu primo o príncipe Fernando de Aragão, primogênito do rei João II de Aragão, enlace que foi celebrado secretamente em Valladolid, em 19 de outubro de 1469.

No ano seguinte, sabendo desse matrimônio, Henrique decidiu deserdar Isabel e reabilitar a condição de herdeira à sua filha Joana. Porém, em 1474 com a morte de Henrique, um setor da nobreza proclamou Isabel a Rainha de Castela.

No entanto, m 1475, “Joana Beltraneja” mesmo casando-se com o monarca português, Afonso V, filho de D. Leonor de Aragão, de quem recebeu ajuda e, com o apoio da outra parte da nobreza que a reconhecia como soberana, o conflito sucessório acabou dando início a uma sangrenta guerra civil.

Em 1476, o conflito caminhou a favor de Isabel, com a derrota infligida aos partidários de Joana pelo príncipe Fernando de Aragão na Batalha de Touros. Em 1479, através do tratado de Alcáçovas, Isabel foi definitivamente reconhecida como rainha de Castela por parte de Portugal.

Isabel de Castela e Fernando de Aragão

isabel e fernando

Ainda em 1479, a morte do rei João II de Aragão possibilitou o acesso de Fernando II ao trono de Aragão, herdando junto a Catalunha, Valencia e as Ilhas Baleares.

A união dos dois reinos foi realizada e Fernando foi reconhecido também como rei de Castela e Isabel reconhecida como rainha dos dois reinos, que embora permanecessem separados por lei, eram governados como um só.

A primeira tarefa dos reis foi submeter os nobres à sua soberania, mesmo que isso implicasse em violentas batalhas. Derrotados e com seus castelos destruídos, os nobres de Castela acabaram cedendo e foram perdendo a influência que tinham no governo.

Em Aragão, a nobreza não chegou a se enfraquecer no mesmo grau e pode reter boa parte de sua autoridade. Continuaram dominando as “cortes” (parlamento) fazendo com que o poder real perdesse seu significado.

Conquista de Granada

Fernando II de Aragão e V de Castela desejava anexar o reino de Granada (o último território dominado pelos árabes na Península Ibérica) ao seu reino, por isso declarou guerra a Granada em 1481.

Fernando e Isabel, fervorosos católicos, conduziram a guerra com o empenho característico das Cruzadas. Em 1492, Granada se rendeu e tornou-se parte dos seus reinos.

Reis Católicos

Isabel realizou uma profunda reforma eclesiástica com a ajuda do Cardeal Cisneros. Em 1478 criou o Tribunal da Inquisição em Castela, com o propósito de exterminar as heresias, que culminou com o processo de unificação religiosa e a expulsão dos judeus em 1492.

Em 1494, Isabel e Fernando receberam do papa Alexandre VI, o título de “Reis Católicos”, como reconhecimento da ajuda para a expansão da fé católica.

Grandes navegações

Em 1492, a viagem de Cristóvão Colombo, que tinha o objetivo de descobrir uma nova rota para o Oriente, foi resultado em grande parte do apoio dado pela Rainha Isabel.

Com a ampliação dos seus domínios pela descoberta do “novo mundo”, ela elaborou planos minuciosos para o governo das colônias.

Em 1494, o “Tratado de Tordesilhas” foi acertado com o papa. Pelo acordo, todas as possessões na “América” deveriam ser divididas exclusivamente entre Espanha e Portugal.

Os Reis Católicos, não contente com as novas aquisições, voltaram sua atenção para a Itália, onde lutavam contra a França por algumas terras. Em 1503, Nápoles foi anexada ao reino de Aragão.

Filhos

A Rainha Isabel e Fernando (II de Aragão, V de Castela e Leão, II de Nápoles e II da Sicília tiveram sete filhos, mas só cinco chegaram à vida adulta:

  • Isabel de Castela (1470-1498) foi casada com D. Afonso, neto de Afonso V. Ficou viúva em 1491 e casou-se, em 1497 com o rei D. Manuel I, tornando-se Rainha de Portugal. Morreu de parto sem deixar herdeiros.
  • João de Castela (1478-1497) casado com Margarida da Áustria, foi Príncipe das Astúrias e Girona.
  • Joana, a Louca (1479-1555) casada com Filipe I de Castela, foi Rainha de Castela.
  • Maria de Aragão e Castela (1482-1517) segunda esposa do rei D. Manuel I, tornou-se Rainha de Portugal.
  • Catarina de Aragão (1485-1536) casada com o rei Henrique VIII, tornou-se Rainha da Inglaterra.

Morte e sucessão

A Rainha Isabel faleceu no Palácio Real de Medina del Campo, no dia 26 de novembro de 1504. Foi sepultada na Capela Real de Granada, junto com o rei Fernando que faleceu em 1516.

isabel e fernando
Capela Real de Granada

A herança de Isabel passou para sua filha Joana, a Louca, mas Fernando, ignorando as reivindicações de Filipe, marido de sua filha, persuadiu Joana a abdicar. Assim, continuou a reinar sobre Castela até 1516, ano de sua morte. Foi sucedido por seu neto Carlos I.

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.
Veja também as biografias de:
  • Inês de Castro (1325-1355) foi uma nobre dama da região de Castela, na Espanh...
  • Elizabeth II Rainha (1926) é a rainha da Inglaterra desde os 25 anos de idade...
  • Rainha Vitória (1819-1901) foi rainha da Inglaterra e Irlanda. Foi Imperatriz...
  • Mary Stuart (1542-1587) foi rainha da Escócia de 1542 a 1567, quando abdicou...
  • Catarina de Médici (1519-1589) foi uma rainha francesa, casada com o rei Henr...
  • Maria Antonieta (1755-1793) foi arquiduquesa da Áustria e rainha consorte da...
  • Cleópatra (69 - 30 a. C.) foi rainha do Egito, a última soberana da dinastia...
  • Nefertiti foi uma rainha do Egito, esposa do faraó do Novo Império, Amenófes...
  • Maria I de Portugal (1734-1816) foi rainha de Portugal entre 1777 e 1816. A p...
  • Elizabeth I (1533-1603) foi rainha da Inglaterra e da Irlanda de 1558 até 160...