Francisco do Rego Barros

Político e militar brasileiro
Por Dilva Frazão

Biografia de Francisco do Rego Barros

Francisco do Rego Barros (1802-1870) foi político e militar do Brasil Império. Foi um autêntico representante da chamada nobreza da terra em Pernambuco. Recebeu os títulos de Visconde e de Conde da Boa Vista, Fidalgo Cavalheiro da Casa Imperial, grande dignatário de Cruzeiro. Recebeu o hábito de São Bento de Aviz e a comenda portuguesa da Ordem de Cristo.

Francisco do Rego Barros nasceu no engenho Trapiche, Serinhaém, Pernambuco, no dia 3 de fevereiro de 1802. Seus pais, Francisco do Rego Barros, coronel de milícias, e Mariana Francisca de Paula Cavalcanti de Albuquerque, possuíam muitas terras, fortuna e poder.

Em 1817, com 15 anos alistou-se no Regimento de Artilharia do Recife, fazendo carreira rápida, uma vez que em 1921 recebeu o posto de alferes.

Em 1823 foi estudar na Europa, matriculando-se na Universidade de Coimbra. Em seguida, transferiu-se para Paris, onde formou-se Bacharel em Matemática.

De volta ao Brasil reingressou no exército e fez carreira até chegar ao posto de brigadeiro, quando reformou-se.

Carreira Política

Em 1830 candidatou-se a Deputado Geral e, eleito, continuou a se reeleger em todas as legislaturas até o ano de 1848.

Foi representante de Pernambuco na Assembleia Geral do Império durante 18 anos seguidos, até o ano de 1848.

Presidência de Pernambuco

Exerceu a Presidência de Pernambuco (governador) em duas ocasiões: de 2 de dezembro de 1838 a 3 de abril de 1841 e de 7 de dezembro de 1841 a 13 de abril de 1844.

Apesar de conservador, tinha uma grande preocupação com o processo de modernização da província, tendo feito uma dinâmica administração, sempre voltada para todos os problemas do estado.

Procurou conciliar uma política ultraconservadora que consolidava a oligarquia Cavalcanti-Rego Barros no poder e no domínio da província.

Francisco do Rego Barros fez uma administração dinâmica, com o objetivo de modernizar a cidade do Recife. Contratou uma equipe de engenheiros franceses chefiados por L. L. Vauthier, que deram uma nova visão urbanística à província.

Iniciou a construção de estradas que cortavam a área açucareira, passando próximo aos engenhos, em direção ao porto do Recife, que iriam valorizar as propriedades açucareiras situadas no interior e que não tinham acesso fácil aos pequenos portos.

Construiu uma ponte pênsil sobre o rio Capibaribe, na Caxangá, a primeira construída no Brasil, que tornou-se modelo para esse tipo de construção. Reconstruiu a ponte Santa Isabel, a Ponte Maurício de Nassau e a ponte da Boa Vista, que ligava o aterro da Boa Vista, hoje rua da Imperatriz, à Rua Nova.

No Largo do Erário derrubou o velho prédio que ali existia e construiu o Palácio do Governo, que nos anos 20 foi reconstruído por José Bezerra.

Construiu o Cais do Colégio, em frente ao velho colégio dos jesuítas, para facilitar a atracação de embarcações de pequeno calado.

Ainda se preocupou com a construção de uma Alfândega no local em que se situava o Convento da Madre Deus, no bairro do Recife.

Contratou as obras de encanamento de água potável da capital pernambucana. Colocando sob a guarda da Companhia de Beberibe que durante décadas foi a fornecedora de água para a capital pernambucana.

A maior obra da missão francesa foi a construção do Teatro Santa Isabel, ao lado do Palácio, no Campo das Princesas, hoje Praça de República, ganhando a cidade mais uma casa de espetáculos que até hoje é uma das mais belas do país.

Rego Barros deu início à construção da Casa de Detenção, hoje Casa da Cultura, às margens do rio Capibaribe.

Em 1870, aterro da Boa Vista, que começava na rua da Aurora indo até o caminho novo, recebeu o nome de Avenida Conde da Boa Vista.

Após seu segundo governo, recolheu-se ao palacete da rua da Aurora, que recebera de presente do comércio do Recife.

Em 6 de abril de 1850 conseguiu entrar na lista tríplice para o Senado, comprometido com Antônio Joaquim de Melo e Venâncio Henriques de Resende, sendo o mais votado e escolhido pelo Imperador.

Presidência do Rio Grande do Sul

Em 1865, ao iniciar a Guerra do Paraguai, o governo imperial lhe confiou a Presidência do Rio Grande do Sul, cujo território havia sido invadido pelas tropas paraguaias. Apesar de envelhecido, aceitou o desafio e passou um ano no governo, em Porto Alegre.

Títulos

Ao falecer, Rego Barros possuía diversos títulos. Além de barão e das honras do Império, em 1860 ganhou o título de Visconde e de Conde da Boa Vista em 1866.

Obteve também o título de Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, grande donatário do Cruzeiro, o hábito de São Bento de Aviz e a comenda portuguesa da Ordem de Cristo.

Francisco do Rego Barros morreu em sua casa, na rua da Aurora, 405, na cidade do Recife, Pernambuco, no dia 4 de outubro de 1870.

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.
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