General Osório

Militar e político brasileiro
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de General Osório

General Osório (1808-1879) foi militar e político brasileiro. É o Patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. Herói da Guerra do Paraguai.

Ao comandar a invasão do território paraguaio em Passo da Pátria e Estero Bellaco, o General Osório disse a célebre frase: “É fácil comandar homens livres, basta mostrar-lhes o caminho do dever.”

Manuel Luís Osório nasceu em Nossa Senhora da Conceição do Arroio, atual Osório, Rio Grande do Sul, no dia 10 de maio de 1808. Filho de Manuel Luís da Silva Borges, comandante do Regimento de Salto, e de Ana Joaquina Osório, era o quarto filho entre 14 irmãos.

Osório aprendeu as primeiras letras com o mestre-escola Miguel Alves. Mudou-se com a família para a cidade de Salto, onde teve aulas com o capitão dos dragões Domingos José de Almeida. Queria estudar, mas as escolas mais próximas estavam em Porto Alegre.

Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil, mas parte da guarnição portuguesa sediada em Montevidéu (a região uruguaia pertencia ao Brasil) não aceitou a emancipação.

Iniciou-se no sul do país a guerra da Independência, e seu pai no comando do Regimento de Salto, preparava-se para entrar em ação e resolveu levar o filho, que não queria abandonar os estudos. Convencido de que poderia seguir uma brilhante carreira no Exército, seguiu ao lado do pai, embora não participasse dos combates foi se empolgando pela luta.

Carreira militar

Poucos dias antes de completar 15 anos, Luís Osório alistou-se como voluntário na cavalaria da legião de São Paulo, com a qual seguiu para Montevidéu a fim de combater o governador português contrário ao reconhecimento da declaração da independência do Brasil. Desde os primeiros combates, mostrou sua habilidade com o manejo das armas.

Quando, em 1824, as guarnições lusas retiraram-se da região uruguaia, que permaneceu província do novo Império, Osório já conquistara promoções: primeiro cadete, depois alferes no Terceiro Regimento da Cavalaria de Linha.

Finda a Guerra da Independência, o alferes Osório, com 16 anos, pretendia voltar aos estudos e solicitou licença ao Governo para ingressar em um instituto militar, mas seus chefes estavam prevendo uma nova guerra no Uruguai, então chamado Província Cisplatina, de formação e idioma diferente do Brasil, aspirava a independência política, por isso sua licença foi negada.

Entre 1825 e 1828, Osório participou de todas as campanhas na Guerra Cisplatina. Distinguiu-se por sua bravura em Sarandi e Passo do Rosário. Firmada a paz com a independência da Cisplatina, Osório foi promovido a primeiro-tenente.

Em 1835, com seu regimento sediado em Rio Pardo, eclodiu a Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos. Osório lutou junto com os legalistas nas batalhas em Porto Alegre, Bagé e Caçapava e na região de Herval, onde em 1838, se distinguiu e foi promovido a capitão.

Seu pai morrera nos combates e sua mãe passava necessidades, Osório queria voltar para casa. Com 31 anos pediu reforma do Exército, mas não se cogitava dispensar um dos seus melhores soldados.

Em 1842, Osório recebeu a condecoração do “Cruzeiro do Sul” e foi promovido a Tenente-Coronel. Integrou-se ao Exército Imperial ao lado do Duque de Caxias e combateu os farrapos até a paz do Poncho Verde em 1845.

General Osório e a Guerra do Prata

A Guerra do Prata ou Guerra contra Oribe e Rosas se deu entre 1851 e 1852. A guerra foi uma longa disputa onde o Brasil, aliado aos colorados uruguaios e rebeldes argentinos derrotou Manuel Oribe do Uruguai e Manuel Rosas da Argentina. A intervenção garantiu a independência do Uruguai, impediu a expansão de Rosas e assegurou a hegemonia brasileira na bacia do Prata.

Como tenente-coronel, Osório comandou o Exército Brasileiro que invadiu o Uruguai em 1851, e no ano seguinte, já como coronel, marchou à frente da divisão brasileira que assegurou a vitória em Monte Caseros.

General Osório e a Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai que teve início em 1864 foi motivada por disputas de fronteiras, controle da navegação nos rios da Bacia do Prata e rivalidades políticas entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. O estopim da guerra foi a intervenção do Brasil na crise política do Uruguai e a invasão de Mato Grosso pelo Paraguai.

O comando do Exército foi entregue ao General Osório. Enquanto os brasileiros procuravam se organizar, o Paraguai invadiu o Rio Grande do Sul, cruzando Corrientes e chegando até Uruguaiana. Com isso, Argentina e Uruguai uniram-se ao Brasil, formando a Tríplice Aliança, em maio de 1865.

O maior feito militar de Osório ocorreu na batalha do Tuiuti, quando rompeu o cerco do inimigo e o obrigou a recuar, para dar início à ofensiva aliada. Gravemente ferido, Osório teve que ser substituído pelo general Polidoro da Fonseca e regressou ao Rio Grande do Sul.

Em 1867, já sob o comando de Caxias, Osório retornou aos campos do Paraguai e dirigiu a marcha de Tuiuti a Tuiu-Cuê, de grande importância para a fase decisiva da guerra. Participou ainda das batalhas de Itororó e Avaí, quando foi ferido no maxilar. Mesmo doente Osório continuou a campanha até o cerco final às tropas de Solano López e sua morte em 1870.

Títulos

Manuel Luís Osório recebeu várias promoções ao longo de sua carreira militar. 

  • Em 1856 foi promovido a General de Brigada (Brigadeiro).
  • E 1865, no contexto da Guerra do Paraguai, foi promovido a Marechal de Campo
  • Em 1866, o imperador Dom Pedro II concedeu-lhe o Título de Barão.
  • Em 1868 recebeu o Título de Visconde com grandeza.
  • Em 1870, antes de terminar a guerra, Osório recebeu o título de Marquês de Herval.
  • Em 1877 foi promovido ao posto máximo o de Marechal do Exército.

Osório entrou para a história com "General Osório" e é considerado o Patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. 

Vida pessoal

O General Osório foi casado com Francisca Fagundes, filha de um juiz que conhecera em Bagé. Com ela teve quatro filhos – Fernando, Adolfo, Francisco e Manuela.

Para orgulho do pai todos estudaram na Faculdade de Direito do Recife. Fernando chegou a ser ministro do Supremo Tribunal Federal da República.

Dona Fernanda faleceu enquanto Osório estava de passagem por Montevidéu, em 1869.

Últimos anos

Ainda em 1877, Osório foi eleito Senador pelo Rio Grande do Sul. No ano seguinte assumiu o Ministério da Guerra, cargo que ocupou até sua morte. Osório é considerado o Patrono da Arma de Cavalaria do Exército Brasileiro.

General Osório faleceu no Rio de Janeiro, acometido por uma pneumonia aguda, no dia 4 de outubro de 1879.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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