Francisco Paes Barreto

Aristocrata brasileiro
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Francisco Paes Barreto

Francisco Paes Barreto (1799-1848) foi um aristocrata brasileiro. Recebeu os títulos de Visconde do Recife, com grandeza a 4 de maio de 1825, de Armeiro-Mor do Império e Marquês do Recife. Recebeu as honras imperiais, sendo-lhe conferida a Grã Cruz da Ordem Imperial do Cruzeiro.

Francisco Paes Barreto (1799-1848) nasceu no Engenho Velho, na comarca do Cabo, Pernambuco, no dia 26 de maio de 1799. Filho do mestre de campo Estevão José Paes Barreto e de Maria Izabel Paes Barreto, família que se destacou na vida política e social de Pernambuco, desde a conquista da terra, no século XVI, quando João Paes Barreto participou da luta travada por Duarte Coelho de Albuquerque, contra os índios, ao sul de Pernambuco.

Francisco Paes Barreto estabeleceu-se como senhor de engenho na freguesia do Cabo de Santo Agostinho. Entre seus antepassados havia sangue de cristão-novo, que passou disfarçado durante longos anos, sem que a inquisição o incomodasse. Francisco foi herdeiro do título e dos direitos do "Morgadio do Cabo", recebendo por herança uma grande quantidade de terras, formada pelo Engenho Velho, Santo Estevão, Ilha e Guerra. Dedicou-se à agricultura e dispondo de grande quantidade de terras, fundou os Engenhos de Campo Alegre, São José, Caramuru, Junqueira e Camaçari, totalizando nove engenhos de açúcar.

Rico e com grandes poderes, exerceu diversos cargos públicos. Era proprietário e diretor do hospital do Paraíso, onde uma sala era reservada para as reuniões maçônicas da Academia do Paraíso. Tinha à sua volta vários amigos, parentes, agregados e grande número de escravos.

Exerceu grande influência na conspiração em favor da independência. Ao se iniciar a Revolução de 1817, ficou à frente de um grupo revolucionário, como capitão-mor comandante da Companhia de Ordenanças do Cabo. Reunindo suas tropas, se dirigiu ao Recife, participando do cerco ao Forte do Brum, contribuindo para a prisão do governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro.

Reunidos no largo do Erário, preparavam a Constituição do Governo Provisório da República. Com prestígio e fortuna, esperou ser eleito membro do Governo Republicano, mas seu nome não estava na lista. Decepcionado retirou-se para o Cabo, acompanhando os acontecimentos, sem negar apoio à República.

Diante da vitória das tropas reais, Francisco Paes Barreto propôs uma rendição honrosa dos revolucionários, que não aceitaram e deixaram a cidade. Paes Barreto foi preso e remetido para Bahia, nos porões do navio Carrasco, e colocado na cadeia da Relação, onde permaneceu durante quatro anos.

Com a anistia geral, em 1821, de volta ao Recife, foi novamente preso, acusado pelo Governador Luís do Rego, de envolvimento com o atentado contra sua vida. Junto com vários pernambucanos, foi remetido para Lisboa. Após a vitória da Revolução Constitucionalista do Porto, foi libertado e autorizado a voltar para sua terra. De volta às atividades políticas, presidiu a Junta de Governo, mas ameaçado por grupos populares, retirou-se para o Cabo.

Com a promulgação de uma Constituição pelo imperador D. Pedro I, cabia ao mesmo nomear os presidentes das Províncias e Paes Barreto foi nomeado para Pernambuco, no dia 23 de fevereiro de 1824. A junta, presidida por Manuel de Carvalho Paes de Andrade recusou-se a entregar-lhe o poder. Os desentendimentos entre a junta e o imperador se aprofundaram e Manuel de Carvalho proclamou a Confederação do Equador, separando Pernambuco do império, em 2 de julho de 1824.

A revolução teve curta duração, por terra, as tropas comandadas por Francisco de Lima e Silva, cercaram e venceram os rebeldes. Paes Barreto não foi mais indicado para a presidência da Província, mas recebeu a honra de Grã Cruz da Ordem Imperial e o título de Visconde do Recife, com grandeza, em 4 de maio de 1825. Viajou para o Rio de Janeiro onde recebeu o título de Armeiro-Mor do Império e foi elevado a Marquês do Recife, por carta imperial, em 12 de outubro de 1825

Francisco Paes Barreto faleceu no Cabo, Pernambuco, no dia 26 de setembro de 1848.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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