Giordano Bruno

Filósofo italiano
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Giordano Bruno

Giordano Bruno (1548-1600) foi um filósofo, escritor e teólogo italiano. Acusado de heresia foi condenado à morte na fogueira pela Santa Inquisição.

Giordano Bruno, nome religioso de Filipo Bruno, nasceu no vilarejo de Nola, próximo à Nápoles, na Itália, no ano de 1548. Filho dos nobres Giovanni Bruno e Fraulissa Savolino, com 14 anos foi enviado à Nápoles para estudar Humanidades, Lógica e Dialética.

Com 17 anos, Giordano ingressou como noviço no convento Dominicano de San Dominica Maggiore. Registrado com o nome de Fillipo Bruno adotou o nome religioso de Giordano Bruno. Em 1572 foi ordenado sacerdote e em 1575 se doutorou em Teologia.

Acusado de herege

Durante os anos em que passou no convento, seu pensamento era guiado por autores como Aristóteles, Johannes Kepler e Erasmo de Roterdã. Defendia alguns textos que questionavam os princípios da Igreja.

Em fevereiro de 1576 fugiu para Roma, após ser submetido, pelos próprios dominicanos a um primeiro processo de heresia. Logo depois, abandonou o hábito e para fugir das acusações de heresia começou uma longa peregrinação. Esteve em Liguria, Turim e Veneza.

Em 1578, Giordano deixou a Itália e foi para Genebra, onde adotou o Calvinismo, mas ao escrever um artigo contestando as ideias calvinistas foi excomungado do movimento.

Em 1582 seguiu para a França, onde passou a lecionar em Toulouse. Em seguida se mudou para Paris e nessa época ofereceu ao rei Henrique III a obra “Las Sombras de las Ideas”. Escreveu também “Sinais dos Tempos”.

Em seguida, viajou para a Inglaterra, onde permaneceu até 1585, entre Oxford e Londres, sob a proteção do embaixador francês. Nessa época escreveu a trilogia “Diálogos Italianos”, “El Candelero” e “La Cena del Niércoles de Ceniza”. Após ser acusado de plagiar um trabalho de um colega foi expulso de Oxford.

Em 1591, Giordano Bruno foi viver em Frankfurt, onde se converteu ao Luteranismo. Mais uma vez se desentende e sofre a excomunhão da Igreja Luterana.

No ano seguinte, conhece o nobre veneziano, Giovanni Mocenigo, que o convida para visitar Veneza. Segundo alguns historiadores essa foi uma armadilha para prender Bruno que durante muitos anos estava na lista dos procurados pela Inquisição.

Prisão, julgamento e execução

No dia 23 de maio de 1592, Bruno foi levado para o cárcere do Santo Ofício de San Domênico de Castello. Em Roma, após um processo que se arrastou por sete anos, a Inquisição o declarou culpado

As numerosas acusações contra Giordano Bruno eram baseadas em alguns de seus livros, que para a Igreja continham blasfêmia, conduta imoral e heresia aos dogmas católicos.

Para livra-lo da morte, a Santa Inquisição exigia a retratação integral de suas teorias. Quando questionado pelos inquisidores destacava que suas ideias eram puramente filosóficas e não religiosas, mas o argumento não foi aceito.

No dia 18 de fevereiro de 1600, foi condenado à morte na fogueira e obrigado a ouvir sua sentença de joelhos. Nesse momento desabafou:

“Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la”.

Giordano Bruno foi queimado na fogueira, no Campo de Fiori, em Roma, no dia 17 de fevereiro de 1600.

Teorias de Giordano Bruno

Giordano Bruno prenunciou o avanço da ciência com suas teorias do universo infinito e da multiplicidade dos mundos.

Escreveu em defesa da teoria Heliocêntrica de Copérnico que afirmava que o Sol estava no centro do universo, contrariando a teoria Geocêntrica imposta pela Igreja.

Afirmava que a Bíblia deveria ser seguida apenas por seus ensinamentos morais, para evitar contradições entre a religião e a ciência.

Escreveu “Do Infinito Universo e Mundos”, que defendia que o Universo era infinito e estava inacabado, ou seja, não era a obra perfeita e concluída de Deus.

Afirmava que havia mundos habitados. Essas teorias avançadas iam de encontro a tudo o que a Igreja pregava e defendia.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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