Hugo Chávez

Ex-presidente da Venezuela

Biografia de Hugo Chávez

Hugo Chávez (1954-2013) foi o 56º presidente da Venezuela, cargo que exerceu durante 14 anos, de 1999 a 2013, ano de sua morte. Com um governo populista promoveu o que denominou de “socialismo do século XXI”. Foi militar das Forças Armadas onde ocupou a patente de tenente-coronel.  

Hugo Rafael Chávez nasceu no povoado de Sabaneta, em Barinas no Noroeste da Venezuela, no dia 28 de julho de 1954. Filho de professores de escola primária realizou seus estudos no Grupo Escolar Julian Pino e no Liceu Daniel Florêncio O’Leary. Em 1971, com 17 anos ingressou na Academia Militar da Venezuela. Em 1975 graduou-se em Ciências e Artes Militares e nesse mesmo ano recebeu a patente de tenente-coronel. Passou boa parte de sua carreira militar conspirando para derrubar o governo civil.  Em dezembro de 1982 criou com outros dois militares o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), de orientação nacionalista e esquerdista. Ocupou diversos cargos nas Forças Armadas. Entre 1991 e 1992, foi comandante do Batalhão de Paraquedistas.

Nessa época, a Venezuela atravessava grave crise econômica e financeira e buscava o apoio do FMI. As classes populares de Caracas se mobilizavam e realizaram diversas manifestações violentas, contra a inflação e o desemprego, que foram reprimidas pelo Exército, provocando um forte descontentamento nas Forças Armadas. No dia 4 de fevereiro de 1992, Hugo Chávez, até então desconhecido, liderou um golpe de estado para derrubar o presidente, Carlos Andrés Pérez. Com a intervenção do Exército a tentativa de golpe fracassou, Chávez foi preso, julgado e condenado a dois anos de prisão.

Em maio de 1993, o Parlamento destituiu o presidente Andrés Pérez, acusado de corrução, levando Ramón José Velasquez a governar interinamente. Em 1994, o novo presidente eleito, Rafael Caldera, cumprindo a promessa de campanha, suspendeu o processo aberto contra Hugo Chávez. Depois de libertado, Chávez abandonou as Forças Armadas e entrou na luta política com a fundação do Movimento V República (MVR) e começou a percorrer o país levando sua proposta baseada na denúncia de corrução do sistema e dos principais partidos políticos. O discurso de “salvação” de Hugo Chávez contava com o apoio de grande parte da população despreparada e que vivia na marginalidade. Chávez ganhou prestígio e passou a ser identificado como o defensor de um governo nacionalista e dos pobres. A oposição o acusava de populista e de vender esperanças vazias.

Presidência de Hugo Chávez

Em 6 de dezembro de 1998, seis anos depois do golpe fracassado, Chávez disputou as eleições presidenciais e saiu-se vencedor, com 56,2% dos votos, com o apoio do povo, do MVR e de vários partidos de esquerda. Hugo Chávez tornou-se presidente para o período de 1999 a 2003. Ao tomar posse no dia 2 de fevereiro de 1999, Chávez declarou que estava jurando sobre uma Constituição “caduca”. No dia 25 de abril deste mesmo ano, 87,75% dos venezuelanos aprovou a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para redigir uma nova Constituição e criar as bases de seu projeto político. No dia 15 de dezembro de 1999, foi aprovada a “Constituição Bolivariana da Venezuela” (Bolivariana, em referência a Simón Bolívar). A nova Constituição, uma das maiores até então, mudou o nome da Venezuela que passou a se chamar oficialmente “República Bolivariana da Venezuela”, eliminou o Senado e ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos, com direito a reeleição. No dia 30 de julho de 2000, foram convocadas as “megaeleições” para legitimar os poderes definidos na nova Constituição. Com 59% dos votos, Hugo Chávez venceu as eleições presidenciais para o período de 2000 a 2006.

Entre 2001 e 2002, a oposição organizou três paralizações nacionais. Em 2002, uma tentativa de golpe chegou a afastar Chávez, mas um setor das Forças Armadas e das camadas aliadas da população o reconduziu ao poder. Em 15 de agosto de 2004, em um referendo revogatório contra Chávez, com 69,92% de participação ele saiu vencedor com 59,10% dos votos e se manteve no poder. Nesse mesmo ano, o Poder Judiciário foi tomado. Nas primeiras instâncias superiores não restou nenhum juiz independente. Hugo Chávez dizia que a Venezuela estava vivendo a “Revolução Bolivariana”, que pretendia implantar o “Socialismo do século XXI”. No dia 3 de dezembro de 2006, Chávez é reeleito presidente com 62,84% dos votos, para o período de 2006-2013. Em 2 de dezembro de 2007, em uma proposta de reforma constitucional, Chávez perde uma eleição pela primeira vez. No dia 15 de fevereiro de 2010, é aprovado um referendo de uma emenda à Constituição que pretendia a reeleição por tempo indefinido para todos os cargos, incluindo o de presidente.

Durante os 14 anos de presidência, o Chavismo adotou uma política de esquerda. Controlava a maioria da Assembleia Nacional (Parlamento), os governos estaduais e municipais. Chávez criou milícias civis, que atuavam como quadrilhas de saqueadores impunes. Expropriou indústrias, empresas e fazendas. Perseguiu e prendeu opositores. Estatizou os setores considerados estratégicos para o governo, como telecomunicações e energia elétrica. As empresas estatizadas tornaram-se improdutivas e só não fecharam as portas porque eram subsidiadas pela petroleira PDVSA. Restringiu a participação de multinacionais na exploração do petróleo. No país com a segunda maior reserva de petróleo do mundo, o presidente semeou uma longa lista de desgraças, como apagões elétricos, falta de água, inflação alta, escassez de alimentos etc. levando o país a um gigantesco desequilíbrio econômico.

Durante quase dois anos lutando contra um câncer Chávez não resistiu. Em seu velório, que durou três dias, mais de trinta chefes de Estado de todo o mundo estiveram presentes. Seu corpo foi embalsamado e exposto em um mausoléu. O vice-presidente, Nicolás Maduro, ex-motorista de ônibus e sindicalista, assumiu o cargo de presidente, ampliando a instabilidade política e econômica do país.

Hugo Chávez faleceu em Caracas, Venezuela, no dia 5 de março de 2013.

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Última atualização: 04/09/2017