Charles Baudelaire

Poeta francês
Por Dilva Frazão

Biografia de Charles Baudelaire

Charles Baudelaire (1821-1867) foi um dos mais influentes poetas franceses do século XIX. Foi considerado um dos precursores do Simbolismo. Inaugurou a modernidade da poesia que só foi reconhecida depois de sua morte.

Charles-Pierre Baudelaire nasceu em Paris, França, no dia 09 de abril de 1821. Filho de François Baudelaire e de sua segunda esposa Caroline Defayis, com seis anos de idade ficou órfão de pai.

Em 1932, a família se mudou para Lyon e no ano seguinte, Baudelaire ingressou no internato do Collège Royal de Lyon, quando se rebela contra a estrutura militar.

Ainda na infância, entra em conflito com o mundo que a cercava e, especialmente com seu padrasto, o coronel Jacques Aupich.

Em 1836, a família retorna à Paris e Baudelaire é matriculado no Lycée Louis-le-Grand. Nessa época, mostra-se melancólico e solitário.

Carreira literária

Começa a escrever suas primeiras poesias. Em 1838 escreve o poema “Incompatibilité”. Em 1839, por indisciplina, foi expulso da escola. Nesse mesmo ano, conclui o colegial na École de Droit.

Nessa época, Baudelaire decide se dedicar à literatura. Faz amizade com os poetas Gustave Le Vavasseur e Ernest Prarond, e passa a levar uma vida de boêmio e muda-se para a pensão Lévêque et Bailly.

Em 1841, pressionado pela família, interrompe seus estudos superiores e é obrigado a embarcar em um navio para Calcutá, na Índia, mas interrompe sua viagem e permanece nas ilhas Maurício.

Em 1842 retorna para a França. Nesse mesmo ano, atinge a maioridade e recebe a herança deixada por seu pai. Passa a morar na ilha de Saint-Louis, torna-se um boêmio incurável, que se violentava com ópio e maconha.

Escandalizava Paris ao lado da atriz Jeanne Duval, a “dame créole” de um de seus poemas. Outras mulheres de sua poesia foram Madame Sabatier e a atriz Marie Daubrun.

Em dois anos havia desperdiçado metade de sua herança levando sua mãe a entrar com uma ordem judicial, que nomeou um tutor para as suas despesas.

Charles Baudelaire refugia-se no misticismo, em busca de experiências exóticas e procura afirmar sua individualidade e seu desprezo pela sociedade. Em 1847 publica sua única novela “La Fanfarlo”.

As Flores do Mal

Em 1857, ao lançar uma coletânea com os seus mais belos poemas, intitulada “As Flores do Mal”, foi acusado pela lei francesa de atentar contra a moral.

Baudelaire teve sua obra apreendida, sendo obrigado a pagar uma pesada multa. Quatro anos depois, Baudelaire retirou os seis poemas que foram considerados obscenos, e reeditou a obra com mais trinta novos poemas.

Ao Leitor
A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso espírito e o corpo vicia,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.

Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça,
Impomos alto preço à infâmia confessada,
E alegres retornamos à lodosa estrada,
Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça.

Na almofada do mal é Satã Trimegisto
Quem docemente nosso espírito consola,
E o metal puro da vontade então se evola
Por obra deste sábio que age sem ser visto.

É o Diabo que nos move e até nos manuseia!
Em tudo o que repugna uma joia encontramos,
Dia após dia, para o Inferno caminhamos,
Sem medo algum, dentro da treva que nauseia...

Características

Mal compreendida por seus contemporâneos, a poesia de Baudelaire está marcada pela contradição. De um lado, revela o romantismo de Allan Poe e Gérard de Nerval, e de outro, o poeta crítico que se opôs aos excessos sentimentais e retóricos do romantismo francês.

Baudelaire afirmava que a finalidade de sua poesia era “extrair a beleza do mal” e comunicar aos homens a tragédia essencial do ser humano, dividido entre Deus e o demônio.

Segundo o crítico alemão Erich Auerbach, o poeta criou a poesia moderna ao incorporar à literatura a realidade grotesca. O escritor André Breton considerava Baudelaire o primeiro dos surrealistas.

Vampiro
Tu que, como uma punhalada,
Em meu coração penetraste
Tu que, qual furiosa manada
De demônios, ardente, ousaste,

De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,

Como ao baralho ao jogador,
Como à carniça o parasita,
Como à garrafa o bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!

Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao vento, pérfido algoz,
Que a covardia me amparasse.

Ai de mim! Com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque à escravidão,

Imbecil! - se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!

Crítico de arte e tradutor

Baudelaire destacou-se desde cedo como crítico de arte. Datam do início de sua carreira: "Salão de 1845” e “Salão de 1846”. Seus escritos posteriores foram reunidos em dois volumes póstumos, com os títulos de “A Arte Romântica, 1868” e “Curiosidades Estéticas, 1868”.

Baudelaire destacou-se como tradutor das obras do americano Edgar Allan Poe, entre elas, “Histórias Extraordinárias, 1873” e “O Princípio Poético, 1876”.

Entre 1864 e 1866 viveu na Bélgica, quando começaram a surgir problemas de saúde. A obra de Baudelaire, que inaugurou a modernidade da poesia, só foi reconhecida após sua morte.

Charles Baudelaire faleceu em Paris, França, no dia 31 de agosto de 1867.

Última atualização: 29/01/2020

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.
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