Henrique IV da França

Rei da França e de Navarra

Biografia de Henrique IV da França

Henrique IV da França (1553-1610) foi rei da França e de Navarra. Fundador da Dinastia de Bourbon deu início a um período de grande prosperidade na França.

Henrique IV da França e III de Navarra nasceu em Pau, no sul da França, no dia 13 de dezembro de 1553. Era filho de Antônio de Bourbon, Duque de Vendôme e rei consorte de Navarra, e de Joana de Albret, ou Joana de Navarra.

Henrique de Bourbon recebeu da mãe uma educação calvinista e aos 16 anos foi colocado sob a tutela de Gaspar de Coligny, comandante do exército protestante de La Rochelle.

Contexto histórico

Desde 1523 já havia seguidores do protestantismo na França, no entanto o governo da França era absolutista e toda a vida do reino girava em torno da figura do rei.

Um ataque ao catolicismo francês seria necessariamente um ataque ao rei, chefe da igreja no país. A autoridade do papa havia praticamente sido abolida da França.

Na França, a Igreja contribuía para as despesas da monarquia. Os abusos, tais como a venda de indulgências não era frequente dentro do território francês.

Porém, na corte de Francisco I (1515-1547) havia simpatizantes do protestantismo e não havia ordem do rei para que fossem perseguidos.

Desde 1555, o luteranismo começou a ser substituído pelo calvinismo, e os protestantes se organizavam sob a forma de partido político e as comunidades que estavam sob sua administração formavam um verdadeiro Estado dentro da França.

Porém, no governo de Henrique II (1547-1559) agravou-se a situação dos protestantes. O Edito de Écouen de 1559 condenava todos eles à morte sem julgamento.

Guerras Religiosas na França

Com a morte de Henrique II em 1559, o governo francês passou sucessivamente pela viúva, Catarina de Médici, que foi regente enquanto seus filhos eram menores.

Francisco II governou de 1559 a 1560, Carlos IX de 1560 a 1574 e Henrique III de 1574 a 1589.

Durante o reinado de Carlos IX, de 1560 a 1574, os protestantes receberam a permissão para realizar culto público apenas dentro das cidades que estavam sob seu poder. 

Nessa época, a França possuía mais de 2 150 comunidades e províncias reformadas, quase um quarto do país.

O estopim para a primeira guerra se deu quando Francisco de Guise, o líder do partido católico se deparou com uma cerimônia protestante dentro de uma cidade não autorizada. A guerra eclodiu e terminou com 74 mortos e centenas de feridos.

No dia 19 de março de 1563 é negociada a "Paz de Amboise", dando fim à primeira guerra. Porém segue-se a segunda guerra de 1567 a 1568 e a terceira de 1568 a 1569.  

Durante essas violentas guerras religiosas, "Henrique de Bourbon" se distinguiu por sua participação na batalha de Arnay-le Duc, em 1569, na Borgonha, tendo se firmado como o líder dos huguenotes, em luta contra os católicos.

Em 1569, o "Tratado de Saint-Germain" concede anistia aos protestantes e autorização para o culto público em cidades sob seu poder, mas Catarina de Médici, mãe do rei da França Carlos IX, torna-se contrária aos huguenotes.

Em 1572, reconciliando provisoriamente católicos e protestantes foi acertado o casamento de Henrique de Bourbon com a irmã do rei Carlos IX, a princesa Margarida de Valois.

Uma semana depois do casamento – que desagradou aos extremistas das duas facções – ocorreu o sangrento massacre denominado "Noite de São Bartolomeu", em 24 de agosto de 1572, quando mais de 30 mil protestantes foram mortos.

Henrique IV da França
Noite de São Bartolomeu

O líder Gaspar de Coligny, que se tornara conselheiro do rei Carlos IX, foi uma das primeiras vítimas. A matança se generalizou e milhares de huguenotes foram mortos, em todo o reino.

Henrique de Navarra foi um dos poucos que se salvou da matança da Noite de São Bartolomeu, uma vez que passou a renegar as ideias protestantes e prometeu converter-se ao catolicismo.

Henrique III rei de Navarra

Ainda em 1572, após a morte de Joana de Navarra, Henrique de Bourbon herda a coroa de Navarra, tornando-se rei "Henrique III de Navarra".

Navarra era uma província ao norte da Espanha, que a partir de 1234 uma sucessão de dinastias francesas dirigiu a comunidade autônoma.

A parte francesa permaneceu como reino independente até 1589, quando finalmente se uniu à França.

Em 1574, com a morte de Carlos IX, assume a coroa da França, seu irmão “Henrique III” (1574-1589), quando se forma a "Santa Liga", partido católico chefiado por “Henrique de Guise”, filho de Francisco de Guise, o líder dos católicos.

Em 1576, Henrique de Navarra fugiu da corte de Henrique III, na qual se encontrava praticamente como prisioneiro e colocou-se à frente dos protestantes.

Os protestantes, tendo perdido muitos dos seus chefes na noite de São Bartolomeu, organizam-se fortemente, primeiro sob a chefia de Henrique de Condé, e depois sob a Liderança de Henrique de Navarra, futuro Henrique IV.

Os protestantes mantêm exércitos permanentes, pagos mediante a cobrança de taxas das províncias e do sequestro de bens da Igreja.

Um segundo partido católico se formou, o dos políticos, sob a autoridade do Duque de Alençon, irmão do rei Henrique III e seu herdeiro.

A guerra dos três Henriques

Em 1584, com a morte do Duque de Alençon, o herdeiro do trono passa a ser “Henrique de Navarra”, e logo, Henrique de Guise, chefe católico, começa a agir para impedi-lo de chegar ao poder.

A oposição dos católicos, agrupados na Santa Liga de Henrique de Guise, faz surgir a última guerra chamada de “Guerra dos Três Henriques”, que se prolongou de 1585 a 1598.

Porém, Henrique III rompe com Guise e se alia a Henrique de Navarra. Bloqueado em Paris, foge para Blois e para lá atrai Guise que é morto pela guarda real e se aproxima de Henrique de Navarra, a quem designa definitivamente como seu sucessor.

Henrique IV Rei da França (1589-1610)

Em 1589, o rei Henrique III é assassinado por um monge, e sem deixar filhos, Henrique de Navarra é designado o rei da França como "Henrique IV".

Entretanto, Henrique IV teve de enfrentar a oposição da Liga Católica que se negava em aceita-lo. Filipe II da Espanha interveio e propôs para o trono sua filha Isabel.

Henrique IV teve que lutar durante vários anos enfrentando diversas batalhas contra a liga – que dominava Paris - entre elas a de “Arques” (1508) e a de “Ivry” (1590).

Convencido de que o único obstáculo ao seu reconhecimento como rei era a religião, em 1593, converteu-se ao catolicismo, pondo fim à oposição dos católicos franceses. No dia 27 de fevereiro de 1594 foi coroado rei da França na Catedral de Chartres.

Uma vez no poder, dedicou-se a pacificar o reino e restaurar a França, atingida pelas grandes guerras internas.

Em 1598 assegurou a pacificação religiosa promulgando o “Edito de Nantes”, que concedia liberdade religiosa, e firmou com a Espanha o “Tratado de Vervins”, que estabelecia a paz entre ambos os reinos.

Desde então, dedicou-se a reforçar a autoridade real e ajudado por seu conselheiro, o duque de Sully, empreendeu a recuperação econômica e financeira do país.

Desenvolveu a agricultura, introduziu a indústria da seda, do vidro e de tapeçarias. Abriu estradas e incentivou o comércio com a Inglaterra, Espanha e Holanda.

Em Paris, Henrique IV terminou o Jardim das Tulherias, construiu a grande galeria do Louvre, a Pont-Neuf, o Hotel-de-Ville e a Place Royale.

Henrique IV
Jardim das Tulherias, Paris

Henrique IV Fortificou as fronteiras, reorganizou o exército e conduziu a política de isolamento da Espanha, aliando-se à Suíça, Toscana, Mântua e Veneza.

Maria de Médici e filhos

Em 1599, Henrique IV conseguiu anular seu casamento com Margarida de Valois e tomou como segunda esposa a princesa italiana "Maria de Médici", o que não o impediu de ter várias amantes, entre elas a célebre Gabrielle d’Estrées, com quem teve três filhos.

Henrique IV teve vários filhos, entre eles "Luís XIII", herdeiro do trono, "Elizabeth" – casada com Filipe IV da Espanha, "Gastão, duque d’Orléans", e "Henriette" – casada com Carlos I da Inglaterra.

Morte

Henrique IV da França (III de Navarra) morreu em Paris, França, no dia 14 de maio de 1610, quando partia para uma campanha militar. Foi assassinado por um fanático chamado François Ravaillac.

Diante da menoridade do príncipe herdeiro, "o futuro Luís XIII", Maria de Médici, esposa de Henrique, encarregou-se da regência.

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Última atualização: 07/12/2019

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.