Herodes I o Grande

Rei da Judéia entre 40 e 4 a.C.
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Herodes I o Grande

Herodes I o Grande (73-04 a.C.) foi rei da Judéia (localizada onde hoje é o sul de Israel) entre 40 e 4 a.C. Durante seu reinado impulsionou o desenvolvimento da região, construiu diversas obras públicas e reconstruiu o templo de Jerusalém.

Herodes I o Grande nasceu em Jericó, na Judéia, no ano 73 a.C. Seu pai, Antípatro, um edomita (descendente de Esaú) e sua mãe, Cipros, tinha procedência árabe.

Em 63 a.C., quando Jerusalém foi conquistada por Pompeu, militar e político romano, que recebeu a missão de reorganizar os territórios de Roma no Oriente, a Judéia tornou-se uma província subordinada a Roma.

Herodes I – rei da Judéia.

Após as conquistas romanas realizadas por Pompeu no mediterrâneo, Antíparo, o pai de Herodes, prestou apoio a Pompeu, ganhou a cidadania romana e foi então nomeado procurador da Judéia.

Desde jovem, Herodes ajudou o pai. Em 57 a.C. Herodes travou amizade com Marco Antônio, político e general romano, e sua aliança com Roma valeu-lhe a nomeação para governador da Galileia em 47 a.C.

Em 40 a.C., quando Matatias Antígono, o último rei da dinastia dos asmoneus, invadiu a Judéia, Herodes foi obrigado a se refugiar em Roma, onde Antônio lhe entregou a realeza da Judéia, sendo reconhecido pelo Senado, que lhe deu condições para impor sua autoridade em toda a Palestina. Com um exército romano, Herodes cercou Jerusalém, em 37 a.C. e derrotou Antígono.

Segundo o historiador Flávio Josefo, que viveu no século I, a legitimidade de reinado de Herodes era contestada pelos judeus por ele ser um edomita, povo rival dos judeus na Antiguidade. Em uma tentativa de obter essa legitimidade, ele casou-se com Mariana, uma filha do alto sacerdote do Templo.

Herodes vivia temeroso de uma revolta popular, razão pela qual teria reconstruído, para refúgio, a Fortaleza de Massada, localizada na porção leste do deserto da Judéia, a uma altura de 520 metros.

Herodes
Ruínas da Fortaleza de Massada

Outras obras atribuídas a Herodes

Para conquistar a simpatia do povo, Herodes patrocinou a reconstrução, com grande esplendor, do “Segundo Templo de Jerusalém”, por vezes chamado “Templo de Herodes, destruído pelos romanos no aos 70 da era cristã, restando hoje só a fachada ocidental:

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Ruínas do Segundo Templo de Jerusalém

Para suprir de água potável a cidade costeira de Cesareia, no Mediterrâneo, construiu o Aqueduto de Cesareia.

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Aqueduto de Cesareia

Outra obra atribuída a Herodes é a Basílica de Ashkelon, localizada às margens do Mediterrâneo, a cerca de 70 quilômetros de Jerusalém. O local foi descoberto em 1920, por arqueólogos e tem as mesmas características relatadas pelo historiador Flávio Josefo, que viveu no século I.

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Ruínas de Ashkelon

Nas escavações, foram descobertos um anfiteatro, colunas, estátuas e moedas datadas do reinado de Herodes.

Registros também sugerem que a família de Herodes era natural de Ashkelon, o que explica o esmero na construção da basílica, com acabamentos em mármore importado da Ásia Menor.

A matança dos inocentes

Jesus teria nascido no reino de Herodes, provavelmente no ano 6 da nossa era. Segundo o Novo Testamento, no Evangelho de São Mateus, Herodes I o Grande, foi o mandante da matança dos inocentes, por ocasião da visita dos reis magos. Temendo perder a coroa para o recém-nascido Jesus, ele teria mandado matar, em Belém, todos os meninos com menos de dois anos de idade.

Contestada por historiadores, a versão bíblica se perpetuou porque, no fim da vida, paranoico e sofrendo de doença degenerativa, Herodes assassinou três de seus filhos e inúmeros rabinos.

Por um erro antigo, a contagem da era cristã começa alguns anos depois do nascimento de Cristo, o que explica a contradição de haver Herodes morrido antes do nascimento de Jesus e, portanto, antes da matança das crianças a ele atribuída.

Morte e descendência

Herodes morreu em Jericó, no ano 4 a.C. e deixou o reino dividido, por testamento, entre três dos seus filhos. Arquelau (Judéia e Samaria), Herodes Antipas (Galiléia e Peréia) e Filipe (Tturéia e Traconítides).

No dia 8 de maio de 2007, o arqueólogo israelense Ehud Natzer, da Universidade Hebraica de Jerusalém, descobriu o que seria o túmulo do rei Herodes, no local conhecido como Heródio, em uma colina no deserto da Judéia, onde o rei construiu seu palácio, nas proximidades de Jerusalém.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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