Padre Roma (José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima)

Revolucionário pernambucano
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Padre Roma (José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima)

José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima (1768-1818), conhecido como Padre Roma, foi um revolucionário e religioso brasileiro. Foi um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, que instituiu um Governo Provisório no Brasil.

José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima nasceu no Recife, Pernambuco, no ano de 1768. Filho de família nobre resolveu dedicar-se à vida religiosa entrando para o Convento do Carmo, no município de Goiana, em 1784. Em seguida, foi para Coimbra, onde concluiu o bacharelado em Teologia. Partiu para Roma, e lá concluiu seus estudos e ordenou-se padre, recebendo o apelido de Padre Roma.

De volta ao Recife e desejando ter maior liberdade de ação, solicitou breve secularização ao pontífice. Orador com amplos conhecimentos tornou-se muito conhecido por seus sermões e pela adesão às ideias liberais que adotou. Com grandes conhecimentos jurídicos e filosóficos, passou a exercer a profissão de advogado, tornando-se famoso como defensor de causas.

Revolução Pernambucana de 1817

Em 1808, a Família Real veio para o Brasil e, o país passou por profundas modificações. Pesados impostos, opressiva administração militar, como também os ideais nativistas e anticolonialistas defendidos pela maçonaria e propagados em centros como o Areópago de Itambé e o Seminário de Olinda, unia militares, padres e maçons, por um mesmo ideal de emancipação política do Brasil.

Padre Roma uniu-se à maçonaria e também aos grupos que conspiravam quase abertamente em Pernambuco, pelo mesmo ideal emancipacionista e contra a opressão do aparelho repressivo colonial, com o objetivo claro da busca da libertação nacional e da extinção do colonialismo.

José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima (Padre Roma), Frei Caneca, Domingos José Martins, entre outros, preparavam um levante para o dia 8 de abril de 1817, mas, no dia 4 de março, antes que os planos estivessem prontos, o governador de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro ficou sabendo da situação e mandou prender os principais implicados.

Diante dos fatos, os conspiradores anteciparam a eclosão do movimento, que teve início no dia 6 de março de 1817, quando o capitão José de Barros Lima (o Leão Coroado) matou o oficial português encarregado de prendê-lo, desencadeando a Revolução Pernambucana de 1817.

A revolta saiu vitoriosa e estendeu-se rapidamente. No dia 7 de março de 1817, Padre Roma e outros revoltosos organizaram una reunião que votou na eleição que constituiu o Governo Provisório, composto por cinco membros representantes das classes dominantes: um representante do exército, um do clero, um do comércio, um da agricultura e um das magistraturas.

A revolta logo teve a adesão do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Com o objetivo de estender a revolução até a Bahia, Padre Roma foi designado para buscar simpatizantes influentes e dispostos a abraçar a República. Visitou vilas e povoações, pregando as ideias republicanas, condenando a tirania real e comunicando a vitória dos revolucionários do Recife.

A notícia do ocorrido e da missão a ser cumprida, logo chegou ao conhecimento do capitão-mor da Bahia que tratou de efetivar a prisão do Padre Roma, que ao aportar em Itapoã, depois de velejar pela costa, foi imediatamente preso e conduzido para o cárcere, em 26 de março de 1817. Padre Roma foi submetido a julgamento sumário pelo conselho de guerra, como traidor, e condenado a morte por fuzilamento.

Sua morte foi presenciada por seu filho, o General Abreu e Lima, que também estava na mesma prisão.

Padre Roma (José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima), morreu na Fortaleza de São Pedro, na Bahia, no dia 29 de março de 1817.

O dia 6 de março, dia do início da Revolução Pernambucana de 1817, é considerado a “Data Magna de Pernambuco” e celebra-se a bravura e o espírito libertário do povo pernambucano.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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