George Sand

Escritora francesa
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de George Sand

George Sand (1804-1876) foi uma romancista e memorialista francesa que usava um pseudônimo masculino para poder publicar suas obras e ser tão respeitada quanto os escritores homes daquela época. Tornou-se uma das escritoras francesas mais populares do século XIX.

George Sand, pseudônimo de Amandine-Aurore-Lucile Dupin, nasceu em Paris, França, no dia 1 de julho de 1804. Filha de Maurice e Sophie Dupin, ficou órfã de pai ainda criança, quando ele caiu de um cavalo no momento que acompanhava o príncipe Murat em uma campanha armada.

Amandine teve a guarda disputada entre a avó e a mãe. Passou sua infância e juventude na casa da avô Marie-Aurore de Saxe, que era neta do conde Maurício de Saxe, filho bastardo de Augusto II, rei da Polônia e de Szxe, com sua amante a condessa Maria Aurora von Könnigsmark,

Amandine cresceu na aldeia de Nohant, na província de Berry, em companhia de seu meio-irmão Hippolyte Chatiron, filho de seu pai com uma amante, onde aprendeu a amar a natureza, sentimento que mais tarde expressou em suas obras.

Preocupada com o comportamento e a educação da neta, em 1817, Sand foi levada para o Convent des Anglaises, em Paris. Nesse período, criou algumas peças para representar com as amigas. Permaneceu na escola até 1822, após a morte de sua avó.

Carreira literária

De volta à Nohant, Amandine casou-se com o Barão Casimir Dudevant, com quem teve dois filhos – Maurice e Solange. Nove anos mais tarde ela separou-se do marido e mudou-se para Paris, onde se tornou amiga de Henri de Latouche, diretor do jornal Le Figaro.

Com o apoio de Latouche, ela publicou alguns artigos sob o pseudônimo de Jules Sand, inspirado no nome de Jules Sandeau, seu amante. Em 1831, escreveram o primeiro livro em conjunto, Rose et Blanche, assinado por J. Sand.

Em 1832, Amandine publicou seu primeiro livro independente, o romance Indiana, assinado com o pseudônimo de George Sand, uma vez que na época, se ela usasse o nome de batismo ninguém leria ou respeitaria suas obras. O livro foi seu primeiro sucesso.

O romance Indiana foi inspirado na experiência da vida matrimonial, onde faz uma defesa da liberdade da mulher na escolha da própria vida. A obra lhe proporcionou fama imediata e também muita polêmica.

Entre 1832 e 1837, ela escreveu vários romances que foram publicados inicialmente em folhetins no jornal. Ainda na linha de protesto contra as convenções sociais que tolhiam a liberdade da mulher, escreveu Valentine (1832), em que uma jovem senhora se apaixona por um camponês.

Em 1837 publicou Mauprat, um romance passional, que reflete uma vaga aspiração ao progresso social. Mística e humanitária, a escritora aderiu às ideias socialistas defendidas pelo filósofo Pierre Leroux.

George Sand publicou obras que aumentaram seu prestígio, mas receberam críticas pela tendência ao sentimentalismo, entre elas: Spiridion (1839), Les Sept cordes de la Lyre (1840), Consuelo (1843) e O Companheiro de Viagem (1845).

O estilo próprio de George Sand surgiu quando a escritora se retirou para Nohant, onde escreveu vários romances campestres, nos quais expressa muitos de seus ideais progressistas.

Entre os romances rústicos destacam-se: O Charco do Diabo (1846), Francisco o Bastardo (1848) e A Pequena Fadette (1849), todos com igual sucesso.

Com o passar dos anos, George Sand evoluiu progressivamente para uma postura mais conservadora. Entre as obras dessa fase há uma autobiografia, História de Minha Vida (1855), um texto para sua neta, Contos de Uma Avó (1873) e Impressões e Lembranças (1876).

Vida amorosa e comportamento

George Sand adquiriu fama pelo sucesso de suas obras como também pelos numerosos casos de amor. Viveu sucessivamente e durante anos com homens nos quais encontrou motivo de admiração, como os escritores Prosper Mérimée e Alfred de Musset.

Sand tinha hábitos incomuns para a época. Enquanto as mulheres da mesma posição social se vestiam com espartilhos, sais e anáguas, ela preferia calças e camisas. Também tinha o costume de fumar em público, ato inaceitável para uma mulher

George Sande e Frédéric Chopin

Com o compositor Frédéric Chopin, Sand teve uma relação que começou em 1838, quando o músico estava abalado com o fim do noivado. Chopin era uma pessoa frágil, doentia, pessimista e Sand era saudável, impetuosa e extrovertida. Ele tinha 27 anos e ela 34.

George Sand ia com frequência de sua casa de campo em Nohant para ver Chopin em Paris e ele esteve várias vezes em Nohant, onde conheceu Maurice e Solange, os filhos de Sand.

A relação assumiu caráter definitivo no começo do inverno de 1838, após Chopin negociar seus já iniciados 24 Prelúdios, Opus 28. Com o dinheiro, acompanhado de Sand e as crianças, partiu para a ilha de Maiorca.

Na pequena cidade de Palma, as chuvas constantes e a umidade afetaram a saúde de Chopin. A tuberculose se agravou levando-o ao leito. Aconselhados pelo médico, mudaram-se para o Convento de Valdemosa, antiga edificação fora do povoado.

Os empregados saíram do local e Sand era obrigada a fazer tudo sozinha, enquanto Chopin delirava. Voltar para a França foi inevitável. Chopin recebeu tratamento em Barcelona e em Marselha, antes de chegar à casa de campo em Nohant, para a convalescença.

Em maio de 1839 Chopin restabelece as forças e o casal resolve se fixar em Paris. Chopin retornou ao trabalho e às apresentações.

As constantes visitas e a vida movimentada de Sand não agradava ao compositor. A relação piorou quando Sand publicou o livro Lucrezia Floriani, cujos protagonistas são uma atriz rica e um príncipe de saúde frágil. Os dois romperam de vez em 1847 e Sand não compareceu ao funeral do compositor, em 1849.

Morte

George Sand escreveu 60 livros, 25 peças de teatro, além de duas autobiografias e mais de 40 mil cartas que foram publicadas em 25 volumes.

George Sand faleceu em Nohant, França, no dia 8 de junho de 1876, com 72 anos. Seus restos mortais estão no pequeno cemitério ao lado de sua casa em Nohant.

Sua propriedade em Nohant foi doada ao governo francês por sua neta Aurora, se transformou na Maison de George Sand e está aberta à visitação público.

No Monastério de Valldemossa, em Maiorca, Espanha, é possível visitar o antigo convento que foi a casa de George Sande e Chopin.

Alguns de seus romances foram adaptados para o cinema, e séries de TV, entre eles: La Mare au Diable (1972, Les Beaux Messieurs des Bois Dorées (1976) e La Petit Fadette (2004).

Frases de George Sand

“A sociedade nada deve exigir daquele que dela nada espera.”

“A infelicidade mostrou-me, pouco a pouco, outra religião bem diferente da religião ensinada pelos homens.”

“Devemos permanecer assim. Não aprenda minha língua e eu não deverei procurar, na sua, palavras para expressar minhas dúvidas e medos.”

“Só se deverá acreditar num Deus que ordene aos homens a justiça e a igualdade.”

“É preciso um trabalho duro e uma grande vontade para transformar a paixão numa virtude.”

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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