João Câmara

Pintor brasileiro
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de João Câmara

João Câmara (1944) é um pintor, desenhista, artista gráfico e professor brasileiro. Criador de um estilo único, é nas figuras humanas que ele expressa grande parte de sua arte.

João Câmara Filho nasceu em João Pessoa, Paraíba, no dia 12 de janeiro de 1944. Filho de um pernambucano, funcionário dos Correios, e de uma paraibana, ainda menino mudou-se com a família para Rio de Janeiro, onde permanece durante dois anos e meio.

Formação

Em 1957, seu pai foi retransferido para o Recife, quando João ingressou no Colégio Nóbrega e depois no Colégio Salesiano. Posteriormente cursou psicologia na Universidade Católica, mas não exerceu a profissão.

Sua inclinação pelas artes surgiu na infância e em 1959 iniciou o curso da Escola de Belas Artes, onde permaneceu por três anos. Estudou paisagem, natureza morta, figura e história da arte.

Nessa época, foi aluno do professor Vicente do Rego Monteiro na cadeira de natureza morta e do ibero-argentino Laerte Baldini.

Nessa época, na Escola de Belas Artes esta em voga a pintura abstrata por causa das bienais nos anos 60 e de artistas como o norte-americano Pollock.

Segundo João Câmara, os jovens da Escola de Belas Artes queriam produzir tela mais modernas do que se aprendia lá.

Certa vez ele pegou uma tela muito grande, gastou uma grande quantidade de tinta para fazer um quadro abstrato, mas quando o professor Baldini viu disse: “Volta a fazer suas figuras porque você não é muito bom na arte abstrata”.

Nessa época, as figuras humanas já ocupavam um espaço privilegiado em seus quadros.

Em 1963 foi eleito presidente da Sociedade de Arte Moderna do Recife. Nesse mesmo ano, estudou xilografia na Escola de Artes de Salvador.

Olinda e Recife

Em 1965, João Câmara abriu um ateliê em Olinda. Entre 1967 e 1970, lecionou pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Paraíba.

Em 1971, depois que se casou adquiriu uma casa em Olinda e a transformou também em ateliê. Em seguida comprou o casarão que pertenceu a Gonçalves de Mello, no bairro das Graças no Recife, que virou sua residência.

Em 1974 criou, junto com o pintor Delano, a Oficina Guaianases, no bairro de Campo Grande, no Recife, que reunia artistas para a produção de litogravuras. Com o crescimento, a oficina foi aberta para artistas de diversas orientações estéticas.

Em 1979, a oficina mudou-se para o Mercado da Ribeira, em Olinda, passando a realizar cursos, exposições e impressões.

Série “Cenas da Vida Brasileira”

A partir de 1970, João Câmara começou a trabalhar com séries. A mais volumosa foi a “Cenas da Vida Brasileira”, que começou em 1974 e concluiu em 1976. São 10 painéis de pintura de grandes proporções que estão no Mamam e 100 litografias, entre elas:

joão câmara

Inspirada na Era Vargas, é uma série com personagens e eventos políticos, como diz o artista: “tentei trazer com personagens e eventos políticos, tentei fazer uma espécie de rememoração da minha infância política”.

joão cãmara

Segundo o pintor, o país estava sob uma ditadura e ele teve algumas obras apreendidas e a exposição “Cenas da Vida Brasileira” foi monitorada pelo Dops, foi filmada e os visitantes eram fotografados.

Série “Dez Casos de Amor”

A série “Dez Casos de Amor”, que João Câmara começou em 1977 e concluiu em 1983, é segundo ele “uma espécie de teorema em quarto fechado, porque são temas amorosos, sobre a pintura tomada como uma relação amorosa”.

joão cãmara

Série “As Duas Cidades”

Durante 14 anos João Câmara desenvolveu a série “As Duas Cidades”, onde retratou o ambiente externo, quase sem figuras, das cidades de Olinda e Recife. São paisagens, o ambiente e os emblemas das cidades.

joão cãmara

Literatura

João Câmara afirma que se interessa mais por literatura do que por outras artes. É associado a um grupo de “nabokovianos” (Vladimir Nabokov), onde troca informações sobre as obras do escritor russo.  

Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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