Martim Afonso de Sousa

Militar português

Biografia de Martim Afonso de Sousa

Martim Afonso de Sousa (1500-1571) foi militar português, comandante da primeira expedição colonizadora, enviada ao Brasil, pelo rei de Portugal D. João III, no ano de 1530. Foi nomeado conselheiro da Coroa. Primeiro donatário da Capitania de São Vicente.

Martim Afonso de Sousa (1500-1571) nasceu em Vila Viçosa, Portugal, na época das grandes navegações. De família nobre, foi amigo de Dom João, quando crianças. Estudou matemática, cosmografia e navegação. Com a morte do rei Dom Manuel, Dom João III torna-se rei. Designa o amigo Martim para acompanhar Dona Leonor, viúva de Dom Manuel, que regressava à Castela, sua terra natal.

Em terras espanholas, acompanha o rei Carlos V nas lutas contra a França. Em Castela, Martim casa-se com Dona Ana Pimentel. Em 1525 volta para Portugal, acompanhando a infanta espanhola Dona Catarina, irmã do imperador, que iria se casar com Dom João III.

Em 1530, para colonizar as terras brasileiras, o rei Dom João III organiza uma expedição e entrega o comando a Martim Afonso de Sousa. Três dias antes de partir para o Brasil, o capitão é nomeado conselheiro da Coroa. No dia 3 de dezembro de 1530, partia de Lisboa a nau capitânia com Martim Afonso e seu irmão Pero Lopes de Sousa; o galeão São Vicente comandado por Pero Lopes Pinheiro; a caravela Rosa, com Diogo Leite, que já estivera no Brasil acompanhando a expedição guarda-costas de Cristovão Jacques, e a caravela Princesa, comandada por Baltazar Fernandes, experiente nas lutas contra os franceses.

No Brasil, na costa pernambucana, combateu os franceses que contrabandeavam pau-brasil, tomando-lhes os navios, que foram incorporados à esquadra portuguesa. Em terra encontram o fortim, erguido por Cristovão Jacques, saqueado. Fazem contato com Diogo Álvares Correia, o Caramuru, que estava há 22 anos em terras brasileiras, casado com a índia Paraguaçu, e tinha o respeito e a amizade dos índios da região.

Seguindo para o sul, chegam ao Rio de Janeiro, no dia 30 de abril de 1531. Na região instalam uma oficina e um estaleiro, para reparo nas embarcações. A constante procura de ouro e prata foi fracassada. No dia 20 de janeiro de 1532, instalam o primeiro marco real da colonização na capitania de São Vicente. Constroem um forte e com a ajuda de João Ramalho, português casado com uma índia, fixa a primeira povoação permanente.

Martim Afonso de Sousa ia aos poucos cumprindo a importante missão para a qual foi destacado, mas as dificuldades financeiras logo foram surgindo, a ausência de ouro e prata nas terras do Brasil, estava a exigir um novo caminho para o enriquecimento do Reino. A doação de terras e a agricultura era o caminho que restava. Essas terras seriam hereditárias, e se não fossem rentáveis num prazo de cinco anos, deveriam ser transferidas para outra família.

Dom João III resolve oficializar e ampliar as doações, dividindo o Brasil em capitanias hereditárias. Em 1532, por carta, Dom João nomeia Martim Afonso donatário da capitania de São Vicente, atual Rio de Janeiro. A distribuição do restante das terras foi feita entre os anos de 1534 e 1536. A plantação da cana de açúcar é iniciada em várias capitanias. O açúcar era produto raro na época, e de grande aceitação na Europa.

A dificuldade de mão de obra e a necessidade de grandes recursos para instalação de engenhos fez muitos donatários fracassarem. Apenas duas capitanias prosperaram - São Vicente e Pernambuco. A de São Vicente graças aos esforços de Martim Afonso, João Ramalho e com o auxílio do Reino. A de Pernambuco foi entregue a Duarte Coelho, que logo trouxe a família e grande número de parentes. A vila de São Vicente prosperava, mas era constante a ameaça dos índios.

Martim Afonso de Sousa volta ao Reino em meados de 1533. No ano seguinte foi nomeado capitão-mor do mar das Índias. Teve atuação importante no combate aos corsários que saqueavam as embarcações portuguesas. Defendeu as feitorias dos ataques dos mouros. Deu proteção ao rei de Cochim, ameaçado pelo marajá de Calicute. Em 1541 é nomeado por Dom João III, governador das partes das Índias, onde permaneceu até 1545. Voltou para Portugal, onde passou seus últimos anos de vida.

Martim Afonso de Sousa morreu em Portugal, em 1571. Foi enterrado no Convento de São Francisco.

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Última atualização: 10/05/2016

Possui bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.