Boccaccio

Poeta italiano

Biografia de Boccaccio

Boccaccio (1313-1375) foi um poeta italiano. Sua obra-prima foi "Decameron" – reunião de várias histórias amorosas narradas por sete damas e três cavaleiros. Precursor do Humanismo renascentista era um cronista do mundo palpável, da sensualidade dos sentidos, dos prazeres e dores carnais.

Giovanni Boccaccio nasceu em Paris, França, no dia 16 de junho de 1313. Filho de Boccaccino da Chellino, que saiu de Certaldo, um povoado agrícola da Itália, para trabalhar na casa bancária Bardi, em Florença.

Na Itália, ficou rico e realizou o sonho de viajar pela Europa. Em Paris se apaixonou por uma dama da aristocracia e com ela teve um filho.

Em 1320, ao regressar para a Itália, com seu filho Boccaccio, resolve casar e escolhe Margarida dos Mardoli, parente de Beatriz, a amada de Dante Alighieri.

Giovanni Boccaccio passou sua infância em Florença, onde aprendeu a ler, escrever e calcular com Giovanni da Strada, renomado mestre-escola.

Logo começa a fazer suas primeiras histórias e aos sete anos já escrevia contos e imaginava fábulas.

Em 1327, foi levado para Nápoles, para aprender comércio e finanças. A cidade de Nápoles era um dos centros intelectuais do país, de costumes liberais, e Boccaccio encantou-se.

Estudou direito canônico e línguas clássicas e fez amizades valiosas. O bibliotecário real Paolo de Perúgia lhe proporciona a leitura de manuscritos raros, dos romances franceses e da poesia trovadoresca.

Boccaccio dedicou o seu tempo à atividade literária e para aproveitar os textos clássicos, estudou latim e grego. Abandonou o curso e a universidade.

Admirava a corte e a nobreza. Seu amigo Niccolò, filho de importante banqueiro, tinha livre acesso à corte e foi fácil apresentar Boccaccio. Mais tarde, na obra "Decameron", recorda esses tempos felizes.

Primeiros poemas

Em 1337, Boccaccio iniciou sua produção literária com uma série de poemas amorosos, entre eles: “Il Filóstrato" e “Theseida” que refletiam sua admiração pelo mundo greco-romano e sua paixão pela filha natural do rei Roberto de Nápoles, Fiammetta.

Escreveu também “Il Filocolo”, uma adaptação em prosa do motivo medieval de Florio e Brancaflor, considerada a primeira grande composição novelesca da prosa romanesca.

Nos cinco livros da obra, Boccaccio deu nova orientação ao tema e introduziu elementos autobiográficos.

Neste ano, tem início a guerra entre França e Inglaterra. Os bancos entram em crise, seu pai suspende a mesada. Entre 1339 e 1340, mora em um bairro pobre e deixa de frequentar a corte.

Tudo que escreveu nesse tempo foram queixas e lamentações como nos doze contos do poema "Teséida", e nas cartas que enviou para seus amigos.

Em 1341, retornou à Florença. Escreveu "Ameto" e no ano seguinte escreveu "Amorosa Visão". Em 1344, escreve o romance "Elegia de Madonna Fiammetta", no qual imortaliza sua amada Giovanna e prenuncia a novela psicológica.

Decameron

Em 1348, assola uma peste em Florença e milhares de pessoas morrem, entre elas, sua filha Violante, com sete anos de idade. Boccaccio se refugia em Nápoles.

Começa a escrever sua obra-prima "Decameron" (em grego, que significa "Dez dias"), que reúne uma coleção de cem contos de amor.

Em Decameron, dez personagens, cada um deles responsável por uma narrativa diária, por dez dias, reúne cem "novelas" e carrega a fama de ser uma coletânea de anedotas eróticas e licenciosas.

Há ali uma galeria de clérigos dissolutos e mulheres adúlteras. Há também virtudes insuperáveis como a história de Griselda, modelo extremo de subserviência ao marido.

Há o amor do cavaleiro condenado a perseguir, matar e eviscerar a mulher que desprezara suas investidas apaixonadas - história que, no século XV, serviria de tema ao pintor Sandro Botticelli.

Aliado ao realismo e ao tom frequentemente licencioso e sensual motivou as mais duras críticas das autoridades religiosas e toda espécie de censura.

Por volta de 1350, Boccaccio voltou para Florença e conseguiu estabilidade financeira. Iniciou uma amizade com o poeta Francesco Petrarca.

Nesse mesmo ano foi nomeado embaixador do governo florentino, na cidade de Ravena. Foi o início de uma série de viagens pela Itália. Em 1353, publicou "Decameron".

O Grande Corvo

Em 1355, publicou “Il Carbaccio” (O Grande Corvo), radicalmente oposta a Decameron, no qual ex´bia aversão às mulheres, certamente produzida por algum desencanto amoroso. É uma sátira, agressiva e virulenta.

Últimos Anos

Em 1262, Boccaccio abandonou Florença e instalou-se em Certaldo, aldeia de Toscana, onde escreveu suas últimas obras, a maior parte em latim.

Em 1373, iniciou uma série de conferências sobre "A Divina Comédia" de Dante, na Igreja de Santo Stefano de Badia.

Redigiu o "Comentário", sobre o mesmo assunto, que pretendia fosse a maior obra depois de "Decameron". Mal chegou a comentar o décimo sétimo canto do Inferno. Em 1374, doente, abandona as conferências.

Giovanni Boccaccio faleceu em Certaldo, Itália, no dia 21 de dezembro de 1375.

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Última atualização: 21/11/2019

Dilva Frazão
Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.