Maurício de Nassau

Militar de origem alemã

Biografia de Maurício de Nassau

Maurício de Nassau (1604-1679) foi um militar de origem alemã. Governou as províncias holandesas no Brasil. Instalou a capital do Brasil holandês na cidade do Recife, capitania de Pernambuco. Tornou-se príncipe do Sacro Império Romano-Germânico.

Maurício de Nassau (1604-1679) nasceu no castelo de Dillemburg, na Westphalia, Alemanha, no dia 17 de junho de 1604. Filho do conde João VII de Nassau e da princesa Margarida de Holstein, donos de possessões, tanto na Holanda como na Alemanha, passou sua infância em Siegen, Alemanha, onde teve suas primeiras lições de letras e armas. Com quatorze anos frequentava as universidades suíças de Basileia e Genebra.

Em 1621 iniciou sua carreira militar nos Países Baixos, durante a Guerra dos 30 anos contra a Espanha. Em 1626 foi promovido a capitão. Em 1630 a Capitania de Pernambuco, é ocupada pelos holandeses. Em 1636 é convidado para governar a "Nova Holanda" em terras brasileiras. No dia 4 de agosto é nomeado, por cinco anos, governador-capitão e almirante-geral das conquistas no Brasil. No dia 23 de janeiro de 1637, desembarca no porto do Recife, a serviço da Companhia das Índias Ocidentais.

Em sua escolta viajavam soldados, funcionários, cientistas, astrônomos como Marcgraff, pintores como Franz Post, poetas e literatos. Organizando-se militarmente, expulsou os luso-espano-brasileiros para além do São Francisco. Construiu na margem do rio, em Penedo, um forte que recebeu seu nome. Conquistou as áreas de planície inundadas anualmente pelo rio, para a criação. Com o auxilio dos índios locais, conquistou o Ceará e o Maranhão, expandindo o domínio holandês.

Maurício de Nassau, diante da necessidade de escravos negros para os canaviais pernambucanos, e sabendo que o tráfico era rendoso, conquistou o forte da Mina no Golfo de Guiné, a Ilha de São Tomé e a cidade de Luanda na África. Organizou grande expedição contra a Bahia, mas amargou sua primeira derrota.

Em 1640, Portugal livre do domínio espanhol, consegue restaurar a dinastia portuguesa e se torna aliado da Holanda, para enfrentar a Espanha. Em 1642, Nassau já governava do Maranhão até Sergipe. No Recife, os calvinistas membros do governo, os católicos e os comerciantes judeus, com sua sinagoga na atual rua do Bom Jesus, conviviam com uma certa liberdade.

Para a construção da capital do Brasil holandês foram tomadas medidas que tornaram o Recife umas das cidades mais importantes da costa atlântica da América, no século XVII. Em 1642 concluiu a construção do Palácio de Friburgo, com extenso jardim zoo-botânico e o Palácio da Boa Vista, sua residência de verão. Mandou fazer um projeto de cidade cortada por canais, drenou pântanos, construiu diques, convocou a primeira Assembleia Legislativa da América do Sul, criou o primeiro serviço de extinção de incêndio da América, instalou o primeiro Observatório Astronômico do Hemisfério Sul e mandou construir a primeira ponte do Brasil, no local da atual ponte Maurício de Massau.

A Companhia de Jesus, preocupada com a queda em suas receitas, vinha pressionando Nassau pelos seus gastos e pela não cobrança das dívidas dos senhores de engenho. Seus pedidos de colonos, soldados e mantimentos não eram mais atendidos. Em 1643, Nassau pede demissão irrevogável. No dia 11 de maio de 1644, parte do Recife para a Paraíba e no dia 22 embarca para Holanda, levando para seu palácio em Haia os objetos e pinturas que decoravam o palácio da Friburgo. Na Holanda retorna a carreira militar.

Depois da saída de Nassau, os senhores de engenho foram cobrados e ameaçados, pois não conseguiam pagar as dívidas, levando muitos à falência, em vista dos juros elevados. A relação entre credores e devedores fortaleceu o desejo de independência. Com o início da Insurreição Pernambucana em 1645, várias batalhas foram travadas contra o domínio holandês na capitania. Em 1647, Nassau é convidado para voltar ao Brasil, mas não aceita. Em 1652, na guerra entre Inglaterra e Holanda, Nassau torna-se príncipe do Sacro Império Romano-Germânico. Em 1654, os holandeses assinam a rendição no Recife.

João Maurício de Nassau Siegen morreu em Clèves, Alemanha, no dia 20 de dezembro de 1679.

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Última atualização: 11/05/2016