Nikolai Gogol

Escritor russo
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Nikolai Gogol

Nikolai Gogol (1809-1852) foi um escritor russo. Sua obra situa-se no estilo do realismo da literatura russa, apesar de alguns trabalhos apresentarem características do surrealismo. Sua principal obra foi “Almas Mortas” - considerada a primeira novela russa moderna. Destacam-se também "Diário de um Louco" e "Nariz".

Nikolai Vassilievitch Gogol nasceu em Velyki Sorotchintsi, no Império Russo, na região da atual Ucrânia, no dia 31 de março de 1809. Sua nacionalidade hoje é reivindicada tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia.

Filho de um pequeno proprietário de terras, com 12 anos foi estudar na província de Nizhin. Com 16 anos perdeu o pai. Com 19 anos mudou-se para São Petersburgo, onde encontrou um modesto emprego em um escritório ministerial.

Desde jovem desejava escrever textos para o teatro. Tenta uma vaga de professor de história na Universidade de São Petersburgo, onde conhece Alexandre Púchkin, um destacado escritor russo que exerce forte influência em seus futuros trabalhos.

A distância de sua cidade natal lhe inspira suas primeiras obras, Noites na Fazenda de Dikanka (1831), Arabescos (1835) e Mirgorod.

A obra Arabescos começa a definir-se um dos principais temas do escritor, o da humilhação da pessoa submetida a uma organização social coercitiva e esmagadora.

Mirgorod, que é a continuação de sua primeira obra, se compõe em quatro histórias, das quais a mais famosa é Taras Bulba, narrativa inspirada nas tradições cossacas, em que Gogol conta a luta de seus conterrâneos contra os poloneses.

Diário de Um Louco

Em 1835 Gogol resolve abandonar a universidade para se dedicar exclusivamente à literatura. Nesse mesmo ano, publica Diário de Um Louco, que conta uma aventura invulgar vivida por um funcionário atormentado e perdido de amores pela filha do patrão.

A obra mistura o real e o fantástico, o normal e o patológico, o razoável e o delírio, a ponto de ver o sofrimento do ser humano a quem a identidade vai se estilhaçando com rapidez e intensidade.

O Inspetor Geral

Em 1836 publica a peça O Inspetor Geral, uma comédia que satiriza a corrução dos funcionários do estado e que provocou a indignação da plateia de burocratas e burgueses.

Gogol é incompreendido, tendo sua obra censurada, o que o obrigou a abandonar temporariamente a Rússia. Inicia uma viagem pela Europa. Vai para Alemanha e França e finalmente se instala em Roma. Em 1837 fica profundamente abalado com a morte do amigo Púchkin.

Almas Mortas

Em 1842, em Roma Gogol conclui a redação do primeiro volume de Almas Mortas, sua principal obra. O romance apresenta um quadro desalentador das condições de vida na Rússia rural.

Sarcasticamente, Gogol mistura o cômico, o absurdo e o trágico, revelando o pessimismo inerente à personalidade do escritor.

Inspirado na A Divina Comédia, de Dante Alighieri, quando terminou a obra, frustrou-se porque só conseguiu criar o Inferno, sem o Purgatório e o Paraíso.

O Capote

Ainda em 1842, Nikolai Gogol publicou O Capote, obra que exerceu grande influência na literatura russa.

O romance conta a história de um modesto funcionário que se submete a toda sorte de privações para poder comprar um bom capote para o inverno. Quando consegue, é roubado e se vê então tomado por uma melancolia que envolve toda a sua condição.

Depois de adoecer, morre e ressurge como fantasma, para cobrar a injustiça de que foi vítima. Nessa novela, Gogol alia o realismo mais minucioso a uma incursão no sobrenatural.

Depois de uma curta temporada em Moscou, Gogol retornou para Roma, onde iniciou a segunda parte de Almas Mortas, mas abandonou a obra.

O Nariz

Publicado em 1843, a obra O Nariz traz os traços mais estranhos e ao mesmo tempo mais típicos do escritor, o humor ácido e agudo.

No primeiro aspecto, que se traduz tanto na atmosfera como na linguagem, o escritor antecipa nitidamente a arte ficcional de Kafka.

Últimos anos e morte

Nos últimos anos de sua vida Nikolai Gogol escreveu Fragmentos Escolhidos da Correspondência com os Amigos (1847), em que proclamou sua reconciliação com o czarismo e com a religião ortodoxa.

Em 1848, atravessando uma grave crise espiritual faz uma peregrinação à Jerusalém. Pouco a pouco sua saúde foi se agravando, tornou-se cada vez mais místico, impelido em buscar a salvação da alma pelos sentimentos religiosos.

À beira da loucura, seguindo um regime rigoroso, com a saúde física e mental debilitada, pouco antes de morrer, Nikolai Gogol queimou os manuscritos da segunda parte da obra “Almas Mortas”, que depois a reescreveria.

Nikolai Gogol faleceu em Moscou, Rússia, no dia 04 de março de 1852.

Frases de Nikolai Gogol

  • “Sei que o meu nome será mais feliz do que eu”
  • “Digo que quando se tem espírito demais é pior do que não ter nenhum”
  • "Tal como uma sentença escrita, uma palavra bem aplicada não pode apagar-se".
  • “Existem paixões cuja escolha não depende do homem, nascem com ele e não há força bastante para as repelir”
  • “A única coisa que vale a pena é fixar o olhar com mais atenção no presente, o futuro chegará sozinho, inesperadamente. É tolo quem pensa no futuro antes de pensar no presente.”
  • "Quanto mais sublimes forem as verdades mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas".
Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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