Fernão Lopes

Cronista-mor do reino de Portugal

Biografia de Fernão Lopes

Fernão Lopes (1380-1460) foi escrivão e cronista-mor do Reino de Portugal. Por mais de 20 anos, registrou a memória do povo e do reino desde a primeira dinastia (Borgonha) até o reinado de D. João I (Avis).

Fernão Lopes nasceu perto de Alfama, em Lisboa, Portugal, por volta de 1380. De origem humilde, nada se sabe sobre sua formação intelectual, mas é conhecido o seu percurso profissional, que desde 1418, ano em que surge documentado como “guardador das escrituras do Tombo”, ou seja, do Arquivo Régio, desempenhava funções junto de membros da família real, e em 1419 era escrivão dos livros de D. João I, o primeiro rei da segunda dinastia real, a Dinastia de Avis.

Durante a segunda dinastia portuguesa, a Dinastia de Avis (1385-1580), muito antes de assumir o trono, preocupado em preservar a memória do reino, D. Duarte, poeta e escritor, filho do rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre, ele próprio registra as tradições do reino e manda Fernão Lopes escrever a história dos antecessores, em especial a do fundador da Dinastia de Avis, o rei D. João I (1385-1423), o que confirma a forte ligação à nova dinastia reinante e a confiança por esta depositada no seu “guardador de escrituras” e depois “cronista oficial”.

Já no reinado, D. Duarte (1423-1438), em seu primeiro ano, tem início um vasto empreendimento de natureza historiográfica com a finalidade de construir uma memória régia de Portugal. Fernão Lopes foi então nomeado para o cargo de “cronista-mor do reino”, nessa altura, criado para escrever as crônicas dos reis portugueses até o rei D. João I. Pela função, o cronista-mor receberia um valor anual de 14 000 reis.

Das crônicas que escreveu Fernão Lopes restam apenas três identificadas com segurança como de sua autoria: “Crônica de D. Pedro I”, “Crônica de D. Fernando” e “Crônica de D. João I”. É também reconhecida pela maioria dos estudiosos, como de autoria de Fernão Lopes, a “Crônica de 1419” um conjunto de narrativas sobre os sete primeiros reis de Portugal.

A obra de Fernão Lopes, e especialmente a Crônica de D. João I, é um documento, na medida em que pretende registrar e fazer prova dos fatos considerados dignos de memória que tem o rei como o protagonista da história, mas além de um documento é também um monumento, uma vez que pretende fixar de modo perene uma exaltação dos feitos régios, que passava pela construção de túmulos e pela fundação de capelas régias, pela edificação de paços reais como o de Sintra ou do Mosteiro da Batalha.

O propósito maior do cronista-mor era o de contribuir para a legitimação da Dinastia de Avis, fazendo a apologia do seu rei fundador. Essa legitimação não podia ser fundamentada no Direito Sucessório vigente, nem muito menos, na letra ou no espírito do Tratado de Salvaterra. Daí a importância  que Fernão Lopes conferiu à intervenção do doutor João da Regras nas Cortes de Coimbra de 1385, em favor da candidatura do mestre de Avis ao trono, fato que foram narrados com grande maestria historiográfica e literária que justificavam a subida de D. João I ao trono.

O cuidado em fundamentar a versão dos acontecimentos, o seu recurso a fontes narrativas ou documentais, a sua indagação junto de pessoas que ainda tinham presenciado os acontecimentos revolucionários de 1383 a 1385, as suas declarações de apego à verdade, como ele mesmo escreve, levaram o cronista a atingir seus objetivos e ganhar credibilidade.

Fernão Lopes permaneceu como cronista oficial do reino até 1448 quando o rei D. Afonso V (1438-1481) nomeou Gomes Eanes de Zurara como o cronista-mor do Reino. Fernão Lopes permaneceu como guarda-mor da Torre do Tombo até 1454, e segundo os pesquisadores, teria falecido em Lisboa, no ano de 1460.

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Última atualização: 04/01/2018